El Niño no inverno 2026: como proteger trigo e aveia da chuva e do calor 

Com El Niño forte previsto para julho, agosto e setembro, produtores do Sul e do Sudeste devem redobrar a atenção às doenças fúngicas em cereais de inverno, enquanto Norte e Nordeste enfrentam maior risco de estresse hídrico 

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Com El Niño forte previsto para julho, agosto e setembro, produtores do Sul e do Sudeste devem redobrar a atenção às doenças fúngicas em cereais de inverno, enquanto Norte e Nordeste enfrentam maior risco de estresse hídrico ...

A previsão para o inverno de 2026 acende um alerta para o campo. Segundo nota técnica do Inmet e do Inpe, o país deve atravessar o trimestre julho-agosto-setembro sob influência de um El Niño forte, cenário que reforça os impactos do El Niño no inverno 2026 sobre diferentes regiões produtoras. No Sul, a expectativa é de chuva acima da média, com até 100 mm a mais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Já no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, a tendência é de chuva abaixo ou perto da média, o que amplia o risco de déficit hídrico. 

Chuva e calor elevam o risco de fungos em trigo e aveia 

No Sul e em parte do Sudeste, a combinação entre umidade elevada e temperaturas mais altas para a estação cria um ambiente favorável ao avanço de doenças fúngicas em culturas de inverno, como trigo e aveia. O problema não está apenas no surgimento das doenças, mas também na velocidade com que elas podem se espalhar quando há molhamento foliar frequente e dificuldade para entrar na área. 

Por isso, a recomendação é reforçar o monitoramento da lavoura e adotar uma estratégia preventiva, principalmente nas fases mais sensíveis do desenvolvimento das plantas. 

El Niño no inverno 2026 pede monitoramento e prevenção 

Em um inverno com maior pressão climática, o produtor precisa acompanhar a lavoura de perto e aproveitar melhor as janelas de aplicação. Entre os principais cuidados, estão: 

  • intensificar as vistorias no campo; 
  • observar sintomas iniciais em folhas e espigas; 
  • alinhar o manejo ao estádio da cultura e ao histórico da área; 
  • priorizar aplicações preventivas em momentos de maior risco. 

Com chuva frequente e calor, esperar o problema aparecer para agir pode significar perda de produtividade e de qualidade dos grãos. 

Norte e Nordeste devem focar na conservação de água 

Enquanto o Sul lida com excesso de umidade, o desafio no Norte e no Nordeste deve ser a manutenção da água no solo. Nessas regiões, o calor e a menor regularidade das chuvas podem aumentar a evaporação e pressionar lavouras e pastagens. 

Nesse cenário, o manejo deve priorizar práticas que preservem a umidade do solo, como manutenção de palhada, atenção ao estresse hídrico e planejamento mais cuidadoso da irrigação, quando houver estrutura disponível. 

Inverno de 2026 exigirá resposta regional 

O El Niño deve tornar o inverno de 2026 mais desafiador para a agricultura, mas de formas diferentes em cada região. No Sul e no Sudeste, o foco deve estar na prevenção de doenças favorecidas por chuva e calor. No Norte e no Nordeste, a prioridade será reduzir os efeitos da falta de água. Em comum, fica a necessidade de transformar a previsão climática em decisão de manejo no campo. 

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