20/10/2026

Mercado e safra

El Niño na agricultura brasileira amplia incertezas para a safra de grãos 2026/27 

Monitoramento aponta solo ainda seco em áreas de Mato Grosso e chuva excessiva no Sul; NOAA estima alta probabilidade de o fenômeno seguir forte no início de 2027.

Mais vistos
Linha de plantação e tempo de chuva

Oscilações e incertezas marcam cafeicultura em 2023

O ano de 2023 foi marcado por dificuldades climáticas, oscilações no preço e muitos outros desafios para o cafeicultor.

28/12/2023 • Mercado e safra

Previsão do El Niño 2026/2027: INMET confirma fenômeno forte e alerta produtores 

A previsão do El Niño 2026/2027 foi oficializada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que confirmaram a configuração do fenômeno em junho e projetam intensidade elevada nos próximos meses.  Os modelos climáticos apontam probabilidade acima de 90% de permanência do El Niño até pelo menos o início de 2027, com alta chance de […]

15/07/2026 • Mercado e safra

Dia a dia do campo

El Niño 2026: saiba como ele pode afetar a sua lavoura 

O setor agropecuário brasileiro já acendeu o sinal de alerta. Após um período de neutralidade climática, as projeções mais recentes do Centro de Previsão Climática (CPC) da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) indicam uma probabilidade superior a 80% para a consolidação do fenômeno El Niño até o final de 2026.  Com indícios de que o evento possa atingir […]
Ler mais

Mercado e safra

Safra de laranja 2026/27 deve cair 12,9% no cinturão citrícola de SP e MG 

Estiagem prolongada, avanço do greening e segunda florada tardia explicam a retração. Regiões com irrigação se destacam como exceção positiva no cenário 
Ler mais

Mercado e safra

El Niño na safra 2026/27 pode ampliar oferta global de soja, mas ameaça produtividade do milho 

O retorno do El Niño na safra 2026/27 já começa a moldar as perspectivas para a agricultura mundial. Apesar das preocupações com eventos extremos, o fenômeno climático pode favorecer a oferta global de soja, com as perdas esperadas em regiões como Ásia e África sendo compensadas por ganhos de produtividade em grandes produtores como Brasil, Estados Unidos e Argentina, […]
Ler mais
Ver Também

Déficit de trigo no Paraná deve ser o maior já registrado 

Produção estadual recua 21% e amplia a distância entre colheita e capacidade de moagem, forçando o setor a lidar com margens apertadas, importações mais caras e o risco de um El Niño intenso 

El Niño 2026-27 pode ampliar safra de soja e café no Brasil, mas rentabilidade fica em xeque 

Projeções apontam produtividade acima da média histórica no Sul da América Latina, ao mesmo tempo em que o cenário alerta para queda de preços, pressão nos custos de armazenagem e riscos climáticos no Norte do Brasil 

Como manter a produtividade da lavoura com o clima cada vez mais imprevisível 

Estiagens prolongadas, chuvas concentradas e temperaturas atípicas já pressionam as safras brasileiras. Diante das mudanças climáticas, manter a produtividade exige combinar manejo, tecnologia e planejamento de longo prazo.

Mercado e safra

27/05/2026

Safra de laranja 2026/27 deve cair 12,9% no cinturão citrícola de SP e MG 

Estiagem prolongada, avanço do greening e segunda florada tardia explicam a retração. Regiões com irrigação se destacam como exceção positiva no cenário ...

A estimativa para a safra de laranja 2026/27 no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro é de 255,2 milhões de caixas, uma retração de 12,9% em relação às 292,9 milhões de caixas colhidas no ciclo anterior. Os dados são do relatório de acompanhamento divulgado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, com informações do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). 

Apesar do crescimento de 1,1% na área produtiva, que chegou a 366 mil hectares, a produtividade média recuou 13,8%, para 697 caixas por hectare. O principal fator foi o clima irregular de 2025: a estiagem entre maio e setembro, combinada a temperaturas elevadas, comprometeu a primeira florada. O avanço do greening nos pomares agravou o quadro. 

Segunda florada concentra riscos e incertezas 

As chuvas de outubro de 2025 a março de 2026 favoreceram a segunda florada, mas não foram suficientes para compensar as perdas da primeira. O resultado é uma safra mais concentrada e mais vulnerável. Entenda melhor o cenário abaixo: 

  • A segunda florada passou a representar 56% da produção total, ante 70% no ciclo anterior; 
  • A colheita deve ser mais tardia, ampliando o período de exposição a perdas; 
  • A taxa de queda de frutos projetada subiu para 23,7%, e a perda total estimada chega a 31,3%; 
  • A possível formação do El Niño adiciona incerteza ao cenário de consolidação da safra. 

Mapa regional: irrigação faz diferença 

O desempenho varia significativamente entre as regiões produtoras: 

  • Norte: lidera a produção com 71,2 milhões de caixas e produtividade de 812 caixas por hectare, impulsionado pelo uso de irrigação 
  • Noroeste: destaque positivo, com crescimento de 35,2% na produção e avanço de 28,6% na produtividade, associados à melhor adaptação hídrica e à expansão da irrigação 
  • Sudoeste: queda expressiva de 29,4% na produção 
  • Sul: menor rendimento médio da região, com apenas 545 caixas por hectare 

Variedades tardias concentram as maiores perdas 

A safra evidencia uma divisão clara entre os grupos varietais. As variedades tardias, colhidas no fim da safra entre agosto e novembro, concentram as maiores retrações: a Natal recua 33,5% e a Valência/Folha Murcha cai 22,8%, ambas penalizadas pelo avanço do greening e pelos efeitos da colheita tardia. 

Já as variedades precoces, colhidas entre maio e julho, mostram maior resistência às condições adversas. Hamlin, Westin e Rubi crescem 2,4%, enquanto o grupo de outras precoces avança 9,1%, sinalizando que o calendário de colheita tem papel decisivo na exposição aos riscos climáticos e fitossanitários. 

O que os dados ensinam para o próximo ciclo 

A safra 2026/27 traz lições concretas sobre resiliência no campo. As regiões que investiram em irrigação e manejo fitossanitário ativo saíram na frente, mesmo em um ano adverso, e provam que boas práticas fazem diferença independente do clima. O desempenho das variedades precoces também aponta um caminho: diversificar o portfólio varietais reduz a exposição a riscos e garante mais estabilidade ao longo do ciclo. 

Para o produtor que já está planejando a próxima safra, os dados reforçam três frentes de ação com retorno comprovado: 

  • Controle do greening: monitoramento constante e manejo do psilídeo são inegociáveis para preservar a longevidade do pomar 
  • Gestão hídrica: pomares com irrigação mostraram produtividade até 48% acima da média regional em 2026/27 
  • Diversificação varietal: incluir cultivares precoces no planejamento dilui riscos climáticos e amplia a janela de colheita 
  • Monitoramento climático: uso de ferramentas de previsão para antecipar janelas de aplicação e irrigação 
  • Nutrição de recuperação: programa de adubação pós-safra para recompor o vigor das plantas antes da próxima florada 
  • Porta-enxertos tolerantes e mudas certificadas: renovação do pomar com material genético mais resistente ao greening 
  • Manejo integrado de pragas: redução da pressão de insetos vetores além do psilídeo, como moscas-das-frutas 
  • Cobertura de solo: práticas que reduzem o estresse hídrico em períodos de estiagem onde a irrigação não é viável 

A citricultura brasileira tem histórico de recuperação. Com tecnologia, informação e manejo adequado, o produtor tem nas mãos as ferramentas para transformar os aprendizados desta safra em resultados melhores na próxima. 

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo. 

Mais Agro 

Culturas 

Ler mais