O farelo de soja voltou a ocupar uma posição central na rentabilidade da indústria de processamento da oleaginosa. Com a demanda internacional aquecida e as cotações em alta no Brasil e nos Estados Unidos, o derivado ampliou sua participação na margem obtida pelas empresas com a venda dos produtos resultantes do esmagamento do grão.
Análise divulgada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na última segunda-feira (21) indica que o peso do farelo na chamada “crush margin” avançou nos últimos dias. No mercado paulista, considerando os preços da soja em grão, do farelo e do óleo, essa participação alcançou o maior nível desde outubro de 2024.
Farelo de soja amplia participação na “crush margin”
A “crush margin” é uma referência usada para acompanhar o resultado econômico do processamento da soja. De forma simplificada, ela relaciona o custo de aquisição do grão às receitas obtidas com a comercialização de farelo e óleo, os dois principais derivados industriais.
Quando o farelo passa a responder por uma parcela maior dessa margem, o produto ganha relevância na formação das receitas das esmagadoras. Isso não significa, por si só, que toda a operação industrial se tornou mais rentável, pois o resultado também depende do preço pago pela matéria-prima, do desempenho do óleo e dos custos de processamento. O movimento, porém, mostra que o derivado está oferecendo sustentação mais forte ao equilíbrio econômico das indústrias.
Demanda internacional mantém preços firmes
Segundo o Cepea, a procura mundial é o principal fator por trás da valorização observada nos mercados brasileiro e norte-americano. O farelo é amplamente utilizado na fabricação de rações para aves, suínos, bovinos e outras criações, o que torna seu consumo sensível ao ritmo da produção de proteína animal em diferentes países.
Com compradores ativos, os preços encontram suporte mesmo diante das oscilações comuns ao complexo soja. Para a indústria, esse ambiente aumenta a importância de acompanhar de forma conjunta as cotações do grão, do óleo e do farelo, já que mudanças na relação entre os três produtos podem alterar a atratividade do esmagamento.
Armazenagem pode ter reduzido a pressão de venda
No Brasil, as condições de armazenagem também podem ter contribuído para limitar a oferta imediata. Entre julho e agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) disponibilizou unidades armazenadoras para farelo de soja em alguns estados, ampliando as alternativas para a guarda do produto.
Na avaliação citada pelo Cepea, a existência de mais espaço pode ter reduzido a necessidade de venda rápida por parte das indústrias. Com menor urgência para liberar estoques, o volume ofertado no curto prazo tende a ser administrado com mais cautela, o que ajuda a sustentar as cotações quando a demanda permanece firme.
O que sustenta o movimento do mercado
A valorização recente resulta da combinação entre procura externa, disponibilidade controlada e maior flexibilidade de armazenagem. Entre os pontos que merecem atenção estão:
- A evolução da demanda global por ração animal e proteína;
- O ritmo de comercialização das indústrias brasileiras;
- A relação de preços entre soja em grão, farelo e óleo;
- A disponibilidade de espaço para armazenagem nas principais regiões produtoras.
Esses fatores ajudam a explicar por que o farelo ganhou participação na composição das receitas industriais. Também mostram que o comportamento do derivado não depende apenas do volume de soja processada, mas do equilíbrio entre procura, oferta disponível e estratégia comercial dos agentes.
Mercado acompanha próximos sinais de oferta e consumo
Nas próximas semanas, a atenção deve permanecer voltada ao comportamento da demanda internacional e à disposição das indústrias para negociar seus estoques. Alterações nos preços do grão ou do óleo também podem mudar a participação relativa do farelo na margem de processamento.
Por enquanto, o cenário descrito pelo Cepea mantém o derivado em posição de destaque no complexo soja. A combinação de procura aquecida e menor pressão vendedora reforça sua contribuição para as receitas das esmagadoras e transforma o farelo em um dos principais indicadores a serem monitorados pelo setor.
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