O milho safrinha ocupa mais de 17 milhões de hectares no Brasil e responde por cerca de 75% da produção nacional de milho tornando seu sucesso produtivo uma questão de segurança alimentar e de balanço comercial do agronegócio brasileiro. Mas o milho safrinha enfrenta uma condição desafiadora que o torna peculiarmente vulnerável: é plantado no período de maior pressão de pragas iniciais , logo após a colheita da soja, quando espécies como cigarrinhas e percevejos migram ativamente das lavouras de leguminosas para o novo hospedeiro verde o milho recém-emergido. 

O período entre a emergência e o estádio V4 as primeiras 3 a 4 semanas da lavoura é o intervalo mais crítico de toda a cultura: as plantas estão pequenas, têm pouca capacidade de compensar perdas, e qualquer redução no estande nessa fase afeta diretamente a produtividade final. O tratamento de sementes com inseticida sistêmico é a ferramenta mais eficaz para proteger esse período crítico, garantindo o estabelecimento uniforme do estande. 

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O período crítico do milho: V1 a V4 

O milho é uma cultura vulnerável ao ataque de pragas sugadoras e mastigadoras desde a emergência até, aproximadamente, o estádio V4 (quarta folha expandida) o que corresponde a 15 a 20 dias após a emergência. Nesse intervalo: 

  • As plantas ainda não desenvolveram os mecanismos de defesa que surgem com o crescimento vegetativo acentuado  
  • O sistema vascular é incipiente e qualquer dano ao ponto de crescimento ou ao colmo jovem pode ser irreversível 
  • A tecnologia Bt geralmente protege apenas lepidópteros, percevejos e cigarrinhas, que são as pragas mais agressivas no safrinha, não são controlados pela tecnologia Bt; sem TS, essas pragas atuam sem barreira 
  • Falhas de estande nessa fase não podem ser compensadas pelas demais plantas do estande, cada planta perdida representa perda direta de produtividade 

O nível de controle recomendado para percevejo barriga-verde no milho é de apenas 1 inseto a cada 10 plantas. Para a cigarrinha-do-milho, dado que mesmo populações pequenas podem transmitir molicutes e causar enfezamentos, a recomendação é agir ao primeiro sinal de presença. Esses níveis baixíssimos exigem uma proteção preventiva que só o tratamento de sementes consegue garantir com eficiência de custo. 

As principais pragas iniciais do milho safrinha 

No início do ciclo do milho safrinha, a cultura fica mais vulnerável ao ataque de insetos-praga que comprometem o estabelecimento das plantas e podem reduzir significativamente o potencial produtivo.

Nesse período, o monitoramento e a adoção de medidas preventivas são decisivos, já que algumas espécies causam danos diretos às plântulas, enquanto outras atuam como vetoras de doenças de alto impacto econômico. Conhecer as principais pragas iniciais é essencial para definir estratégias de manejo mais eficientes desde a emergência da lavoura.

Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis): vetor de enfezamento 

cigarrinha-do-milho é considerada uma das pragas que mais ocasiona danos ao milho safrinha no Brasil,  não pelo dano direto de sucção, mas por ser vetor dos molicutes que causam enfezamento pálido (Spiroplasma kunkelii) e enfezamento vermelho (Candidatus Phytoplasma spp.), além do vírus do raiado fino. O enfezamento pode causar perdas de até 100% em lavouras severamente infectadas. A cigarrinha é monófaga sobrevive exclusivamente no milho e migra ativamente de lavouras mais velhas para as mais jovens, tornando o início da safra safrinha o pico de pressão. 

O tratamento de sementes protege as plantas nas primeiras semanas; o vazio sanitário (período sem milho na área, estabelecido por regulamentação estadual) é a medida complementar mais eficaz para reduzir a população de cigarrinhas que migraria para a nova lavoura. Ambas as práticas devem ser adotadas conjuntamente. 

Percevejo-barriga-verde (Dichelops spp.): dano silencioso 

percevejo barriga-verde (Dichelops melacanthus e D. furcatusse alimentam na base da plântula, introduzindo o estilete através da bainha foliar até os tecidos internos. Quando as folhas se expandem, o dano aparece como furos alinhados e simétricos no limbo foliar, sintoma típico de ataque. Em estádios iniciais (V1 a V3), o ataque pode provocar morte do ponto de crescimento e perda direta de plantas. Estudos citados pela Embrapa mostram perdas de produtividade de até 43% em alta infestação. 

A praga é especialmente prevalente no milho safrinha em sistema de plantio direto, onde a palhada de soja oferece abrigo e a população carreada da lavoura anterior chega ativa ao plantio do milho. A dessecação antecipada da soja (com inseticida associado ao herbicida) reduz a população antes da semeadura do milho; o TS garante proteção nos dias seguintes à emergência. 

Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) e outras pragas de solo 

Além do complexo de sugadores, as pragas subterrâneas representam risco em áreas específicas, especialmente em solos arenosos e em anos secos: 

  • Lagarta-elasmo: ataca a base do colmo abaixo da superfície do solo, causando o sintoma de “coração morto” (folhas centrais secas que se desprendem facilmente); é praga de difícil controle com pulverização foliar; o TS sistêmico é uma das principais táticas de controle 
  • Larva-alfinete (Diabrotica speciosa)larvas destroem raízes e causam sintoma de “pescoço de ganso” (plantas curvadas); o TS é a forma mais eficaz de proteção; cultivares com a proteína Cry3Bb também oferecem um melhor controle 
  • Larva-arame e corós: importantes em áreas de renovação de pastagem ou em solos com histórico desses insetos; o TS mais aplicação no sulco de plantio é a estratégia recomendada 
  • Percevejo-castanho (Scaptocoris castanea): vive no solo, suga raízes e provoca murchamento com aspecto de deficiência nutricional; o TS tem eficiência limitada para essa espécie a aplicação de inseticida diretamente no sulco é mais indicada 

Principais pragas iniciais do milho safrinha: dano, período crítico e melhor forma de controle 

Praga Nome científico Dano principal Período crítico Controle prioritário 
Cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis Transmite molicutes (enfezamento) e vírus; perdas até 100% Emergência a V5; migra de lavouras velhas TS sistêmico + vazio sanitário; controle biológico (fungos entomopatogênicos) 
Percevejo-barriga-verde Dichelops melacanthus / D. furcatus Furos nas folhas; morte do ponto de crescimento; até 43% de perda V1 a V3 (15 primeiros dias) TS sistêmico; dessecação antecipada com inseticida; pulverização pós-emergente se necessário 
Lagarta-elasmo Elasmopalpus lignosellus Coração morto; perda de estande; solo seco favorece o ataque Emergência a V3; anos secos e solos arenosos TS sistêmico (única tática eficiente); sulco de plantio em alta infestação 
Larva-alfinete Diabrotica speciosa Destroi raízes jovens; pescoço de ganso; redução de estande Germinação a V4 TS sistêmico; cultivares Bt Cry3Bb 
Percevejo-castanho Scaptocoris castanea Suga raízes; murchamento (confundido com deficiência nutricional) Qualquer fase; solos arenosos e Cerrado Sulco de plantio; TS tem eficiência limitada para essa espécie 

 

Como o tratamento de sementes protege a lavoura no período crítico 

O tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos é a estratégia com alto custo-benefício para a proteção de pragas iniciais no milho. Ao contrário de aplicações foliares, que são reativas e feitas quando a praga já está causando dano, o TS é preventivo e posicionado exatamente onde a planta está mais vulnerável: no período entre a germinação e o estabelecimento do sistema radicular e vascular. 

O mecanismo de ação dos inseticidas sistêmicos no TS é preciso: o princípio ativo é absorvido pelas raízes embrionárias durante a germinação e distribuído sistemicamente por todos os tecidos da plântula via xilema folhas, caule, ponto de crescimento. Quando um inseto suga a seiva ou mastiga os tecidos, ingere o inseticida e é eliminado antes de causar dano irreversível. Essa proteção cobre as primeiras 3 a 4 semanas após a emergência exatamente o período crítico V1 a V4. 

Os benefícios práticos do TS incluem: 

  • Estande uniforme e completo: sem falhas causadas por pragas iniciais, o arranjo de plantas é o ideal para expressar o potencial produtivo do híbrido 
  • Custo de proteção baixo: o TS representa um dos menores custos por hectare dentre todas as ferramentas de manejo, com retorno elevado quando evita perda de estande 
  • Proteção sistêmica total: cobre raízes, colmo, folhas e ponto de crescimento simultaneamente sem as limitações de cobertura das pulverizações foliares 
  • Compatibilidade com MIP: o TS protege a fase inicial e permite que as aplicações foliares sejam feitas somente quando o monitoramento indicar população acima do nível de controle preservando inimigos naturais e gerindo resistência 
  • Proteção contra pragas que não têm controle eficaz em outra via: lagarta-elasmo e larva-alfinete só têm controle eficiente com TS; sem ele, o produtor fica sem opção para essas pragas 

Cruiser® 350 FS: proteção sistêmica contra sugadores e pragas de solo 

Desenvolvido pela Syngenta, Cruiser® 350 FS é um inseticida sistêmico para tratamento de sementes formulado com Tiametoxam princípio ativo do grupo dos neonicotinoides, com propriedades lipo/hidrofílicas balanceadas que conferem excelente solubilidade em água e rápida absorção pelas raízes após a germinação. 

O modo de ação do Tiametoxam é específico: age como agonista dos receptores nicotínicos de acetilcolina do sistema nervoso dos insetos, causando hiperexcitação e morte. Por sua seletividade para o receptor de invertebrados (alta afinidade) versus mamíferos (baixíssima afinidade), é seguro para o operador e para animais de sangue quente, mantendo a qualidade fisiológica das sementes tratadas. 

Após absorção pelas raízes, o Tiametoxam é distribuído rapidamente pelo xilema para todos os tecidos da plântula, conferindo proteção prolongada especialmente contra insetos sugadores que se alimentam via floema como a cigarrinha-do-milho e o percevejo-barriga-verde. Os benefícios de Cruiser® 350 FS incluem: 

  • Controle eficiente do complexo de insetos sugadores: cigarrinha-do-milho, percevejo-barriga-verde, tripes e pulgões as pragas mais problemáticas no início do milho safrinha 
  • Efeito bioativador comprovado: o Tiametoxam apresenta efeito de promoção de crescimento que resulta em plantas mais vigorosas, com sistema radicular mais desenvolvido e maior tolerância a estresses abióticos 
  • Alta solubilidade e distribuição uniforme: garante que toda a plântula esteja protegida, não apenas o ponto de contato com a semente 
  • Seletividade às sementes: não compromete a germinação nem a qualidade fisiológica das sementes tratadas, mesmo quando aplicado e plantado em sequência 
  • Compatibilidade com fungicidas e biológicos no TS: pode ser associado com fungicidas e inoculantes no programa de tratamento de sementes, seguindo a ordem correta de aplicação 

FORTENZA® Vip Turbo: a solução completa para o milho safrinha 

Para produtores que buscam a proteção mais completa em uma única solução de TS, FORTENZA® Vip Turbo é a oferta comercial da Syngenta que combina: 

  • Fungicida: protege as sementes contra patógenos de solo e doenças iniciais como tombamento, fusariose e podridão de sementes 
  • Inseticida sistêmico: cobertura completa contra pragas abaixo e acima do solo lagarta-elasmo, larva-alfinete, percevejo barriga-verde, cigarrinha-do-milho 
  • Bioativador: estimula o crescimento e o arranque inicial, resultando em plantas mais vigorosas e uniformes desde a emergência 
  • Biotecnologia Agrisure VIPTERA®: proteção genética da planta contra o complexo Spodoptera e outras lagartas lepidópteras complementando a proteção do TS com defesa interna da planta 

Essa combinação transforma o TS de uma ferramenta de proteção em uma plataforma de estabelecimento e arranque da lavoura: a planta emerge protegida de pragas e doenças, com estímulo de crescimento e defesa genética. O resultado é estande uniforme, arranque inicial mais rápido e maior expressão do potencial produtivo do híbrido especialmente relevante no milho safrinha, onde o período vegetativo já é naturalmente curto. 

O tratamento de sementes dentro do Manejo Integrado de Pragas 

O TS é a primeira e mais eficiente linha de defesa, mas não substitui o monitoramento e o MIP potencializa-os. Com a lavoura bem estabelecida graças ao TS, o produtor pode: 

  • Monitorar com precisão: lavouras com estande completo e uniforme facilitam a avaliação de nível de infestação; sem falhas iniciais, é mais fácil distinguir dano novo de dano histórico 
  • Aplicar inseticidas foliares somente quando necessário: com o TS cobrindo V1-V4, as aplicações foliares pós-emergentes só são necessárias se o monitoramento indicar população acima do nível de controle após o término da ação residual do TS reduzindo o número de aplicações e a pressão de resistência 
  • Integrar controle biológico: para a cigarrinha-do-milho, inseticidas biológicos à base de fungos entomopatogênicos (como Isaria fumosorosea e Metarhizium anisopliae) podem ser utilizados em pulverizações foliares como complemento ao TS a combinação de químico + biológico é mais eficaz do que cada um isolado 
  • Respeitar o vazio sanitário: obrigatório em vários estados produtores, o período sem milho na propriedade é a medida mais eficaz para reduzir a população de cigarrinhas; associado ao TS, cria uma barreira dupla contra o vetor do enfezamentos 

Em um cenário com perspectivas positivas para área plantada, boas condições de plantio e expectativa de preços favoráveis ao milho safrinha, cada planta estabelecida tem valor direto no resultado da safra. O tratamento de sementes é o investimento preventivo com o melhor retorno: baixo custo de aplicação, proteção garantida no período mais crítico e base sólida para que o restante do manejo seja mais eficiente. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo que está acontecendo no campo.