Os preços do tomate e da batata puxaram para baixo a inflação de alimentos em julho e ajudaram a manter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) praticamente estável no mês. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador oficial da inflação brasileira teve alta de apenas 0,07%, resultado pressionado pela queda de 0,67% no grupo Alimentos e Bebidas. 

Tomate cai quase 30% com reforço da safra de inverno 

O tomate foi um dos itens que mais baratearam no mês, com deflação de 29,09%. O movimento está diretamente ligado à intensificação da safra de inverno, que voltou a abastecer o mercado com maior volume do fruto, segundo o acompanhamento de hortifrútis feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

As temperaturas mais baixas registradas nas últimas semanas também colaboraram para a queda: 

  • O frio deixa a maturação do tomate mais lenta; 
  • Isso dá ao produtor maior controle sobre o ritmo da colheita; 
  • O resultado é uma oferta mais organizada e concentrada em um curto período, pressionando os preços para baixo. 

Batata-inglesa recua quase 20%, mas ainda acumula alta no ano 

A batata-inglesa também registrou queda expressiva, de 19,59%, influenciada pela oferta elevada do tubérculo. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o tempo mais firme nas regiões produtoras permitiu que a colheita seguisse em ritmo normal, sem os entraves climáticos observados em outros períodos. 

A desvalorização, no entanto, não foi ainda maior por causa de um fator pontual: segundo atacadistas ouvidos pelo Cepea, a demanda ficou um pouco mais aquecida na semana em razão do início do mês e da volta às aulas. Mesmo com a queda mensal, a batata-inglesa segue com alta acumulada de 45,34% em 12 meses, o que mostra que o recuo recente ainda não foi suficiente para reverter a pressão de preços do último ano. 

Pepino também cai, mas com peso pequeno no indicador 

Entre as maiores quedas do mês está o pepino, com deflação de 33,42%. O movimento, porém, tem menor relevância para o resultado geral do IPCA: o item representa apenas 0,006% da cesta acompanhada pelo índice. A baixa funciona principalmente como uma correção após a forte alta registrada em maio, quando o produto havia subido 155,5%. 

Frutas puxam as principais altas do mês 

Do lado oposto, as frutas concentraram os maiores aumentos de preços entre os alimentos: 

  • Manga, com valorização de 14,74%, em um momento de oferta mais restrita, especialmente da variedade palmer, combinada com demanda aquecida; 
  • Limão, com alta de 10,59%, refletindo o fim da safra principal e condições climáticas atípicas para a época, o que mantém valorizados os lotes de melhor qualidade; 
  • Melancia, com aumento de 7,78%, associado a perdas na produção causadas por viroses e grande amplitude térmica, que provocaram rachaduras nas cascas e elevaram o descarte de frutas, segundo a Conab. 

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