Os preços dos hortifrutis caíram para vários produtos comercializados no atacado em agosto. Alface, cebola, batata e mamão registraram as principais reduções. O tomate seguiu a direção contrária e avançou 18,13% na média ponderada.
Os dados fazem parte do 9º Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento. O levantamento acompanha a comercialização nas principais Centrais de Abastecimento, as Ceasas, e mostra como oferta, clima e qualidade influenciaram as cotações.
Preços dos hortifrutis têm quedas acima de 10%
Entre as hortaliças, a alface apresentou a maior redução média no período. O preço caiu 14,8%. A cebola recuou 13,8%, enquanto a batata ficou 11,6% mais barata.
Nas frutas, o mamão liderou as quedas. A média ponderada diminuiu 10,9% em agosto. O aumento da oferta das variedades formosa e papaya ampliou a disponibilidade do produto nas centrais atacadistas.
As principais variações negativas foram:
- Alface: queda média de 14,8%;
- Cebola: redução de 13,8%;
- Batata: recuo de 11,6%;
- Mamão: baixa de 10,9%.
Batata fica mais barata em todas as Ceasas pesquisadas
O preço da batata caiu em todos os entrepostos monitorados pela Conab. A média nacional no atacado ficou em R$ 2,63 por quilo, após redução de 11,6% no mês.
O recuo ocorreu depois de uma sequência de altas iniciada em fevereiro. A maior disponibilidade do tubérculo ajudou a inverter esse movimento nos últimos dois meses.
As diferenças regionais ainda afetam os valores negociados. Frete, origem do produto, qualidade e volume disponível influenciam a cotação em cada central de abastecimento.
Cebola recua em nove dos dez mercados analisados
A cebola ficou mais barata em nove das dez Ceasas pesquisadas. A redução média de 13,8% colocou o produto entre os destaques de baixa do mês.
A oferta permaneceu relativamente estável em relação a julho. No entanto, houve mudanças entre as principais regiões produtoras. Minas Gerais e São Paulo responderam, juntos, por cerca de metade do volume comercializado nas centrais avaliadas.
Essa concentração torna o mercado sensível ao ritmo de colheita e envio desses estados. Mudanças na disponibilidade regional podem alterar rapidamente os preços pagos no atacado.
Safra de inverno ajuda a reduzir preço da alface
A oferta de alface caiu 4,3% em agosto na comparação com julho. Mesmo assim, o volume da safra de inverno foi suficiente para atender à demanda.
Com produto disponível nas centrais, os preços perderam força. A média ponderada recuou 14,8%, a maior queda entre as hortaliças acompanhadas.
As chuvas em algumas regiões produtoras influenciaram a maturação e a colheita. Ainda assim, o abastecimento permaneceu suficiente para sustentar o movimento de baixa.
Tomate sobe com redução da oferta
O tomate foi a única hortaliça analisada que apresentou alta expressiva na maior parte dos entrepostos. O preço médio avançou 18,13% em agosto.
A valorização ocorreu após o pico da safra de inverno. Com menos frutos disponíveis, os compradores enfrentaram maior concorrência pelos lotes ofertados.
As condições climáticas também interferiram na maturação. Esse efeito reduziu o ritmo de entrada do produto nas Ceasas e reforçou a pressão sobre as cotações.
A cenoura teve comportamento mais estável. Após a queda observada em julho, o preço médio registrou alta moderada de 0,86% em agosto.
Mamão lidera baixas entre as frutas
O mamão ficou mais barato em 70% dos entrepostos monitorados. A redução média de 10,9% refletiu o aumento da oferta das variedades formosa e papaya.
A melancia também recuou, com queda de 3,24%. A maior disponibilidade da fruta ajudou a reduzir os preços, especialmente nas regiões produtoras acompanhadas pelo levantamento.
A laranja encerrou agosto com baixa de 0,95%. O aumento da oferta nas centrais atacadistas ampliou a disponibilidade tanto para o atacado quanto para o varejo.
Banana e maçã encerram agosto em alta
Nem todas as frutas seguiram a tendência de queda. A banana avançou 4,32% na média ponderada, apesar de ter ficado mais barata em seis das dez Ceasas analisadas.
A diferença mostra que o volume e o peso de cada mercado influenciam o resultado nacional. Oscilações na oferta, na demanda e na qualidade das frutas também mudaram a composição dos preços ao longo do mês.
A maçã registrou valorização média de 2,72%. Segundo a Conab, o consumo gradual dos estoques mantidos em câmaras frias e o aumento da comercialização contribuíram para o movimento.
A produtividade elevada da safra 2025/2026 ampliou a oferta de maçãs fuji e gala. Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentraram parte importante desse volume.
Variações no atacado podem chegar ao varejo em ritmos diferentes
A queda de preços nas Ceasas pode favorecer valores menores em feiras, mercados e supermercados. Esse repasse, porém, não ocorre de forma imediata ou uniforme.
Custos de transporte, perdas, armazenagem e margens comerciais interferem no preço final. Por isso, o consumidor pode encontrar diferenças relevantes entre cidades e canais de venda.
Nos próximos levantamentos, o mercado deverá acompanhar a entrada das novas safras e os efeitos do clima sobre a oferta. Esses fatores serão decisivos para definir se as quedas continuarão ou se haverá recuperação das cotações.
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