As exportações do complexo soja chegam à reta final do terceiro trimestre de 2026 com resultados superiores aos do ano passado. Entre janeiro e agosto, o Brasil embarcou 111,7 milhões de toneladas de soja em grão, farelo e óleo, alta de 8% sobre o mesmo período de 2025. Como setembro ainda não está consolidado nos dados divulgados, o acumulado até agosto funciona como o retrato mais recente do comércio exterior do setor antes do fechamento do trimestre.
O crescimento foi ainda maior em receita. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), as vendas brasileiras do complexo movimentaram US$ 47,54 bilhões nos oito primeiros meses do ano, 17% acima do resultado registrado no mesmo intervalo de 2025.
A diferença entre o avanço do faturamento e o aumento do volume indica que o país obteve maior valor médio por tonelada exportada no período. Para a cadeia produtiva, o resultado reforça o peso da demanda externa justamente quando o calendário se aproxima do encerramento do terceiro trimestre e o mercado começa a avaliar o desempenho acumulado de 2026.
Exportações do complexo soja sustentam avanço antes do fim do trimestre
O volume exportado pelo Brasil passou de 103 milhões de toneladas, entre janeiro e agosto de 2025, para 111,7 milhões de toneladas no mesmo período deste ano. O acréscimo de 8,7 milhões de toneladas mostra que os embarques seguiram firmes ao longo de 2026 e chegaram ao último mês do trimestre com vantagem relevante na comparação anual.
A soja em grão continua determinante para esse resultado. Na composição aproximada do complexo exportador:
- O grão concentra cerca de 83% do volume embarcado;
- O farelo responde por aproximadamente 16%;
- O óleo representa pouco mais de 1% do total.
Embora grão, farelo e óleo tenham participações diferentes, a leitura conjunta permite acompanhar tanto a saída da matéria-prima quanto o desempenho dos produtos processados. Essa composição ganha importância porque o crescimento dos derivados pode ampliar o valor gerado pela cadeia mesmo quando sua participação no volume total é menor.
Paraná supera resultado de 2025 em volume e faturamento
No Paraná, os embarques do complexo soja somaram 11,67 milhões de toneladas até agosto, crescimento de 4% na comparação com os oito primeiros meses de 2025. O estado respondeu por pouco mais de 10% do volume nacional exportado no período e manteve participação relevante na pauta brasileira.
A receita paranaense chegou a US$ 5,2 bilhões, alta de 13% em relação ao ano anterior. Assim como ocorreu no resultado nacional, o faturamento cresceu mais que o volume. O movimento indica melhora no valor médio das operações e ajuda a colocar o estado em uma posição favorável na aproximação do fechamento trimestral.
A expansão paranaense, porém, teve dinâmica diferente da média do país. Enquanto o Brasil avançou 8% em volume, o Paraná cresceu 4%. Em contrapartida, um produto específico ganhou espaço e contribuiu de forma expressiva para o resultado estadual: o óleo de soja.
Óleo de soja assume protagonismo no crescimento paranaense
Os embarques paranaenses de óleo de soja alcançaram 563,95 mil toneladas entre janeiro e agosto de 2026, ante 380,36 mil toneladas no mesmo período de 2025. Foram 183,59 mil toneladas adicionais, o equivalente a uma expansão de 48% em volume.
Em valor, o crescimento chegou a 68%, ritmo superior ao aumento da quantidade exportada. Dessa forma, mesmo representando uma parcela pequena do complexo soja, o óleo se tornou o principal destaque da pauta estadual no período e ajudou a elevar o faturamento do Paraná.
O avanço chama atenção para o papel do processamento na cadeia. A exportação de derivados cria alternativas comerciais além do grão e pode ampliar o valor agregado da produção. No balanço parcial de 2026, essa contribuição ficou mais visível no Paraná, onde o óleo teve desempenho muito acima da expansão geral do complexo.
Demanda chinesa segue central para o desempenho do Paraná
A China permanece como o principal destino da soja paranaense e, historicamente, absorve cerca de 60% do volume exportado pelo estado. Essa participação mantém o mercado chinês no centro das decisões comerciais e do acompanhamento feito por produtores, cooperativas, indústrias e exportadores.
A concentração reforça a importância das compras chinesas para a manutenção do ritmo de embarques. Ao mesmo tempo, o crescimento do óleo de soja mostra que a diversificação por produtos também pode influenciar o resultado, abrindo espaço para mercados interessados em derivados e não apenas na matéria-prima.
Balanço até agosto antecipa cenário positivo para o fechamento trimestral
Às vésperas do fim de setembro, os dados disponíveis ainda não permitem calcular o resultado completo do terceiro trimestre. Mesmo assim, o acumulado até agosto revela uma base positiva: crescimento de volume e receita no Brasil, avanço das vendas paranaenses e forte expansão do óleo de soja no estado.
O desempenho de setembro definirá o balanço fechado do trimestre, mas não altera o fato de que, até o último dado consolidado, o complexo soja operava acima dos níveis de 2025. A próxima atualização permitirá verificar se essa vantagem foi mantida e qual foi a contribuição de cada produto para o resultado de janeiro a setembro.
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