A moagem de cana no Centro-Sul somou 69,791 milhões de toneladas em junho da safra 2026/27, um volume 14,50% menor do que o processado no mesmo mês da safra 2025/26, quando as usinas haviam esmagado 81,622 milhões de toneladas. Os números fazem parte do levantamento mensal divulgado em julho de 2026 pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e confirmam um ritmo de início de safra mais lento em relação ao ciclo anterior. 

Apesar da queda no volume processado, a qualidade da matéria-prima que chegou às usinas melhorou. Isso ajudou a segurar parte do impacto da menor moagem sobre a produção de açúcar e de etanol, embora não tenha sido suficiente para evitar o recuo na produção do adoçante. 

Menos cana, mas de melhor qualidade 

Segundo a Unica, o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) da cana processada em junho chegou a 141,68 quilos por tonelada, alta de 2,91% frente ao mesmo mês da safra passada. O indicador mede a quantidade de açúcar disponível na cana e costuma refletir tanto as condições climáticas quanto o estágio de maturação da lavoura. 

Ao fim de junho, o parque industrial do Centro-Sul contava com 255 unidades em operação, divididas da seguinte forma: 

  • 235 usinas com processamento de cana-de-açúcar 
  • 11 empresas dedicadas à produção de etanol de milho 
  • 9 unidades flex, capazes de operar com as duas matérias-primas 

Produção de açúcar recua mais de 26% 

Mesmo com o ATR mais elevado, a produção de açúcar no Centro-Sul somou 3,903 milhões de toneladas em junho, queda de 26,33% em relação ao mesmo mês da safra 2025/26. O resultado indica que as usinas destinaram proporcionalmente menos cana à produção do adoçante, priorizando o etanol no mix de produção do período. 

Etanol cresce e amplia fatia na moagem de cana no Centro-Sul 

Na contramão do açúcar, a produção de etanol avançou 2,47% na comparação anual, totalizando 3,796 bilhões de litros em junho. O resultado foi puxado principalmente pelo etanol anidro, que somou 1,536 bilhão de litros, alta de 8,06%. Já o etanol hidratado, tradicionalmente mais ligado ao consumo direto nos postos, teve leve recuo de 1,00%, fechando o mês em 2,260 bilhões de litros. 

Esse movimento fica ainda mais claro quando se observa a destinação da cana processada: 

  • 58,57% da matéria-prima foi direcionada à produção de etanol em junho de 2026/27 
  • 50,51% era o percentual equivalente em junho de 2025/26 

A diferença de mais de oito pontos percentuais confirma que as usinas do Centro-Sul optaram por priorizar o biocombustível em detrimento do açúcar neste início de safra. 

Etanol de milho segue ganhando espaço 

Outro destaque do levantamento da Unica é o avanço do etanol de milho na matriz de produção do Centro-Sul. Em junho, o cereal respondeu por 20,98% de todo o etanol produzido na região, com um volume de 796,13 milhões de litros, alta de 8,40% sobre igual período do ano passado. 

O crescimento contínuo desse segmento reforça uma tendência observada nas últimas safras: o etanol de milho deixou de ser um nicho regional, concentrado principalmente no Centro-Oeste, e passou a ganhar peso cada vez maior no balanço energético do setor sucroenergético brasileiro. 

O que os números indicam para a safra 2026/27 

Os dados de junho traçam um cenário de transição para a safra 2026/27: menos cana moída, menos açúcar produzido, mas mais etanol saindo das usinas, tanto o de cana quanto o de milho. Se essa tendência se mantiver nos próximos meses, o setor pode fechar o ciclo com um mix de produção ainda mais inclinado ao biocombustível, em um momento de demanda aquecida por etanol no mercado interno. 

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