A continuidade da queda da Bolsa de Chicago, com recuo das cotações e desvalorização do real frente ao dólar, desacelera a movimentação no mercado de soja e milho brasileiros, segundo dados do Safras e Mercado. O milho brasileiro sofreu queda nos preços na primeira semana de julho, uma vez que consumidores apresentam baixa demanda diante dos riscos de recessão. No mesmo período, a commodity de soja teve queda de até 5,67%.

Entenda o cenário de produção e produtividade e os dados do mercado para ambas as culturas.

Produção, produtividade e mercado da soja

A safra 2021/22 de soja no Brasil se encerrou, com a finalização do processo de colheita durante a primeira quinzena de junho. Apesar do aumento de 5,5% de área plantada, a média de produtividade nacional caiu 13,7% (51,2 scs/ha) em relação ao ciclo anterior, segundo boletim do Rally da Safra divulgado em 22 de junho.

Especialistas avaliam que a performance brasileira nesta safra de soja foi satisfatória diante dos desafios de produção enfrentados pelos produtores, que tiveram que lidar com as instabilidades climáticas desde o plantio até a colheita.

O balanço deste fim de ciclo indica que, não fossem as altas tecnologias e o amplo conhecimento dos sojicultores em relação ao manejo, os prejuízos poderiam ter sido muito maiores frente à crise hídrica, às quedas de temperatura causadas pelas frentes frias e aos impactos do fenômeno La Niña no início do ano.

Assim, o Brasil continua demonstrando a capacidade do seu potencial produtivo, mantendo-se competitivo na produção e na comercialização frente à cadeia global de soja.

Os números do mercado continuam oscilando. No que se refere à exportação, há grande preocupação em relação à inflação mundial. A semana do dia 04/07 fechou com acentuada queda na média das cotações de soja na Bolsa de Chicago. No entanto, atrasos na safra estadunidense aumentaram a demanda chinesa pela soja em grão.

No mercado interno, há grande variação entre os preços regionais, que refletem a diferença de oferta entre as diferentes regiões produtoras no Brasil.

No Maranhão, que teve uma produtividade média de 57,6 scs/ha (+5%) de acordo com o Rally da Safra, o preço da saca de 60 kg estava R$ 168,00 em 06/07, na cidade de Balsas, conforme dados de cotação da soja do Canal Rural.

Cascavel, no Paraná (Estado que rendeu uma média de 37,4 scs/ha, equivalente a uma queda de 39%), apresentava uma cotação de R$ 185,50 na mesma data. Em Mato Grosso do Sul, os números são 44 scs/ha (-25%) e R$ 173,00 por saca em Dourados. O preço da saca em Passo Fundo (RS) estava em R$ 188,00 na data de referência, representando o Estado cuja produtividade média resultou em 26,6 scs/ha (-54%).

Mato Grosso teve um incremento de 5% na produtividade (60,7 scs/ha), com preço de R$ 169,50. Em Goiás, com uma produtividade de 66,3 scs/ha (+8%), o Estado apresentava valor de R$ 167,00. São Paulo apresentava R$ 185,00 e 59,6 scs/ha (+0,2%). Em Tocantins, houve um incremento de 6% na produtividade (58 scs/ha), com preço de R$ 169,50.

Dados dos indicadores de soja do CEPEA informam ainda que a média prevista no dia 06 de julho na variação mensal da soja no Porto de Paranaguá, umas das principais saídas do grão para exportação, foi de -3,51%, com significativas alterações diárias nos preços.

Produção, produtividade e mercado do milho safrinha

Os produtores de milho segunda safra avançam as operações de colheita nas principais regiões produtoras do Brasil, com um total de 28% de área colhida até 2 de julho, segundo a Conab. O Rally da Safra indicou uma estimativa de aumento de 32% na produtividade total nacional na safra 21/22 de milho safrinha, totalizando uma média prevista de 90,8 scs/ha.

As estimativas são de recorde de produção. Essa previsão em muito se deve ao incremento de 10,5% na área plantada. O cenário do mercado de milho, por outro lado, não foi tão promissor na segunda quinzena de junho, com preços internos pressionados pela entrada do safrinha no mercado.

Os indicadores da Esalq apontam ainda uma variação anual de -5,54%, considerando os preços em reais para as sacas de 60 kg, de acordo com o levantamento da conjuntura do milho de 20 a 24/06/2022, publicado pela Conab.

Diante da retração nas aquisições, os preços seguem em queda, com uma cotação entre R$ 86,00 e 89,00 a saca no Porto de Paranaguá.

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