A área de trigo no Rio Grande do Sul deve cair 31,3% em relação ao ciclo anterior, passando de 1,156 milhão para 794 mil hectares, de acordo com o 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado na semana passada pela Companhia Nacional de Abastecimento. A produção estadual também deve recuar de forma expressiva, saindo de 5,582 milhões para 2,324 milhões de toneladas, queda de 35,1%.
Além da retração no plantio, o clima aparece como fator de atenção adicional para o desempenho da lavoura nesta safra.
Chuvas frequentes elevam o risco para a lavoura de trigo no Rio Grande do Sul
O volume elevado de chuvas tem dificultado o manejo das lavouras gaúchas neste ciclo. Combinada à menor incidência de sol e a temperaturas mais amenas, essa condição tende a favorecer o surgimento de doenças, o que aumenta a preocupação com o desempenho final das plantações.
Levantamentos de campo indicam ainda que:
- As temperaturas mais altas anteciparam o desenvolvimento das plantas, acelerando fases como o crescimento do colmo, o espigamento e o início do florescimento em parte das áreas cultivadas
- Nas regiões com mais chuva, menor incidência solar e maior nebulosidade, as plantas apresentam alongamento acima do esperado, perda de coloração nas folhas e, em alguns casos, desenvolvimento vegetativo abaixo do potencial, associado também à perda de nitrogênio do solo
- A umidade elevada favorece o aparecimento de manchas nas folhas, o que reforça a necessidade de monitoramento fitossanitário justamente na fase de florescimento, período de maior risco para a giberela
- A presença de insetos-praga segue baixa, e o quadro sanitário geral é considerado satisfatório
Mercado opera com cautela à espera de definições sobre a safra
Enquanto produtividade e qualidade da nova safra ainda não estão totalmente definidas, vendedores têm mantido suas posições de preço, o que resulta em um mercado de baixa movimentação, mas com cotações estáveis.
A oferta reduzida de grãos de melhor qualidade tem sustentado os preços, ainda que a cautela dos moinhos limite o volume de negócios fechados. No Rio Grande do Sul, as referências de preço ficaram entre R$ 1.300 e R$ 1.350 por tonelada na semana passada, variando conforme a região e a qualidade do produto.
Os lotes de padrão superior seguem com preços mais firmes, enquanto os grãos com especificações inferiores enfrentam maior dificuldade de comercialização.
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