O mosaico da soja é uma virose capaz de comprometer o desenvolvimento das plantas, a formação de vagens e a qualidade dos grãos. Como não existe solução capaz de eliminar o vírus de uma planta infectada, o manejo depende principalmente de sementes sadias, cultivares resistentes, monitoramento e redução das fontes de inóculo. 

Ficha rápida do mosaico da soja 

Agente causal SMV (Soybean mosaic virus), vírus do mosaico da soja 
Classificação Família Potyviridae, gênero Potyvirus 
Transmissão Por sementes infectadas (inóculo primário) e por pulgões, de forma não persistente (disseminação na lavoura) 
Sintomas e danos  Mosaico foliar, bolhosidade, encarquilhamento, nanismo, redução de vagens e manchas no tegumento dos grãos 
Soluções Sementes certificadas e sadias, cultivares resistentes, eliminação precoce de plantas sintomáticas e de plantas voluntárias de soja 

Principais pontos 

  • O mosaico da soja é causado pelo vírus SMV. 
  • A semente infectada é uma das principais fontes de entrada do vírus na lavoura. 
  • Pulgões transmitem o vírus rapidamente durante as picadas de prova. 
  • O controle químico dos pulgões não impede, sozinho, a transmissão não persistente. 
  • Mosaico, bolhosidade e encarquilhamento das folhas estão entre os sintomas mais frequentes. 
  • Manchas próximas ao hilo podem ocorrer, mas não confirmam a presença do vírus. 
  • O diagnóstico laboratorial ajuda a diferenciar o SMV de outras viroses, deficiências nutricionais e injúrias. 
  • Não existe produto que cure uma planta infectada. O manejo deve ser preventivo. 

O que é o mosaico da soja e qual é o agente causador? 

O mosaico da soja é uma doença causada pelo vírus do mosaico da soja, ou SMV, sigla derivada de Soybean mosaic virus.  Em 2023, o ICTV (International Committee on Taxonomy of Viruses) adotou a nomenclatura binomial para espécies virais e o nome da espécie passou a ser Potyvirus glycitessellati O agente pertence ao gênero Potyvirus e afeta a soja, Glycine max, em diferentes regiões produtoras. 

A doença faz parte do grupo de problemas que podem gerar manchas, deformações e alterações no desenvolvimento da cultura. Por isso, sua identificação deve ser considerada durante o diagnóstico das diferentes doenças da soja. 

Como o vírus se distribui nas regiões produtoras? 

O SMV está presente nas principais regiões de produção de soja. A intensidade da doença pode variar conforme a cultivar, a estirpe do vírus, o momento da infecção, a presença de sementes contaminadas e a presença de pulgões na área. 

Infecções ocorridas no início do ciclo tendem a causar efeitos mais severos, pois interferem no crescimento da planta por mais tempo. Quando a infecção acontece em estádios posteriores, os sintomas e os efeitos sobre a produção podem ser menos evidentes. 

Com o avanço do melhoramento genético, grande parte das cultivares comerciais passou a apresentar resistência ao SMV. Ainda assim, cultivares suscetíveis e lotes de sementes de baixa qualidade sanitária mantêm o risco de ocorrência da doença. 

Por que o mosaico da soja é difícil de controlar? 

Os vírus se multiplicam dentro das células da planta. Por esse motivo, fungicidas não controlam o mosaico da soja. Uma planta infectada permanece como fonte de vírus durante o ciclo. 

Outro desafio é a velocidade de transmissão. O pulgão pode adquirir o vírus em uma planta doente e transmiti-lo para uma planta sadia em poucos segundos. Além disso, os sintomas variam entre cultivares e podem ser confundidos com deficiências nutricionais, deriva de herbicidas e outras viroses. 

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Como identificar o mosaico da soja no campo? 

A observação dos sintomas é o primeiro passo, mas não deve ser utilizada isoladamente para fechar o diagnóstico. A expressão da doença varia conforme a genética da cultivar, a temperatura, o estádio da planta e a estirpe viral. 

De acordo com a Embrapa Soja, em sua publicação “Viroses da soja no Brasil: sintomas, etiologia e controle”, plantas infectadas podem apresentar mosaico, encarquilhamento, bolhas no limbo foliar, enrolamento das bordas e redução do desenvolvimento. 

Quais são os sintomas nas folhas? 

O sintoma mais característico é o mosaico clorótico, formado pela alternância irregular de áreas verde-claras e verde-escuras. O desenho pode lembrar um mapa distribuído pela lâmina foliar. 

  • bolhosidade e superfície foliar irregular; 
  • encarquilhamento ou enrugamento das folhas; 
  • enrolamento das bordas para baixo; 
  • redução do tamanho do limbo foliar; 
  • amarelecimento, principalmente em infecções precoces; 
  • deformação dos folíolos. 

A intensidade desses sintomas não é uniforme. Em determinadas condições de temperatura, plantas infectadas podem apresentar sintomas discretos ou temporariamente mascarados. 

Quais são os sintomas nas plantas, vagens e grãos? 

Plantas infectadas cedo podem apresentar nanismo, hastes mais finas e internódios curtos. A redução do crescimento interfere na formação das estruturas reprodutivas e pode resultar em menos vagens ou menor quantidade de grãos. 

Nas sementes, pode surgir uma pigmentação marrom ou preta que começa no hilo e se espalha pelo tegumento. Essa alteração também é chamada de mancha-café ou mosqueado do tegumento. 

Entretanto, a aparência da semente não confirma o diagnóstico. Uma semente manchada pode não carregar o vírus, enquanto uma semente sem alterações visíveis pode estar infectada. 

Como diferenciar o mosaico de deficiências nutricionais? 

A deficiência de manganês costuma causar clorose internerval nas folhas mais novas, com as nervuras permanecendo verdes, mas geralmente sem a bolhosidade típica das viroses. A deficiência de magnésio aparece primeiro nas folhas mais velhas. 

Injúrias causadas por herbicidas e outras viroses podem produzir deformações semelhantes. Por isso, a distribuição dos sintomas na parte área da planta, o histórico da lavoura e a avaliação de plantas inteiras devem ser considerados. 

Quando houver dúvida, amostras de folhas devem ser encaminhadas a um laboratório especializado. Testes sorológicos, como o DAS-ELISA (Double Antibody Sandwich – Enzyme-Linked Immunosorbent Assay), e métodos moleculares, como o RT-PCR (Reverse Transcription – Polymerase Chain Reaction),podem confirmar a presença do SMV. 

Como o SMV é transmitido? 

A epidemia começa, em geral, com plantas originadas de sementes infectadas. Essas plantas funcionam como fontes iniciais do vírus. Quando pulgões visitam esses focos, podem transportar o SMV para outras plantas e ampliar a incidência doença na lavoura. 

Como ocorre a transmissão não persistente por pulgões? 

Na transmissão não persistente, o vírus fica temporariamente associado ao estilete do pulgão, estrutura utilizada pelo inseto para perfurar os tecidos vegetais. A aquisição acontece durante picadas superficiais de prova e pode levar apenas alguns segundos. 

Ao deixar a planta infectada e pousar em uma planta sadia, o pulgão pode transmitir o vírus antes de iniciar uma alimentação prolongada. Entre os vetores relatados no Brasil estão espécies como Aphis craccivora e Myzus persicae, que visitam a lavoura sem se estabelecer nela. 

Pulgões sobre folha de soja: um adulto alado escuro e uma forma áptera verde-clara, vetores do vírus do mosaico

O monitoramento e o manejo integrado de pragas da soja continuam importantes, mas o controle do vetor não deve ser tratado como medida isolada contra a virose. 

Como ocorre a transmissão por sementes? 

A semente infectada é uma fonte importante de inóculo primário porque introduz o vírus já no estabelecimento da lavoura. A planta que nasce infectada torna-se um foco para a transmissão secundária realizada pelos pulgões. 

A taxa de transmissão varia conforme a cultivar, a estirpe viral e o momento em que a planta-mãe foi infectada. Por isso, não é correto estimar a sanidade do lote apenas pela aparência dos grãos. 

O uso de sementes certificadas, com origem conhecida e controle de qualidade, reduz o risco de introdução do SMV. Em lotes considerados suspeitos, a análise laboratorial pode apoiar a tomada de decisão antes da semeadura. 

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Como prevenir e manejar o mosaico da soja? 

Como não há cura para plantas infectadas, o manejo precisa combinar diferentes medidas preventivas. As ações devem começar na escolha das sementes e continuar durante todo o desenvolvimento da cultura. 

Por que utilizar sementes certificadas e sadias? 

A qualidade sanitária das sementes é uma das primeiras barreiras contra o mosaico da soja. Deve-se evitar o uso de sementes salvas de áreas com histórico da doença, pois elas podem carregar o vírus para a safra seguinte. 

O produtor deve conhecer a origem do lote, consultar as informações do fornecedor e, quando houver risco identificado, buscar orientação sobre testes específicos. O tratamento de sementes de soja protege contra determinados insetos e patógenos previstos em bula, mas não elimina o SMV de uma semente infectada. 

Como a resistência genética ajuda no manejo? 

Cultivares resistentes ou menos suscetíveis reduzem a multiplicação do vírus e a formação de focos na lavoura. Antes da escolha, é necessário consultar os descritores técnicos da cultivar e verificar sua reação ao SMV para a região de cultivo. 

A resistência genética deve ser combinada ao uso de sementes sadias e ao monitoramento. A resposta também pode variar entre estirpes do vírus, portanto nenhuma medida deve ser adotada de forma isolada. 

O que é a eliminação de plantas doentes (roguing) e quando realizar? 

A eliminação de plantas doentes, conhecida como roguing, consiste na identificação e retirada de plantas com sintomas da área cultivada. A prática pode ser útil no início do ciclo, principalmente quando a incidência é baixa e os focos estão localizados. 

As inspeções devem começar nas primeiras semanas após a emergência. As plantas suspeitas precisam ser removidas com cuidadoe destinadas conforme as orientações técnicas e ambientais aplicáveis à propriedade. 

Em áreas extensas ou com alta incidência, o roguing pode se tornar operacionalmente inviável. Nesses casos, o diagnóstico do problema deve orientar o planejamento da safra seguinte. 

Qual é o papel do manejo dos pulgões? 

O monitoramento dos pulgões ajuda a compreender a pressão de vetores e a evolução da virose, mas a presença do inseto não deve ser analisada separadamente das fontes de vírus. 

Produtos registrados para controle de pulgões podem reduzir populações conforme as indicações de bula, porém não impedem, de forma isolada, a transmissão não persistente. Tratamentos de sementes com ação inseticida também não são importantes para o controle de pragas iniciais, mas não corrigem a presença do vírus dentro da semente. 

Estratégias complementares para reduzir a transmissão não persistente, estudadas em outros sistemas de cultivo, não possuem indicação registrada para a soja no Brasil. 

Quais práticas complementam a prevenção? 

Além das sementes sadias, da resistência genética e do roguing, o manejo deve incluir: 

  • Eliminação de plantas voluntárias de soja (soja tiguera), daninhas e outras fontes de inóculo, conforme orientação agronômica; 
  • Inspeção frequente da lavoura; 
  • Registro dos locais onde os sintomas aparecem; 
  • Confirmação laboratorial de casos suspeitos; 
  • Planejamento do manejo para a safra seguinte. 

O objetivo é reduzir o número de plantas infectadas que podem servir de fonte para a disseminação do vírus. 

A Syngenta ao lado do produtor de soja 

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Perguntas frequentes  

1. O que causa o mosaico da soja? 

O mosaico da soja é causado pelo vírus SMV, pertencente ao gênero Potyvirus. Ele se multiplica nos tecidos da planta e pode afetar folhas, crescimento, vagens e sementes. Como os defensivos utilizados contra fungos não atuam sobre vírus, o manejo da doença depende principalmente de prevenção. 

2. Quais são os primeiros sintomas do mosaico da soja? 

Os primeiros sinais incluem áreas irregulares verde-claras e verde-escuras nas folhas, bolhosidade, encarquilhamento e redução do tamanho dos folíolos. Plantas infectadas cedo também podem apresentar crescimento reduzido. Como esses sintomas se confundem com outros problemas, o diagnóstico visual deve ser confirmado por análise laboratorial. 

3. O mosaico da soja é transmitido pela semente? 

Sim. A semente infectada pode originar uma planta que já emerge com o vírus e funciona como fonte de inóculo na lavoura. A taxa de transmissão varia entre cultivares e estirpes virais. Por isso, é recomendável utilizar sementes certificadas, de origem conhecida e com controle de qualidade sanitária. 

4. Todo grão com mancha no hilo está infectado? 

Não. A pigmentação marrom ou preta próxima ao hilo pode estar associada ao mosaico, mas também depende da cultivar e de outros fatores. Sementes infectadas podem não apresentar manchas. Portanto, a avaliação visual do tegumento não substitui testes sorológicos ou moleculares realizados em laboratório. 

5. O uso de inseticidas impede a transmissão do vírus pelos pulgões? 

Não necessariamente. Na transmissão não persistente, o pulgão pode adquirir e transmitir o vírus durante picadas rápidas, antes que o inseticida provoque sua morte. O manejo dos vetores pode reduzir populações, mas precisa ser combinado com sementes sadias, resistência genética e eliminação das fontes de vírus. 

6. Existe cura para uma planta com mosaico da soja? 

Não existe tratamento capaz de retirar o SMV de uma planta infectada. Quando a incidência é baixa, a remoção precoce das plantas sintomáticas pode diminuir as fontes de inóculo. Para as próximas safras, o foco deve estar em sementes sadias, cultivares resistentes e eliminação de plantas voluntárias.Diante de sintomas de mosaico, o produtor deve registrar o local de ocorrência, avaliar a distribuição das plantas afetadas e coletar amostras para diagnóstico. A confirmação evita que deficiências nutricionais, injúrias por herbicidas ou outras viroses sejam tratadas como SMV.