O uso de inseticidas biológicos para o controle do pulgão-verde-dos-cereais é uma resposta direta à crescente pressão que essa praga representa para a produtividade e a rentabilidade dos cereais de inverno no Brasil.
Consolidado como uma das ameaças mais desafiadoras para culturas, como trigo, cevada e aveia, o Schizaphis graminum se destaca por sua alta capacidade reprodutiva e pelo severo impacto econômico que pode causar, não apenas pelo dano visível nas plantas, mas principalmente por sua capacidade de transmitir viroses devastadoras.
Essa realidade impulsiona a necessidade de uma evolução no manejo fitossanitário, adotando soluções que sejam não apenas eficazes, mas também sustentáveis e perfeitamente alinhadas aos preceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP).
É nesse contexto que o controle biológico, especialmente os inseticidas biológicos, se destacam como uma ferramenta estratégica. Eles representam um avanço fundamental para o manejo de pragas dos cerais.
Este conteúdo é um guia completo que explora os danos causados pelo pulgão-verde-dos-cereais, detalha o funcionamento dos inseticidas biológicos e apresenta como essa solução inovadora pode ser aplicada no campo para alcançar uma lavoura mais protegida, rentável e sustentável.
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Pulgão-verde-dos-cereais (Schizaphis graminum): conheça a praga que ameaça a produtividade dos cereais
Para alcançar uma safra de alta produtividade em cereais de inverno, o produtor precisa estar atento aos desafios que surgem no campo.
Dentre eles, o pulgão-verde-dos-cereais se destaca como uma das principais pragas, presente em praticamente todas as regiões produtoras de cereais do Brasil.
Sua correta identificação e o entendimento de sua biologia são o primeiro passo para um manejo eficiente e para a proteção do investimento realizado na lavoura.
Identificando o pulgão-verde-dos-cereais
O pulgão-verde-dos-cereais, da espécie Schizaphis graminum (sin. Rhopalosiphum graminum), é um inseto pequeno, com tamanho que varia de 1,5 a 3,0 mm, corpo mole e formato de pera (piriforme).
Sua característica mais marcante, que auxilia na identificação, é a coloração verde-clara brilhante, com uma linha longitudinal verde mais escura no dorso e antenas com pontas pretas.
Detalhe da cabeça (A), sifúnculos (B) e aspecto geral do adulto áptero (C) do pulgão-verde-dos-cereais Schizaphis graminum (sin. Rhopalosiphum graminum). Fonte: PEREIRA et al., 2009.
Esses pulgões vivem em colônias compostas por fêmeas adultas (aladas e ápteras) e ninfas de diferentes tamanhos.
Geralmente, as primeiras infestações ocorrem logo após a emergência da cultura, com os pulgões se estabelecendo nas folhas mais baixas e no colmo das plantas.
À medida que a planta se desenvolve e a população da praga aumenta, eles migram para as partes superiores, incluindo as folhas bandeira e as espigas, em busca de tecidos mais jovens e tenros para se alimentarem.
Biologia e reprodução do Schizaphis graminum
O grande perigo do Schizaphis graminum reside em sua poderosa biologia, que permite explosões populacionais em um curto espaço de tempo.
Em condições favoráveis, a reprodução ocorre por partenogênese telítoca, um processo assexuado em que as fêmeas geram clones de si mesmas, sem a necessidade de machos.
Uma única fêmea pode originar até 10 ninfas por dia e o ciclo de vida do pulgão-verde-dos-cereais pode se completar em apenas uma semana, resultando em uma multiplicação exponencial dessa praga na lavoura.
As condições climáticas ideais para sua proliferação são temperaturas amenas, entre 18 °C e 25 °C, e períodos de pouca chuva ou estiagem.
Essa combinação de fatores cria um cenário particularmente perigoso. O clima seco e frio, comum durante o ciclo dos cereais de inverno no Sul do Brasil, não apenas favorece a reprodução acelerada do pulgão, como também impõe um estresse hídrico à cultura.
Uma planta estressada torna-se mais vulnerável aos danos desse pulgão, amplificando o impacto de cada indivíduo da praga.
Assim, as condições que favorecem a explosão das populações do pulgão são as mesmas que tornam a lavoura mais suscetível, criando um cenário preocupante para perdas de produtividade significativas.
Prejuízos causados pelo pulgão-verde-dos-cereais: da sucção de seiva à transmissão de viroses
Os danos causados pelo pulgão-verde-dos-cereais são severos e se manifestam de duas formas principais: os danos diretos, resultantes da sua alimentação, e os danos indiretos, que representam a ameaça mais grave e de maior impacto econômico para os cereais.
Danos diretos
Os danos diretos do pulgão-verde-dos-cereais são causados pela contínua sucção de seiva das plantas, realizada tanto por ninfas quanto por adultos.
Esse processo drena os recursos energéticos da planta, resultando em sintomas visíveis, como o amarelecimento e o enfraquecimento geral.
Em ataques severos, especialmente no início do desenvolvimento da cultura, pode ocorrer um raquitismo acentuado, com plantas que não se desenvolvem, e em casos extremos, até a morte das plântulas.
Um diferencial importante do Schizaphis graminum em relação a outras espécies de pulgões é a natureza fitotóxica de sua saliva.
Ao se alimentar, o inseto injeta toxinas que causam o aparecimento de manchas cloróticas no local da picada, que posteriormente podem necrosar. Esse dano celular é mais prejudicial do que a simples remoção de nutrientes, intensificando o estresse e o enfraquecimento da planta.
Danos indiretos
Apesar dos prejuízos diretos serem visíveis, o maior perigo do pulgão-verde-dos-cereais está em sua capacidade de atuar como um vetor de doenças do trigo, principalmente de viroses.
Ele é um dos principais transmissores do agente causal da doença conhecida no Brasil como nanismo amarelo dos cereais.
O vírus é adquirido pelo pulgão ao se alimentar de uma planta infectada (seja uma planta da cultura, voluntária ou outra gramínea hospedeira) e transmitido para plantas sadias através da saliva durante a alimentação.
Uma vez infectada, não há cura. Os sintomas do nanismo amarelo incluem:
- folhas com coloração amarela intensa ou avermelhada/arroxeada;
- plantas com porte menor;
- desenvolvimento deficiente de grãos.


Comparação de planta saudável (à esquerda) e planta infectada (à direita) pelo nanismo amarelo do trigo, transmitido pelo pulgão-verde-dos-cereais Schizaphis graminum (sin. Rhopalosiphum graminum). Fonte: Embrapa
O impacto na produtividade é relevante. A transmissão do vírus no início do ciclo da cultura é a mais danosa. Estimativas indicam que, em infecções precoces e em cultivares suscetíveis, as perdas podem chegar a 80% da produção.
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Desafios no manejo do pulgão-verde-dos-cereais e o papel estratégico do manejo integrado de pragas (MIP)
O controle do pulgão-verde-dos-cereais é um desafio constante no campo. Sua alta capacidade reprodutiva, somada ao seu potencial para transmitir viroses, exige do produtor uma estratégia de manejo bem robusta e completa.
É aqui que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) dos cereais se consolida como a abordagem mais inteligente e eficaz.
O MIP não se baseia em uma única ferramenta, mas sim na associação de diversas táticas de controle — cultural, biológico e químico — para manter a população da praga abaixo do nível de dano econômico, de forma sustentável.
Para o manejo do pulgão-verde, algumas medidas são fundamentais:
Monitoramento constante
Acompanhar a lavoura com amostragens periódicas é o pilar de qualquer estratégia de MIP. O objetivo é identificar a presença inicial da praga e tomar a decisão de controle no momento certo.
A pesquisa agronômica estabeleceu um limiar claro: a intervenção deve ser iniciada quando 10% das plantas apresentarem infestação durante a fase vegetativa, a depender da cultura atacada. Agir nesse momento é um investimento calculado para proteger o valor da safra, pois o custo da aplicação é significativamente menor do que a perda de produtividade provável se a praga continuar a se multiplicar na lavoura.
Controle cultural
Práticas, como a eliminação de plantas voluntárias (“tigueras”) e de outras plantas hospedeiras do trigo na entressafra, são cruciais. Essas plantas servem como uma “ponte verde”, permitindo que o pulgão sobreviva e se multiplique, garantindo altas populações prontas para infestar a nova lavoura.
Controle químico
O uso de inseticidas químicos continua sendo uma ferramenta importante, mas dentro do MIP, sua aplicação é estratégica. Deve-se priorizar a rotação de modos de ação e utilizar os produtos em momentos críticos, quando a população da praga atinge o nível de controle.
Controle biológico
O agroecossistema possui inimigos naturais (predadores, como joaninhas e crisopídeos, e parasitoides) que ajudam a regular a população de pulgões. O uso de ferramentas seletivas é vital para preservar esses aliados. Além disso, a introdução de inseticidas biológicos de alta performance se torna uma tática central, oferecendo controle direcionado e sustentável.
A integração dessas práticas permite um manejo do pulgão-verde-dos-cereais mais robusto, eficiente e duradouro, contribuindo para a resiliência e a sustentabilidade do sistema de produção de cereais.
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Controle biológico: a ferramenta do MIP para um manejo resiliente
Dentro de um manejo moderno e mais eficiente de pragas, os produtos biológicos, em especial os inseticidas biológicos, surgem como protagonistas. Eles representam, hoje, um segmento de alta tecnologia, cujo mercado está em franca expansão no Brasil.
Dados recentes da CropLife Brasil mostram que a utilização de bioinsumos no país cresceu 13% na safra 2024/2025, com uma taxa média de crescimento anual de 22% — quatro vezes superior à média global
Essa adoção acelerada reflete um amadurecimento do setor, que reconhece os múltiplos benefícios de integrar essas ferramentas ao MIP.
As vantagens de adotar inseticidas biológicos no manejo do pulgão-verde-dos-cereais representa uma decisão estratégica que proporciona benefícios diretos para a lavoura e para o negócio do produtor:
- Modos de ação diversificados: os bioinseticidas oferecem mecanismos de ação diversificados e complementares aos químicos tradicionais, sendo uma ferramenta essencial para o prolongamento da vida útil de todas as tecnologias disponíveis.
- Seletividade: atuam de forma mais direcionada sobre a praga-alvo, preservando os inimigos naturais e polinizadores. Ao poupar esses aliados, o controle biológico favorece o equilíbrio ecológico da área, evitando desequilíbrios que, muitas vezes, levam à explosão de pragas secundárias.
- Segurança e sustentabilidade: oferecem maior segurança para o aplicador, para o meio ambiente e para o consumidor final, atendendo a uma demanda crescente do mercado por uma produção mais limpa e sustentável.
Essa evolução atende a uma demanda clara do campo por produtos que unam alta performance, conveniência operacional e sustentabilidade. É nesse cenário de inovação que a ciência e a natureza se unem para entregar ferramentas cada vez mais poderosas.
NETURE™: máximo controle com máxima praticidade para o manejo do pulgão-verde-dos-cereais

NETURE™ é uma solução inovadora da Syngenta Biologicals desenvolvida para o controle de pragas sugadoras de difícil manejo, como o pulgão-verde-dos-cereais.
Ele é um inseticida biológico de alta performance formulado a partir da ação sinérgica de duas espécies de bactérias benéficas: Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens.
Essa combinação única confere ao produto múltiplos mecanismos de ação contra as pragas.
O primeiro deles é sua ação inseticida. Os agentes biológicos de NETURE™, em especial a Pseudomonas chlororaphis, produze metabólitos e proteínas inseticidas (FitD e FitE) com alto poder de controle que levam a praga à morte.
Complementando esse mecanismo de ação, o segundo agente biológico de NETURE™, a bactéria Pseudomonas fluorescens, atua como uma aliada da cultura. Ela produz compostos que promovem o crescimento das plantas e favorecem sua resistência natural, tornando-as mais tolerantes aos estresses abióticos e bióticos.
Além disso, os agentes biológicos de NETURE™ também induzem a planta a liberar compostos voláteis que atuam como repelentes naturais, ajudando a afastar as pragas e contribuindo para uma proteção mais eficiente e prolongada da lavoura.
Benefícios de NETURE™: a solução completa para o produtor
A tecnologia de NETURE™ se traduz em benefícios diretos para o agricultor, oferecendo o máximo controle com máxima praticidade.
Historicamente, a adoção de biológicos em larga escala enfrentou barreiras operacionais, como a necessidade de armazenamento refrigerado ou a incompatibilidade com outros produtos.
NETURE™ foi projetado especificamente para superar esses desafios, tornando-se um verdadeiro pilar do MIP.
Entre os benefícios de NETURE™ para o controle do pulgão-verde-dos-cereais, podemos destacar:
- Amplo espectro: além de seu controle robusto do pulgão-verde-dos-cereais, NETURE™ é indicado para o manejo de outros alvos de difícil controle, como percevejos e tripes, o que permite um manejo mais integrado e simplificado na fazenda.
- Maior rapidez de ação: um dos grandes diferenciais de NETURE™ é a sua velocidade de controle. Seus metabólitos inseticidas já estão prontamente disponíveis na formulação, garantindo um efeito de choque e uma ação de controle mais imediata sobre o pulgão, quando comparado a outros biológicos.
- Versatilidade e conveniência: NETURE™ foi desenvolvido pensando na rotina do produtor. Ele não necessita de refrigeração para armazenamento e é compatível com misturas de tanque com defensivos químicos, oferecendo máxima praticidade e flexibilidade no manejo. Essa característica é fundamental, pois permite que o produtor integre o controle biológico em suas operações de pulverização já existentes, sem alterar sua logística ou aumentar o número de entradas na lavoura.
Ao eliminar as barreiras práticas de adoção dos inseticidas biológicos, NETURE™ permite que o produtor implemente um manejo verdadeiramente integrado, combinando o melhor das tecnologias químicas e biológicas de forma simples e eficiente, elevando a sustentabilidade e a lucratividade no campo.
Guia prático: como e quando aplicar NETURE™ para controlar o pulgão-verde-dos-cereais?
Para garantir a máxima eficácia da tecnologia, a aplicação de NETURE™ deve seguir as recomendações técnicas da bula, sendo crucial que ocorra no início da infestação da praga.
A escolha do momento ideal para a pulverização também é importante para garantir a melhor performance do produto. O objetivo da aplicação é obter uma boa cobertura de toda a parte aérea das plantas, mas sem causar escorrimento.
Tabela 1: recomendações de aplicação de NETURE™ para controle do pulgão-verde-dos-cereais.
| Característica | Recomendação |
| Dose | 0,8 a 1,6 L/ha |
| Número de aplicações | 3 aplicações |
| Intervalo entre aplicações | 10 dias |
| Momento da aplicação | No início da infestação da praga |
| Modo de aplicação | Foliar (Terrestre ou Aérea) |
Seguindo essas etapas, o produtor aproveita o máximo potencial que a tecnologia de NETURE™ oferece para o controle do pulgão-verde-dos-cereais, protegendo a lavoura de forma eficaz e sustentável.
Inovação e sustentabilidade lado a lado com o produtor
O manejo eficaz do pulgão-verde-dos-cereais exige uma abordagem moderna, adotando estratégias integradas de controle.
Nesse contexto, ferramentas biológicas inovadoras, como NETURE™, desempenham um papel central. Com sua tecnologia inovadora, múltiplos modos de ação e, crucialmente, sua praticidade e conveniência operacional, NETURE™ se posiciona como um componente-chave no MIP.
Esse inseticida biológico oferece ao produtor uma solução de alta performance para o controle de pragas dos cereais e outras culturas, ao mesmo tempo em que contribui para a sustentabilidade e a resiliência da lavoura.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
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