A lagarta-da-maçã (Heliothis virescens) é uma praga altamente agressiva que culturas como algodão e soja. Seu hábito alimentar direto nos frutos causa danos irreversíveis à produtividade e qualidade. Saiba como manejar.
A lagarta-da-maçã (Heliothis virescens), também conhecida como lagarta da maçã do algodoeiro, é uma das pragas mais agressivas e de difícil controle nos sistemas de produção de algodão e soja.
Diferente de outras lagartas desfolhadoras, a H. virescens possui um hábito alimentar preferencial por estruturas reprodutivas, atacando diretamente botões florais, flores e frutos (maçãs do algodoeiro ou vagens de soja). Essa característica resulta em danos diretos e irreversíveis à produtividade, pois compromete o resultado final da lavoura.
Além disso, sua natureza polífaga permite que ela sobreviva em diferentes plantas hospedeiras, mantendo populações residuais durante a entressafra.
A seguir, entenda o ciclo biológico da praga, a identificação correta e as estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP) necessárias para proteger o potencial produtivo da sua fazenda.
Leia mais
- Pragas agrícolas: tipos, impactos e manejo sustentável
- Algodão no Brasil: cultivo e práticas sustentáveis de manejo
- Lagartas do algodão: principais espécies, danos e técnicas de manejo
Características da lagarta-da-maçã (Heliothis virescens)
Heliothis virescens pertence à ordem Lepidoptera e à família Noctuidae, sendo a fase larval de uma mariposa de hábito noturno. Os adultos apresentam coloração variável entre pardo-esverdeada e amarelada, com envergadura aproximada de 30 a 40 mm, além de marcas características nas asas anteriores.
As lagartas possuem coloração variável, do verde-claro ao marrom, com estrias longitudinais claras e escuras ao longo do corpo e pequenas cerdas visíveis. Essa variabilidade morfológica, aliada à polifagia, dificulta o reconhecimento inicial da praga no campo.
Os danos são causados exclusivamente na fase larval, que se alimentam de folhas, botões florais, flores, vagens e frutos comprometendo diretamente o potencial das culturas atacadas.
Ciclo de vida da lagarta-da-maçã
O ciclo biológico da lagarta-da-maçã é relativamente curto e altamente dependente das condições ambientais. Ele é composto pelas fases de ovo, larva, pupa e adulto, podendo ser completada entre 25 e 60 dias.
A oviposição ocorre, geralmente, de forma isolada sobre folhas jovens, botões e brácteas florais. O período de incubação varia de 2 a 5 dias. A fase larval, considerada a mais prejudicial, estende-se por aproximadamente 15 a 25 dias, passando por cinco a seis ínstares.
A pupação ocorre no solo, a poucos centímetros de profundidade. Em condições adversas, a praga pode entrar em diapausa, prolongando sua sobrevivência entre safras. Esse comportamento favorece a ocorrência de múltiplas gerações por ciclo agrícola, elevando o risco de infestações sucessivas.
Culturas mais afetadas pela lagarta-da-maçã
A lagarta-da-maçã é uma praga altamente polífaga, com destaque para culturas de grande relevância econômica:
- Algodão: principal cultura hospedeira, com danos diretos em botões, flores e maças;
- Soja: consumo de folhas, hastes e perfuração de vagens;
- Feijão: ataque às vagens e grãos em formação;
- Tomate e outras hortaliças: perfuração de frutos e perdas comerciais;
- Tabaco: danos foliares que reduzem a qualidade do produto.
Essa diversidade de hospedeiros favorece a manutenção da praga ao longo do ano, especialmente em sistemas com sucessão de culturas suscetíveis.
Danos e impactos econômicos causados pela lagarta-da-maçã
Os danos causados pela lagarta-da-maçã são tanto quantitativos quanto qualitativos. No algodão, a H. virescens provoca danos diretos em botões florais e maçãs, levando à queda dessas estruturas, redução do número de frutos colhidos e prejuízos na qualidade da fibra.
Estudos de resposta entre injúria e rendimento mostram que infestações intensas, sem manejo adequado, podem causar reduções expressivas na produtividade, frequentemente superiores a 30%, tornando o cultivo economicamente comprometido em áreas muito atacadas
Em culturas como soja e feijão, a perfuração de vagens compromete o enchimento de grãos e facilita a entrada de patógenos secundários, ampliando os danos. Além das perdas diretas, o produtor enfrenta custos adicionais com monitoramento, controle químico e manejo corretivo, o que impacta a rentabilidade da safra.
Técnicas de manejo para controle da lagarta-da-maçã
O controle eficiente de H. virescens exige uma abordagem integrada, preventiva e baseada em tomada de decisão técnica.
O monitoramento sistemático da lavoura é o ponto de partida. O uso de armadilhas com feromônios permite acompanhar a flutuação populacional de adultos e antecipar períodos de maior risco. Inspeções visuais frequentes ajudam a identificar ovos e lagartas nos estágios iniciais, quando o controle é mais eficiente.
Complementarmente, produtores podem incorporar:
- manejo cultural: contribui significativamente para reduzir a pressão da praga, incluindo a destruição de restos culturais, controle de plantas daninhas hospedeiras, rotação de culturas e ajuste da época de semeadura para evitar coincidência com picos populacionais;
- controle biológico: é uma ferramenta estratégica dentro do MIP, com destaque para parasitoides de ovos e lagartas, predadores naturais e bioinseticidas à base de Bacillus thuringiensis, que apresentam alta seletividade e compatibilidade em programas sustentáveis;
- controle químico: deve ser realizado de forma criteriosa, baseado no nível de dano econômico, priorizando produtos seletivos e respeitando a rotação de mecanismos de ação para reduzir o risco de resistência.
Especificamente em culturas como algodão e soja, a adoção de tecnologias Bt representa uma importante aliada no manejo, desde que associada ao uso correto de áreas de refúgio, garantindo a longevidade da tecnologia.
O manejo estratégico da H. virescens é um pilar da resiliência do agronegócio moderno. O produtor que prioriza critérios técnicos em vez de aplicações reativas contribui para elevar o padrão de excelência da cotonicultura e sojicultura brasileiras.
Ao equilibrar a produtividade imediata com a saúde do ecossistema agrícola, o campo se consolida como um ambiente inovador, capaz de entregar segurança alimentar e valor econômico de forma sustentável e duradoura.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.


Deixe um comentário