O plantio do milho safrinha 2026 avança em ritmo bem mais lento que o registrado na temporada anterior e já acende um alerta no campo. Até 20 de fevereiro, apenas 36,6% da área estimada de 15,6 milhões de hectares havia sido semeada no Centro-Sul do Brasil, segundo levantamento da Safras & Mercado. No mesmo período do ciclo passado, o índice era de 54,1%, o que representa um atraso de quase 18 pontos percentuais.

O quadro é ainda mais crítico em alguns estados importantes para a produção nacional. Em Goiás, o plantio havia alcançado apenas 16% da área, enquanto no Mato Grosso do Sul o avanço era de 15,6%. Esses números indicam que uma parcela significativa das lavouras pode ser implantada fora da chamada janela ideal de semeadura, período considerado mais seguro para garantir bom desenvolvimento da cultura.

A preocupação cresce porque, para grande parte das regiões produtoras do Centro-Sul, a janela técnica do milho safrinha se encerra ainda no vigente mês de março. Cada semana de atraso aumenta a probabilidade de que a fase crítica da lavoura (especialmente enchimento de grãos) coincida com condições climáticas menos favoráveis, como redução de chuvas ou ocorrência de geadas no final do ciclo.

Quanto custa cada dia de atraso?

O impacto do atraso no plantio pode ser significativo. Estudos agronômicos apontam que, dependendo da região e das condições climáticas do ano, cada semana de atraso após a janela ideal pode reduzir o potencial produtivo em vários pontos percentuais.

Isso ocorre porque o milho semeado mais tarde tende a enfrentar menor disponibilidade hídrica no final do ciclo, além de maior exposição a temperaturas adversas, conforme já destacado – principalmente em função do fenômeno El Niño, que se aproxima. Em regiões mais ao sul do país, o risco de geadas no período de enchimento de grãos também entra na conta.

Outro efeito importante é o aumento da pressão de pragas e doenças, que encontram condições mais favoráveis em lavouras implantadas fora do período recomendado.

O El Niño como fator preocupante

Previsões climáticas recentes apontam um aumento significativo na probabilidade de formação do fenômeno El Niño, evento natural em que acontece o aquecimento anormal da atmosfera e que pode provocar prejuízos significativos para algumas culturas mais sensíveis.

O fenômeno ambiental impacta a safrinha de milho ao desequilibrar o regime de chuvas e elevar temperaturas, gerando cenários opostos como excesso de precipitações no Sul e seca severa no Norte/Nordeste, o que prejudica a qualidade dos grãos e a produtividade. Esse cenário causa estresse hídrico no Centro-Oeste e Sudeste, reduzindo o potencial produtivo geral.

Além dos danos no campo, o fenômeno encurta a janela ideal de plantio e eleva riscos operacionais e financeiros, exigindo planejamento rigoroso diante da irregularidade climática. A incerteza resulta em revisões negativas nas estimativas de colheita e pressiona os custos de produção, ampliando a volatilidade dos preços no mercado.

Saiba mais sobre essa mudança climática prevista para iniciar em abril em nosso artigo clicando aqui.

Cigarrinha-do-milho volta ao radar

Entre os principais desafios fitossanitários do milho safrinha está a cigarrinha-do-milho, vetor de doenças como o enfezamento vermelho e o enfezamento pálido. A praga já provocou perdas expressivas em safras recentes e tende a se intensificar quando há escalonamento do plantio.

Quando diferentes lavouras são implantadas em períodos muito distantes entre si, cria-se um ambiente contínuo de hospedeiros, o que favorece a sobrevivência e a multiplicação da cigarrinha ao longo da safra.

Para enfrentar esse cenário, o VERDAVIS® surge como uma solução inovadora da Syngenta. Com seu modo de ação único, baseado na tecnologia PLINAZOLIN® technology, o inseticida oferece proteção prolongada contra a cigarrinha-do-milho, reduzindo significativamente a transmissão dos enfezamentos. VERDAVIS® atua desde o início do desenvolvimento da cultura, proporcionando mais controle e mais resultados no campo. 

Com o controle sem precedentes de VERDAVIS®, sua lavoura de milho fica muito mais protegida contra as pragas.

Manejo ganha importância em cenário de risco

Diante de cenários adversos, como o atraso no plantio, investir em manejo eficiente da lavoura se torna uma estratégia ainda mais robusta para uma colheita mais produtiva. Destacamos, abaixo, algumas medidas mais recomendadas para produtores neste momento:

  • Monitoramento frequente de pragas e doenças, especialmente nas fases iniciais da cultura;
  • Uso de tecnologias de proteção de sementes e inseticidas para reduzir o impacto de pragas iniciais;
  • Programas de manejo fitossanitário bem planejados, incluindo fungicidas e inseticidas, quando indicados pelo monitoramento;
  • Atenção ao estande de plantas e à nutrição da lavoura, fatores que ajudam a cultura a suportar condições de estresse.

Com a janela de plantio se aproximando do fim, o cenário para o milho safrinha 2026 será definido nas próximas semanas. Caso o ritmo de semeadura não acelere, parte significativa da área pode entrar em campo fora do período ideal, o que aumenta a dependência de manejo técnico e eleva o grau de risco da safra.

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo. 

Mais Agro

Culturas

Milho