O caquizeiro é uma frutífera de boa adaptação às condições brasileiras, mas o sucesso do pomar depende de atenção constante à sanidade das plantas. As doenças do caquizeiro, somadas ao ataque de pragas, podem comprometer folhas, ramos e frutos, reduzindo a produtividade e a qualidade comercial da colheita, especialmente em períodos chuvosos ou de calor seco. 

Como a disponibilidade de produtos registrados para o caqui é mais restrita que em outras culturas, reconhecer os sintomas cedo e apostar em práticas culturais bem conduzidas faz toda a diferença.  

Neste conteúdo, você vai conhecer as principais doenças e pragas do caquizeiro, saber como diferenciá-las no campo e entender como organizar um manejo integrado eficiente e seguro. 

Ficha rápida do caquizeiro 

Espécie Diospyros kaki 
Família Ebenaceae 
Ciclo Frutífera perene, de folhas caducas, com brotação, floração, frutificação, colheita e repouso definidos ao longo do ano 
Principais doenças Antracnose (Colletotrichum spp., com C. horii entre as espécies predominantes) e mancha angular (Pseudocercospora kaki) 
Principais pragas Ácaro-rajado, mosca-das-frutas e cochonilhas 
Danos Manchas e podridões em frutos, cancros e seca de ramos, desfolha precoce, bronzeamento foliar, queda de frutos e perda de qualidade comercial 
Soluções Monitoramento, poda e higienização do pomar, retirada de focos, nutrição equilibrada, conservação de inimigos naturais e intervenções registradas no MAPA 

Principais pontos 

  • Antracnose e mancha angular merecem prioridade porque podem comprometer ramos, folhas, frutos e a regularidade da produção. 
  • Chuva, molhamento foliar prolongado e copa fechada elevam o risco de doenças; calor e tempo seco favorecem surtos de ácaros. 
  • A inspeção deve diferenciar sintomas parecidos e registrar local, intensidade e evolução antes de qualquer intervenção. 
  • Poda sanitária, retirada de frutos e folhas afetados e manejo da copa reduzem fontes de inóculo e melhoram a aeração. 
  • Para o caqui, a disponibilidade de produtos pode ser restrita. Consulte o Agrofit e siga bula, receituário agronômico e orientação profissional. 

Quais são as principais doenças do caquizeiro? 

As doenças do caquizeiro exigem atenção principalmente em pomares úmidos e com pouca circulação de ar. O primeiro passo é observar onde o sintoma começou (fruto, folha, ramo ou ponteiro) e se há relação com chuva, ferimentos, queda de folhas ou avanço durante o armazenamento. 

Antracnose (Colletotrichum spp.) 

A antracnose é uma das doenças mais importantes do caquizeiro e pode ser causada por diferentes espécies de Colletotrichum. Estudos realizados no Brasil apontam predominância de C. horii em determinadas regiões; em um levantamento com isolados das terras altas do Sul do país, essa espécie representou 85,3% das amostras analisadas. Outras espécies de Colletotrichum também podem estar associadas à doença, o que reforça a importância do diagnóstico em problemas recorrentes. 

Sintomas 

Nos frutos, aparecem lesões circulares, escuras e deprimidas, que podem aumentar, unir-se e evoluir para podridão. Em alta umidade, pode ocorrer massa de esporos sobre a área afetada. Nos ramos, cancros escuros podem interromper a circulação de seiva e provocar seca de ponteiros. Folhas, pecíolos e flores também podem ser atingidos. 

Condições favoráveis. Períodos chuvosos, molhamento prolongado e temperaturas amenas a quentes favorecem infecção e dispersão. Ramos doentes e frutos mumificados funcionam como reservatórios entre ciclos, enquanto ferimentos no fruto ampliam o risco na colheita e na pós-colheita. 

Manejo 

Remova ramos com sintomas, recolha frutos mumificados e retire material doente da área conforme orientação sanitária local. Abra a copa para reduzir umidade e melhorar a cobertura de eventuais aplicações.  

Durante a colheita, evite impactos, separe frutos lesionados e mantenha higiene de caixas e equipamentos. Qualquer fungicida deve estar registrado para cultura e alvo. 

Mancha angular (Pseudocercospora kaki) 

A mancha angular, também chamada cercosporiose, é causada por Pseudocercospora kaki, nome atualmente aceito para o organismo antes citado como Cercospora kaki. O sintoma mais característico são lesões castanhas de formato angular, delimitadas pelas nervuras, frequentemente acompanhadas por amarelecimento da folha. 

Danos 

Em condições de maior severidade, a doença pode estar associada à desfolha precoce. A cercosporiose também afeta o processo fotossintético nas áreas lesionadas e nos tecidos próximos às lesões, embora o impacto sobre produção e qualidade dos frutos dependa da intensidade da doença e das condições do pomar. 

Manejo 

A principal fonte de inóculo pode permanecer em folhas infectadas no chão. Por isso, o manejo inclui recolhimento ou decomposição orientada desses resíduos, poda para arejamento e acompanhamento mais intenso no início de períodos úmidos.  

Aplicações preventivas somente devem ser consideradas quando houver produto e indicação registrados no Agrofit. 

Oídio (Phyllactinia kakicola) e outras manchas foliares 

O oídio pode formar crescimento branco ou acinzentado, semelhante a pó, sobretudo nas folhas. Já manchas necróticas ou de aspecto angular podem ter diferentes causas infecciosas ou fisiológicas. Por isso, não se recomenda definir o controle apenas pela aparência dos sintomas. 

Quando o sintoma foge do padrão, envie amostras a laboratório ou procure assistência técnica.  

Um diagnóstico incorreto pode levar a uma aplicação sem efeito, aumentar custos e atrasar medidas simples, como eliminação do tecido afetado, correção da irrigação e melhoria da ventilação. 

Quais são as principais pragas do caquizeiro? 

As pragas do caquizeiro variam conforme clima, entorno do pomar e disponibilidade de hospedeiros. Monitorar folhas, ramos e frutos desde a brotação até a colheita permite reconhecer o início da infestação e preservar organismos benéficos. A tomada de decisão deve considerar tendência populacional, risco econômico e proximidade da colheita. 

Ácaro-rajado (Tetranychus urticae) 

O ácaro-rajado se concentra principalmente na face inferior das folhas. Pontuações claras, aspecto acinzentado ou bronzeado e teias finas são sinais de alerta. Em infestação elevada, as folhas podem secar e cair, reduzindo a capacidade da planta de sustentar o desenvolvimento dos frutos. 

O risco aumenta em tempo quente e seco. A inspeção com lupa deve abranger diferentes posições da copa e separar folhas com sintomas recentes. Ácaros predadores, como Neoseiulus californicus e Phytoseiulus persimilis, podem contribuir para o equilíbrio, desde que o programa preserve inimigos naturais. Acaricidas só devem ser utilizados quando registrados e tecnicamente indicados. 

Ácaros vermelhos e alaranjados sobre a superfície de uma folha verde, com teias finas ao lado

Mosca-das-frutas (Anastrepha fraterculus) 

A mosca-sul-americana deposita ovos nos frutos. As larvas se desenvolvem na polpa, favorecem o amolecimento e a podridão e tornam o caqui impróprio para comercialização. Pequenas perfurações, áreas amolecidas, queda precoce e presença de larvas no interior ajudam a confirmar a suspeita. 

Instale armadilhas com atrativo alimentar antes da maturação e acompanhe as capturas de forma periódica.  

Colha no ponto adequado, retire frutos caídos e elimine fontes de multiplicação no pomar e no entorno. Ensacamento pode ser avaliado em sistemas compatíveis. Iscas ou inseticidas dependem de registro, bula, carência e recomendação regional. 

Cochonilhas e pulgões 

Cochonilhas podem colonizar tronco, ramos, folhas e frutos. A cochonilha-branca Pseudaulacaspis pentagona forma escamas aderidas ao tecido, enquanto cochonilhas-farinhentas do gênero Pseudococcus produzem secreções açucaradas que favorecem a fumagina. Pulgões concentram-se em brotações novas e podem deformar ponteiros quando a população aumenta. 

A poda de galhos muito infestados, a limpeza de focos e o monitoramento das ninfas móveis são medidas importantes. Joaninhas e crisopídeos ajudam no controle natural; por isso, decisões seletivas fazem parte do manejo integrado de pragas. Óleos ou inseticidas só devem ser utilizados quando autorizados para o caqui e para o alvo identificado. 

Como fazer o manejo integrado no caquizeiro? 

Em uma cultura com suporte fitossanitário mais restrito, o controle cultural não é complemento: é a base.  

O plano deve conectar histórico do pomar, clima, inspeção, limpeza, arquitetura da copa, nutrição, conservação de inimigos naturais e uso responsável de produtos registrados. 

Poda, condução e higiene do pomar 

A poda de inverno deve retirar ramos mortos, doentes ou muito adensados e favorecer entrada de luz e circulação de ar.  

Durante o ciclo, a poda verde e a retirada de frutos com sintomas reduzem focos ativos. Ferramentas devem ser higienizadas entre plantas ou blocos conforme protocolo técnico, evitando transportar patógenos. 

O material retirado não deve permanecer sob a copa. Dê destinação sanitária compatível com as orientações locais e mantenha registros das plantas ou áreas mais afetadas.  

Uma copa equilibrada também facilita a inspeção e melhora a distribuição de aplicações autorizadas, sem substituir calibração e tecnologia de aplicação. 

Nutrição equilibrada e manejo da água 

O excesso de nitrogênio pode gerar crescimento vegetativo denso, prolongar a umidade na copa e aumentar a proporção de tecidos tenros.  

Cálcio e potássio participam da estrutura, do equilíbrio hídrico e da qualidade dos frutos, mas não substituem o controle fitossanitário. Baseie a adubação em análise de solo, folha, produtividade esperada e recomendação regional. 

Irrigação excessiva e molhamento frequente da folhagem criam ambiente favorável a várias doenças. Ajuste lâmina, horário e uniformidade, corrija pontos de encharcamento e acompanhe a drenagem. 

Monitoramento e tomada de decisão 

Divida o pomar em talhões e estabeleça pontos fixos de inspeção. Registre data, variedade, estágio, clima recente, órgão afetado, porcentagem de plantas com sintomas e presença de inimigos naturais.  

Fotografias no mesmo ponto ajudam a diferenciar um foco estável de um problema em expansão. 

Antes de aplicar qualquer produto, confirme cultura, alvo biológico, dose, intervalo, número de aplicações, período de carência e equipamento de proteção na bula e no sistema oficial do MAPA (Agrofit). A existência de um ingrediente ativo em outra cultura não autoriza seu uso no caqui. O receituário agronômico e a orientação de profissional habilitado são indispensáveis. 

Como relacionar sintomas, causas prováveis e ações iniciais? 

Sintoma observado Causa provável Primeira ação 
Manchas escuras e deprimidas em frutos Antracnose; dano mecânico associado pode acelerar a podridão Separar frutos, vistoriar ramos com cancros, revisar chuva e ferimentos e confirmar o diagnóstico. 
Lesões angulares entre nervuras e amarelecimento Mancha angular Avaliar distribuição na copa, recolher folhas afetadas e intensificar monitoramento em períodos úmidos. 
Bronzeamento e teia fina sob a folha Ácaro-rajado Examinar com lupa, registrar proporção de folhas ocupadas e verificar presença de ácaros predadores. 
Perfuração, amolecimento e larvas no fruto Mosca-das-frutas Revisar armadilhas, retirar frutos caídos e antecipar medidas culturais antes do pico de maturação. 
Escamas ou massas brancas em ramos e frutos Cochonilhas Identificar o grupo, localizar focos, podar partes muito infestadas e preservar inimigos naturais. 
Pó branco ou acinzentado nas folhas Oídio ou outro fungo superficial Confirmar o agente, avaliar microclima da copa e evitar tratamento baseado somente na aparência. 

Por que é essencial verificar o registro dos produtos? 

O caqui integra o grupo de culturas com suporte fitossanitário limitado em diversas situações. Registros e extensões de uso podem mudar, e um produto autorizado para outra frutífera não está automaticamente liberado para o caquizeiro. A consulta oficial precisa ser feita no Agrofit, do Ministério da Agricultura e Pecuária. 

Para informações de pesquisa e extensão, consulte materiais da Embrapa Uva e Vinho e de instituições estaduais da região produtora. Mesmo quando uma fonte cita fungicidas cúpricos, óleos, acaricidas ou iscas, a decisão deve considerar o registro vigente, a bula aprovada e as condições específicas do pomar. 

A Syngenta ao lado do produtor de caqui 

A Syngenta está ao lado do produtor rural, apoiando uma agricultura inovadora, rentável e sustentável. 

Acompanhe a central de conteúdos Mais Agro para acessar informações sobre manejo, clima, tecnologia e o dia a dia do campo.

Perguntas frequentes  

1. Qual é a principal doença do caquizeiro? 

A antracnose está entre as doenças mais importantes porque pode atingir ramos, folhas, flores e frutos. Lesões escuras e deprimidas nos frutos, cancros e seca de ponteiros são sinais frequentes. O impacto aumenta em períodos úmidos, quando a poda sanitária e a retirada de fontes de inóculo ganham prioridade. 

2. Como diferenciar antracnose de mancha angular? 

A antracnose costuma formar lesões escuras e deprimidas nos frutos e cancros nos ramos. A mancha angular aparece principalmente nas folhas, com lesões castanhas limitadas pelas nervuras. Como sintomas podem variar com clima e variedade, casos severos ou recorrentes devem ser confirmados por assistência técnica ou laboratório. 

3. Por que as folhas do caquizeiro caem antes da hora? 

A desfolha precoce pode resultar de mancha angular, ácaros, desequilíbrio hídrico, nutrição inadequada ou combinação desses fatores. Observe se existem lesões angulares, bronzeamento, teias ou distribuição irregular no pomar. O diagnóstico deve considerar histórico, clima e presença do agente antes de definir qualquer intervenção. 

4. Como monitorar mosca-das-frutas no caqui? 

Instale armadilhas com atrativo alimentar antes do amadurecimento e verifique-as em frequência definida pela recomendação regional. Registre capturas, retire frutos caídos e avalie perfurações ou amolecimento. O monitoramento orienta o momento das medidas culturais e de qualquer intervenção registrada, respeitando o período de carência. 

5. O que fazer ao encontrar ácaros no caquizeiro? 

Confirme a presença na face inferior das folhas com uma lupa e avalie quantas folhas estão ocupadas, além de sintomas e inimigos naturais. Calor e seca favorecem o ácaro-rajado. Evite aplicações por calendário: qualquer acaricida deve estar registrado para caqui, ser tecnicamente indicado e preservar o programa de manejo. 

6. Existem poucos produtos registrados para o caqui? 

A disponibilidade pode ser menor que em culturas de grande área e pode mudar com novos registros ou extensões de uso. Por isso, práticas culturais são centrais. Antes de qualquer aplicação, consulte o Agrofit, confira cultura e alvo na bula e siga o receituário agronômico emitido por profissional habilitado. 

7. A poda ajuda a controlar doenças do caquizeiro? 

Sim. A poda remove ramos doentes, reduz fontes de inóculo, melhora a entrada de luz e encurta o período de umidade na copa. Também facilita inspeção e cobertura das aplicações autorizadas. Ferramentas devem ser higienizadas conforme protocolo técnico, e o material retirado precisa receber destinação sanitária adequada.