02/04/2026

Mercado e safra

Safra recorde de grãos em 2025/26 mascara risco crescente no milho safrinha

Produção total deve atingir 353,4 milhões de toneladas, mas atraso na colheita da soja comprime janela do milho segunda safra e eleva incertezas sobre produtividade e oferta

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Safra recorde de grãos em 2025/26 mascara risco crescente no milho safrinha

Produção total deve atingir 353,4 milhões de toneladas, mas atraso na colheita da soja comprime janela do milho segunda safra e eleva incertezas sobre produtividade e oferta...

O Brasil caminha para mais um marco na produção agrícola. De acordo com o 6º Levantamento da Conab, a safra recorde de grãos 2025/26 deve alcançar 353,4 milhões de toneladas, consolidando um crescimento de 0,3% em relação ao ciclo anterior.

A soja segue como principal vetor desse avanço. A oleaginosa deve atingir 177,8 milhões de toneladas, sustentada por ganhos de produtividade e pela manutenção de uma área elevada. No front externo, o desempenho também impressiona: as exportações podem chegar a 114,39 milhões de toneladas, reforçando a posição do Brasil como maior fornecedor global.

Esse cenário positivo, no entanto, traz um efeito colateral importante. O bom desempenho da soja, aliado às condições climáticas adversas em algumas regiões, impacta diretamente o calendário do milho safrinha, cultura que hoje representa o eixo central da produção nacional de milho.

Excesso de chuvas atrasa colheita e encurta janela crítica do milho

O excesso de chuvas registrado em estados estratégicos como Goiás, Maranhão e Minas Gerais comprometeu o ritmo da colheita da soja, criando um gargalo operacional no campo. Como o milho segunda safra depende da liberação dessas áreas, o atraso se traduz automaticamente em uma janela de plantio mais curta e mais arriscada.

Na prática, isso significa que uma parcela relevante dos produtores está sendo forçada a plantar fora do período ideal, o que reduz o teto produtivo da cultura.

  • Área estimada do milho safrinha: 17,7 milhões de hectares.
  • Produção projetada: 108,4 milhões de toneladas.
  • Participação na produção total de milho: predominante no Brasil.

O problema não é apenas o atraso em si, mas o efeito acumulado ao longo do ciclo. O milho plantado mais tarde tende a atravessar fases críticas, como florescimento e enchimento de grãos, sob condições menos favoráveis, com menor disponibilidade hídrica e maior exposição a estresses térmicos.

Risco climático e pressão fitossanitária aumentam fora da janela ideal

Quando o plantio escapa da janela recomendada, o risco não é apenas climático: ele se torna também biológico e operacional.

Lavouras implantadas mais tardiamente costumam apresentar maior vulnerabilidade por uma combinação de fatores:

  • Maior incidência de pragas, como cigarrinha e lagartas, devido ao desalinhamento com o ciclo ideal.
  • Intensificação de doenças foliares, favorecidas por condições climáticas irregulares.
  • Desenvolvimento inicial mais lento, comprometendo o potencial produtivo desde o arranque.
  • Maior dependência de janelas curtas para manejo, exigindo decisões mais rápidas e assertivas.

Esse ambiente exige um nível mais alto de tecnificação e acompanhamento da lavoura. O manejo fitossanitário deixa de ser apenas preventivo e passa a ser *estratégico*, com impacto direto no resultado econômico da safra.

Possível redução de produtividade pode mexer com oferta e preços

Mesmo com uma projeção ainda robusta de 108,4 milhões de toneladas, o milho safrinha carrega um grau elevado de incerteza neste ciclo. Qualquer frustração relevante de produtividade pode alterar o equilíbrio de oferta no mercado interno.

Como a segunda safra representa a maior parte da produção brasileira de milho, os desdobramentos são amplos:

  • Ajustes na oferta doméstica, especialmente no segundo semestre.
  • Reação nos preços internos, com viés de alta em caso de quebra.
  • Pressão sobre cadeias dependentes, como avicultura e suinocultura.
  • Redefinição da estratégia de exportação, dependendo da disponibilidade final.

Além disso, o cenário internacional e o câmbio continuam sendo variáveis-chave. Um ambiente de oferta mais restrita no Brasil, combinado a uma demanda externa firme, pode sustentar preços mais elevados.

Estratégias para preservar produtividade em um cenário mais desafiador

Apesar das limitações impostas pelo calendário, ainda há espaço para atuação técnica que pode fazer diferença no resultado final da lavoura.

Mais do que nunca, o foco está em mitigar perdas e proteger o potencial produtivo existente.

  • Adoção de híbridos mais precoces, melhor adaptados ao encurtamento do ciclo
  • Refinamento do manejo nutricional, com foco em eficiência e disponibilidade rápida de nutrientes.
  • Intensificação do monitoramento de pragas e doenças, com tomada de decisão ágil.
  • Uso criterioso de fungicidas e inseticidas, visando manter sanidade e vigor da planta.
  • Planejamento operacional mais rigoroso, reduzindo perdas por atraso em aplicações.

Safra recorde, mas com assimetria de resultados no campo

A safra 2025/26 deve entrar para a história em volume total produzido, mas isso não significa uniformidade de desempenho. Pelo contrário: o cenário aponta para uma safra grande, porém heterogênea, com variações importantes entre regiões, sistemas produtivos e níveis de tecnologia.

Para o milho safrinha, o recado é claro: o potencial segue alto, mas o risco também aumentou.

Em um ciclo marcado por janela apertada e maior sensibilidade climática, o resultado final dependerá menos das condições médias e mais da capacidade de gestão dentro da porteira.

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