A Bahia se firmou como o principal motor da expansão da área de soja no país na safra 2025/26. Dados inéditos da segunda edição da série “Mapas Agro”, da Serasa Experian, mostram que o crescimento conjunto de 175 mil hectares registrado entre Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal foi puxado, sobretudo, pelo estado baiano, responsável por 56% do avanço, ou cerca de 98 mil hectares adicionais em relação ao ciclo anterior. 

O mapeamento, elaborado pela primeira e maior datatech do Brasil, combina imagens de satélite e inteligência territorial para retratar a dinâmica produtiva ainda em curso, antes do fechamento da colheita. Mais do que fotografar o avanço das lavouras, o estudo oferece uma leitura antecipada da safra, subsidiando decisões estratégicas de instituições financeiras, cooperativas, tradings, seguradoras e demais empresas do setor. Entre os usos previstos estão análises de risco, identificação de novas áreas de expansão, monitoramento de critérios socioambientais e planejamento comercial e logístico com maior previsibilidade. 

Bahia responde por mais da metade da expansão da área de soja 

Dos 175 mil hectares adicionados no recorte analisado pela Serasa Experian, cerca de 98 mil vieram da Bahia. Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, juntos, respondem pelos 77 mil hectares restantes. O resultado reforça o papel do oeste baiano como fronteira consolidada da sojicultura brasileira e coloca o estado à frente de produtores tradicionais do Centro-Oeste na variação absoluta de área nesta safra, considerando os territórios mapeados. 

O avanço não ocorre por acaso. A região do Matopiba, da qual a Bahia é peça-chave, tem atraído investimento produtivo pela combinação de terras ainda passíveis de incorporação, produtividade em elevação e infraestrutura logística em amadurecimento. A previsibilidade climática mais favorável no início do ciclo e o interesse de players do agronegócio em diversificar geograficamente sua base produtora também ajudaram a impulsionar a expansão baiana. 

Previsibilidade como ativo estratégico do agronegócio 

Para Dyego Santos, gerente de soluções agro da Serasa Experian, o momento exige um novo patamar de leitura de dados no campo. “Em um cenário cada vez mais impactado por restrição de crédito, eventos climáticos extremos e novas exigências de rastreabilidade, a previsibilidade tornou-se um ativo estratégico para o agronegócio”, afirma. Segundo ele, a combinação de inteligência geoespacial, monitoramento agrícola e dados socioambientais permite às empresas e instituições financeiras: 

  • Antecipar movimentos de expansão da safra, direcionar estratégias comerciais, avaliar riscos com maior profundidade, fortalecer políticas de crédito e conformidade e direcionar investimentos de forma mais segura e sustentável. 

O ponto ganha peso diante das novas exigências de rastreabilidade impostas por compradores internacionais e reguladores. Saber com precisão onde a soja está sendo plantada, e sobre qual histórico de uso do solo, deixou de ser diferencial e passou a ser condição de acesso a mercados premium. É nesse ponto que o mapeamento por satélite ganha tração como camada de inteligência para financiadores e tradings. 

Milho avança 20% no recorte analisado 

Além da soja, o levantamento identificou crescimento expressivo da área plantada de milho, com alta de 20% em relação ao ciclo anterior nos estados analisados. O dado reforça a intensificação do uso da terra e a ampliação da segunda safra em áreas que já haviam colhido a oleaginosa, movimento acompanhado de perto por seguradoras e financiadoras dado o impacto direto sobre o perfil de risco das operações no campo. 

O avanço combinado de soja e milho na Bahia e nos demais estados analisados sinaliza um ciclo produtivo mais denso e uma safra 2025/26 que, se confirmadas as projeções, deve ampliar ainda mais o peso da região no mapa da produção brasileira de grãos. 

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