O vazio sanitário do algodão começa em 1º de outubro em parte dos municípios de Mato Grosso. A medida elimina plantas que podem manter o bicudo-do-algodoeiro vivo entre uma safra e outra.
O calendário da safra 2026/2027 mantém as datas estabelecidas pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso. O estado está dividido em duas regiões, com períodos diferentes conforme o sistema de produção local.
Vazio sanitário do algodão tem dois calendários
Na Região I, o período começa em 1º de outubro e termina em 30 de novembro. Na Região II, a medida vale de 15 de outubro a 14 de dezembro.
Durante essas datas, não pode haver plantas vivas de algodão com risco fitossanitário. A obrigação inclui lavouras remanescentes, soqueiras, rebrotes e plantas voluntárias, também conhecidas como tigueras.
Os produtores precisam verificar em qual região o município está incluído. A data de início e o prazo final mudam conforme a localização da propriedade.
Período sem plantas interrompe ciclo do bicudo
O bicudo-do-algodoeiro usa estruturas da planta para alimentação, abrigo e reprodução. Se houver algodão vivo entre os ciclos, o inseto encontra condições para permanecer na área.
A ausência de plantas hospedeiras reduz essa ponte verde. Com menos alimento disponível, diminui a população capaz de chegar à próxima safra.
O vazio sanitário não elimina sozinho a praga. Ele integra um conjunto de medidas que inclui destruição de restos culturais, monitoramento, controle de plantas tigueras e manejo coordenado entre propriedades.
Bicudo ataca botões, flores e maçãs do algodão
O inseto adulto é atraído pelas plantas e ataca inicialmente os botões florais. As estruturas perfuradas podem cair antes de formar as maçãs.
Flores atingidas podem apresentar abertura anormal das pétalas e formato semelhante a um balão. Nas maçãs, as perfurações externas indicam a entrada e a alimentação do inseto.
As larvas se desenvolvem dentro das estruturas. O ataque destrói fibras e sementes, impede a abertura normal e pode deixar as maçãs escurecidas.
Chuvas podem favorecer a sobrevivência da praga
Períodos chuvosos aumentam a umidade e conservam por mais tempo os botões atacados. Esse ambiente pode favorecer o desenvolvimento das fases imaturas do bicudo.
Por isso, a eliminação completa das plantas ganha importância antes do início do período úmido. Rebrotes e tigueras devem ser controlados mesmo fora dos talhões comerciais.
Áreas próximas a estradas, armazéns, algodoeiras e locais de transporte também precisam de atenção. Sementes derramadas podem germinar e criar plantas voluntárias.
O que deve ser eliminado durante o vazio sanitário
A regra busca impedir qualquer planta de algodão que possa servir de hospedeira. O controle deve alcançar áreas cultivadas e pontos onde surgem plantas espontâneas.
Entre as estruturas que exigem atenção estão:
- Soqueiras e rebrotes após a colheita;
- Plantas tigueras dentro e fora das lavouras;
- Algodoeiros em margens de estradas e pátios;
- Plantas germinadas após perdas no transporte.
O método de eliminação deve impedir a sobrevivência e a rebrota. A propriedade precisa seguir as exigências da legislação estadual e as orientações do órgão de defesa agropecuária.
Mato Grosso concentra a produção nacional de algodão
Mato Grosso responde por cerca de 70% do algodão produzido no Brasil. Na safra 2025/2026, a área estadual cultivada com a cultura foi estimada em 1,36 milhão de hectares.
Grande parte do algodão é semeada em segunda safra, depois da colheita da soja. Esse sistema aumenta a importância do calendário e do manejo integrado em escala regional.
A proximidade entre propriedades e o trânsito de máquinas e cargas facilitam a dispersão do bicudo. Por isso, o cumprimento simultâneo do vazio amplia o efeito coletivo da medida.
Fiscalização segue calendário definido pelo Indea-MT
As datas da safra 2026/2027 seguem a Instrução Normativa nº 003/2024. O Indea-MT é responsável pelas regras estaduais de defesa sanitária vegetal e pela fiscalização.
O produtor deve manter registros das operações e acompanhar eventuais orientações complementares. Descumprimentos podem resultar em medidas administrativas previstas na legislação.
Em caso de dúvida sobre limites municipais ou procedimentos, a recomendação é consultar diretamente uma unidade do Indea-MT antes do início do período obrigatório.
Municípios e datas do vazio sanitário do algodão
Confira abaixo a divisão oficial dos municípios. A Região I segue o período de 1º de outubro a 30 de novembro. Na Região II, o vazio sanitário ocorre de 15 de outubro a 14 de dezembro.
REGIÃO I — 1º de outubro a 30 de novembro
Alto Araguaia; Acorizal; Alto Garças; Alto Paraguai; Alto Taquari; Araguaiana; Araguainha; Araputanga; Barão de Melgaço; Barra do Bugres; Barra do Garças; Cáceres; Campinápolis; Campo Verde; Chapada dos Guimarães; Conquista D’Oeste; Cuiabá; Curvelândia; Denise; Dom Aquino; Figueirópolis D’Oeste; General Carneiro; Glória D’Oeste; Guiratinga; Indiavaí; Itiquira; Jaciara; Jangada; Jauru; Juscimeira; Lambari D’Oeste; Mirassol D’Oeste; Nobres; Nossa Senhora do Livramento; Nova Brasilândia; Nova Lacerda; Nova Olímpia; Nova Xavantina; Novo São Joaquim; Pedra Preta; Planalto da Serra; Poconé; Pontal do Araguaia; Ponte Branca; Pontes e Lacerda; Porto Esperidião; Porto Estrela; Poxoréu; Primavera do Leste; Reserva do Cabaçal; Ribeirãozinho; Rio Branco; Rondonópolis; Rosário Oeste; Salto do Céu; Santo Antônio do Leste; Santo Antônio do Leverger; São José do Povo; São José dos Quatro Marcos; São Pedro da Cipa; Tesouro; Torixoréu; Vale do São Domingos; Várzea Grande; Vila Bela da Santíssima Trindade.
REGIÃO II — 15 de outubro a 14 de dezembro
Água Boa; Alta Floresta; Alto Boa Vista; Apiacás; Arenápolis; Aripuanã; Boa Esperança do Norte; Bom Jesus do Araguaia; Brasnorte; Campo Novo do Parecis; Campos de Júlio; Canabrava do Norte; Canarana; Carlinda; Castanheira; Cláudia; Cocalinho; Colíder; Colniza; Comodoro; Confresa; Cotriguaçu; Diamantino; Feliz Natal; Gaúcha do Norte; Guarantã do Norte; Ipiranga do Norte; Itanhangá; Itaúba; Juara; Juína; Juruena; Lucas do Rio Verde; Luciara; Marcelândia; Matupá; Nortelândia; Nova Bandeirantes; Nova Canaã do Norte; Nova Guarita; Nova Marilândia; Nova Maringá; Nova Monte Verde; Nova Mutum; Nova Nazaré; Nova Santa Helena; Nova Ubiratã; Novo Mundo; Novo Santo Antônio; Paranaíta; Paranatinga; Peixoto de Azevedo; Porto Alegre do Norte; Porto dos Gaúchos; Querência; Ribeirão Cascalheira; Rondolândia; Santa Carmem; Santa Rita do Trivelato; Santa Cruz do Xingu; Santa Terezinha; Santo Afonso; São Félix do Araguaia; São José do Rio Claro; São José do Xingu; Sapezal; Serra Nova Dourada; Sinop; Sorriso; Tabaporã; Tangará da Serra; Tapurah; Terra Nova do Norte; União do Sul; Vera; Vila Rica.
Produtor deve confirmar região e prazo
A lista municipal define qual calendário deve ser seguido em cada propriedade. Os prazos não devem ser escolhidos apenas pela proximidade geográfica ou pelo calendário de municípios vizinhos.
Antes do início do vazio, a propriedade precisa concluir a destruição das plantas e verificar possíveis pontos de rebrota. O monitoramento deve continuar durante todo o período.
O cumprimento coletivo reduz a pressão inicial da praga na safra seguinte. A medida também ajuda a diminuir a necessidade de intervenções precoces e a preservar as ferramentas de controle.
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