A qualidade dos grãos se tornou um fator decisivo nas negociações de feijão no país. Segundo o Cepea, esse critério ajuda a explicar por que o feijão-preto e o carioca vêm apresentando comportamentos tão diferentes no mercado. Enquanto o preto encontra suporte na procura por lotes de melhor padrão, o carioca enfrenta uma postura mais cautelosa por parte dos compradores.
Carioca sofre com avaliação mais rigorosa dos compradores
No caso do feijão-carioca, as negociações vêm sendo marcadas por uma análise mais detalhada antes do fechamento dos negócios. De acordo com o Cepea, os compradores observam de perto alguns critérios específicos:
- A variedade do feijão ofertado;
- A granulometria dos grãos;
- O teor de umidade do lote.
Essa análise mais criteriosa reduz o espaço para uma reação mais firme dos preços. Diante da resistência dos compradores, parte dos vendedores chegou a aceitar ajustes em situações pontuais. Ainda assim, esse movimento não se espalhou de forma generalizada pelo mercado.
Segundo o Cepea, a resistência em trabalhar com valores menores permanece firme, principalmente quando os lotes apresentam qualidade superior. Como consequência, a formação de preços do carioca depende cada vez mais do padrão específico de cada lote colocado à venda, e não apenas do cenário geral do mercado.
Feijão-preto mantém cotações sustentadas
Já o feijão-preto vive um momento mais favorável aos vendedores. A procura por grãos de melhor qualidade tem contribuído para manter as cotações da variedade em patamar sustentado.
Esse cenário contrasta diretamente com a pressão observada sobre o carioca. Assim, dois produtos que costumam responder a dinâmicas parecidas de oferta e demanda acabam seguindo caminhos distintos neste momento, muito em função da forma como cada mercado valoriza a qualidade dos lotes disponíveis.
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