preço da soja fechou a semana em forte alta na Bolsa de Chicago. Na quinta-feira (27), o primeiro contrato da oleaginosa encerrou o pregão a US$ 12,56 por bushel, a maior cotação desde janeiro de 2024. Segundo dados da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o grão havia fechado a semana anterior a US$ 12,20 por bushel. 

Três fatores combinados explicam o movimento. Primeiro, as preocupações com o clima nos Estados Unidos passaram a ocupar o centro das atenções do mercado, diante do risco de perdas na safra americana. Em seguida, as altas do trigo e do milho reforçaram o tom positivo em Chicago. Por fim, a demanda chinesa contínua ajudou a manter o mercado comprador ao longo de toda a semana. 

Os subprodutos da soja também acompanharam a valorização. O farelo terminou o dia 27 próximo de US$ 330 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja fechou a 68 centavos de dólar por libra-peso. 

Mercado brasileiro sobe, mas câmbio limita o avanço 

No Brasil, a melhora das cotações externas encontrou apoio adicional nos prêmios portuários, que ficaram próximos de US$ 1,50 por bushel. O avanço dos preços internos, no entanto, foi contido pelo câmbio, que permaneceu na faixa entre R$ 5,10 e R$ 5,15 ao longo da semana. 

Com essa combinação de fatores, a saca de 60 quilos foi negociada entre R$ 130 e R$ 140 nas principais praças do país. No Rio Grande do Sul, as referências ficaram em torno de R$ 131. 

Esse patamar representa uma recuperação relevante frente ao ano passado. Há 12 meses, a soja era negociada entre R$ 116 e R$ 128 por saca no mercado brasileiro. Segundo cálculos da CEEMA, a valorização acumulada no período varia entre 9% e 12%, patamar acima da inflação oficial, que ficou próxima de 4,5% no mesmo intervalo. 

Nos portos, a soja disponível se aproximou de R$ 160 por saca. Já as indicações para a nova safra ficaram perto de R$ 150, um sinal de que o mercado ainda precifica preços elevados também para os próximos meses. 

Colheita americana em outubro pode testar a sustentação dos preços 

Apesar do cenário favorável, a sustentação dos preços pode ser colocada à prova com a aproximação da colheita nos Estados Unidos, prevista para começar em outubro. A condição das lavouras americanas piorou nas últimas semanas, mas o potencial produtivo do país ainda gera cautela entre os analistas. 

O Crop Tour Pro Farmer estimou a produção americana em 124,4 milhões de toneladas, volume acima das 123 milhões de toneladas indicadas pelo USDA em 12 de agosto. Caso a safra confirme um resultado ainda maior do que o esperado, a entrada desse volume no mercado pode reduzir a pressão de alta sobre as cotações internacionais. 

Os números de campo reforçam esse cenário misto. Em 23 de agosto, 60% das lavouras dos Estados Unidos estavam classificadas entre boas e excelentes, contra 61% na semana anterior e 69% há um ano. Por outro lado, o desenvolvimento das plantas está adiantado: 91% das áreas já estavam em formação de vagens, acima da média histórica de 88%, o que pode antecipar parte da colheita. 

China e Brasil seguem como protagonistas na demanda 

Do lado da demanda, a China continua como peça central para o mercado da soja. Os Estados Unidos registraram, no dia 21 de agosto, uma venda de 1,4 milhão de toneladas da safra 2026/27, sendo 712 mil toneladas destinadas especificamente ao mercado chinês. 

No Brasil, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta exportações de 10,25 milhões de toneladas de soja em agosto. O volume é 2,14 milhões de toneladas superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, reforçando o papel do país como fornecedor relevante em um momento de preços mais altos e demanda aquecida. 

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