O plantio do milho verão 2026/27 avançou para 33,5% da área prevista até 9 de outubro, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O percentual ficou acima dos 30,8% da semana anterior, dos 31,2% registrados no mesmo período de 2025 e da média de 31% das últimas cinco safras.
O ritmo nacional reúne cenários distintos. Chuvas recentes favoreceram o avanço em áreas do Paraná e de Mato Grosso, enquanto o excesso de umidade, a baixa luminosidade e a irregularidade das precipitações mantiveram operações mais lentas em outras localidades.
Plantio do milho verão avança em ritmos diferentes por região
No Paraná, a semeadura está adiantada e a maior parte das lavouras apresenta boas condições. Ainda assim, a Conab alerta que a combinação de umidade elevada e pouca luminosidade pode alongar o ciclo em algumas áreas e influenciar o calendário da segunda safra.
No Rio Grande do Sul, os produtores avançam nos tratos culturais onde a umidade do solo permite, enquanto a semeadura segue nas regiões de implantação mais tardia. Granizo, vendavais e chuvas intensas causaram danos pontuais; temperaturas baixas e pouca radiação solar também retardam o desenvolvimento das plantas.
Em Santa Catarina, os trabalhos se aproximam da conclusão no Oeste e Extremo Oeste. A umidade favorece áreas bem drenadas, mas as chuvas recorrentes dificultam a realização dos manejos fitossanitários.
Onde a semeadura começou e onde ainda não avançou
Em Minas Gerais, o plantio começou principalmente em áreas irrigadas e em regiões que receberam bons volumes de chuva. Em Goiás, as operações permanecem pontuais no Leste, enquanto na Bahia tiveram início no Oeste. Até a data do levantamento, Maranhão, Pará, Piauí e São Paulo ainda não haviam iniciado a semeadura.
Entre os destaques regionais do levantamento estão:
- Mato Grosso: mais de um quarto da área implantada; Médio-Norte e Oeste lideram, com apoio das chuvas e da melhora da umidade do solo.
- Goiás: plantio próximo de 10%, com avanço no Sul e Sudoeste; a irregularidade das chuvas limita o ritmo nas demais regiões.
- Santa Catarina: semeadura perto da conclusão no Oeste e Extremo Oeste, mas o excesso de umidade dificulta operações em algumas áreas.
Clima pode repercutir na janela da segunda safra
Quando a umidade elevada e a baixa luminosidade atrasam o desenvolvimento, a maturação e a colheita podem se deslocar no calendário. Isso pode reduzir o intervalo entre a retirada do milho de primeira safra e a implantação da segunda, embora o efeito dependa da região, das condições de campo e da cultura seguinte.
A Embrapa informou, em julho de 2026, que o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) do milho foi atualizado, com revisão da classificação dos solos pela capacidade de água disponível e das séries climáticas. As janelas variam conforme estado e município, reforçando a importância de considerar as características locais no planejamento.
Acompanhar o calendário junto às condições locais
O avanço nacional acima da média recente não antecipa, por si só, o resultado produtivo da safra. Nas próximas semanas, a evolução das lavouras dependerá das condições de cada região e da possibilidade de realizar os tratos no momento adequado.
Para acompanhar o cenário, vale combinar os novos levantamentos da Conab com observações de campo e a consulta ao ZARC vigente para a localidade. Assim, o ritmo de semeadura pode ser analisado junto às condições de umidade, drenagem e desenvolvimento das plantas.
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