O plantio da soja 2026/27 avançou para 15,6% da área prevista até 9 de outubro, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na semana anterior, o índice era de 9,4%. O ritmo atual supera os 11,1% registrados no mesmo período de 2025 e fica pouco acima da média de 15,2% das últimas cinco safras.
O avanço nacional, porém, reúne realidades distintas. Em áreas do Centro-Oeste, as chuvas recentes melhoraram a umidade do solo e permitiram acelerar a semeadura. Em outros pontos, a irregularidade das precipitações ou o excesso de umidade ainda interfere nas operações.
Plantio da soja 2026/27 avança em Mato Grosso e Goiás
Mato Grosso já implantou mais de um quarto da área prevista. O Médio-Norte e o Oeste estão à frente, com o avanço favorecido pela persistência das chuvas e pela recuperação da umidade do solo. Em outras regiões, produtores aguardam condições mais adequadas para ampliar os trabalhos.
Em Mato Grosso do Sul, o plantio também avançou, embora a chuva tenha interrompido as operações em alguns momentos. As precipitações ajudaram a recompor a umidade na região Norte e, até o levantamento, não havia registro de problemas nos talhões já semeados.
Em Goiás, a semeadura ganhou ritmo no Sul e no Sudoeste, onde a disponibilidade de água no solo é mais favorável. Nas demais regiões, a distribuição irregular das chuvas mantém o avanço mais lento. A área plantada se aproximava de 10%, com as lavouras em boas condições no início do ciclo.
No Sul, umidade elevada limita operações em algumas áreas
No Paraná, a aceleração das operações e o planejamento dos produtores contribuíram para o avanço da semeadura, e as lavouras apresentavam boas condições. Em Santa Catarina, os trabalhos avançaram no Extremo Oeste, Oeste e Meio-Oeste, enquanto outras regiões ainda estavam em fase de planejamento.
A Conab aponta o excesso de umidade como um dos principais fatores que limitam o plantio em Santa Catarina. O contraste com áreas onde falta chuva mostra por que o percentual nacional não deve ser interpretado como uma condição uniforme para todas as regiões produtoras.
Chuvas ainda são insuficientes em áreas do Norte
No Pará e em Tocantins, a implantação da soja permanecia incipiente. A previsão agrometeorológica indicava que, em algumas áreas, as precipitações poderiam não ser suficientes para recompor plenamente a água armazenada no solo.
Em orientação publicada em agosto de 2026, a Embrapa destacou que os efeitos esperados do El Niño sobre a soja podem variar entre regiões. Entre as práticas de manejo apontadas pela instituição estão seguir as janelas de semeadura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), escalonar o plantio e manter cobertura do solo. Essas recomendações dão contexto ao cenário, mas não substituem a avaliação das condições observadas em cada propriedade.
O que observar nas próximas semanas
A evolução do plantio dependerá da continuidade das chuvas e de como a umidade se distribui nas diferentes áreas. O avanço semanal é um indicador do ritmo das operações, mas não permite, isoladamente, antecipar o desempenho final das lavouras.
Para acompanhar o início da safra, os principais pontos do levantamento são:
- Ritmo nacional: 15,6% da área semeada até 9 de outubro, ante 9,4% na semana anterior.
- Comparação histórica: avanço acima dos 11,1% de 2025 e da média quinquenal de 15,2%.
- Contraste climático: chuva favorece áreas de Mato Grosso e Goiás, enquanto umidade excessiva dificulta operações em partes de Santa Catarina.
Os próximos levantamentos da Conab devem mostrar se o ritmo segue acelerado e como a distribuição das chuvas influencia a implantação nos estados. A leitura regional continuará importante para entender as diferenças entre áreas já semeadas e aquelas que ainda aguardam melhores condições.
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