O greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), avança no Paraná e aumenta a pressão sobre a citricultura. Dados da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) apontam registros da bactéria Candidatus Liberibacter spp. em 164 municípios do estado.
A doença preocupa porque não se limita a uma propriedade. O psilídeo-dos-citros, inseto que transmite a bactéria, pode circular entre pomares próximos. Assim, uma área sem manejo adequado pode comprometer a sanidade de toda a região produtora.
Greening avança em polos importantes da citricultura
A presença do greening já foi identificada em áreas estratégicas do Paraná, incluindo as regiões Norte, Noroeste e o Vale do Ribeira. Esses territórios concentram parte relevante da produção de citros e, por isso, a expansão da doença exige resposta coordenada entre agricultores, órgãos de defesa e demais integrantes da cadeia.
Nas plantas infectadas, os sintomas podem aparecer de diferentes formas. As folhas apresentam manchas e coloração amarelada irregular. Os frutos podem ficar deformados, perder qualidade e cair antes da hora. Com a evolução do problema, a produtividade diminui e a árvore pode morrer.
Por que o controle depende de toda a região
O manejo individual não é suficiente para interromper o ciclo do greening. Mesmo quando o produtor monitora o próprio pomar, o inseto pode chegar de uma propriedade vizinha, de um viveiro ou de uma área urbana com plantas hospedeiras.
Por esse motivo, a identificação rápida de sintomas, o controle do vetor e a retirada das plantas contaminadas precisam ocorrer de forma integrada. A ausência de ação em um único ponto mantém a bactéria e o psilídeo ativos e dificulta a proteção dos pomares próximos.
Nova portaria amplia as obrigações de controle
A Adapar publicou a Portaria 105/2026 para organizar as medidas de prevenção, monitoramento e erradicação. A norma alcança propriedades comerciais, viveiros, comerciantes de mudas e áreas não comerciais, como quintais e pomares urbanos.
A inclusão das áreas urbanas reforça que o risco não está restrito às lavouras comerciais. Plantas mantidas em residências e espaços não produtivos podem servir de abrigo para a bactéria e para o inseto transmissor, especialmente em municípios onde a doença já foi registrada.
Principais exigências para os pomares
- Cadastro na Adapar para propriedades comerciais com 50 ou mais plantas cítricas;
- Inspeções trimestrais nos pomares comerciais;
- Envio de dois relatórios anuais de vistoria, até 15 de janeiro e 15 de julho;
- Eliminação de plantas infectadas conforme a idade e os prazos definidos na norma;
- Erradicação de todo o talhão quando mais de 50% das plantas apresentarem sintomas;
- Manutenção de mudas em estufas protegidas com telas contra a entrada do psilídeo.
Prazos variam conforme a idade das árvores
A Portaria 105/2026 estabelece prazos diferentes para a retirada de plantas infectadas. Árvores com até oito anos ou com mais de 15 anos devem ser eliminadas imediatamente após a identificação da doença.
Para plantas de nove a 12 anos, o período de remoção pode chegar a quatro anos. Já as árvores entre 13 e 15 anos têm prazo de até três anos. Depois da fase de transição prevista na regra, a eliminação deverá ser imediata, independentemente da idade da planta.
Raio de exclusão alcança áreas urbanas
Nos municípios onde o greening já foi detectado, a norma proíbe a manutenção de plantas hospedeiras não comerciais em um raio de quatro quilômetros ao redor de pomares comerciais. A medida busca reduzir os locais onde o vetor pode permanecer e diminuir a chance de reinfecção das lavouras.
A regra amplia a responsabilidade para além do produtor comercial. Moradores, responsáveis por áreas urbanas e proprietários de pomares domésticos também precisam observar as determinações sanitárias quando estiverem dentro das áreas alcançadas pela regulamentação.
Viveiros precisam impedir a entrada do vetor
Viveiros e comerciantes de mudas devem manter as plantas em estufas protegidas por telas anti-inseto. O objetivo é evitar que o psilídeo entre nas estruturas e transmita a bactéria para mudas que ainda serão levadas a novos pomares.
A proteção das mudas é uma etapa importante porque plantas contaminadas podem espalhar a doença para regiões ainda livres do greening. Por isso, a origem, a sanidade e as condições de produção do material propagativo exigem atenção constante.
Fiscalização continua em áreas sem registro
Nas localidades onde ainda não há ocorrência confirmada, equipes de fiscalização seguem coletando amostras de plantas com suspeita de infecção. O material é encaminhado para análise laboratorial em Curitiba.
Quando são encontradas irregularidades em áreas monitoradas, os responsáveis são notificados e ficam sujeitos às sanções previstas na legislação estadual. A fiscalização, portanto, atua tanto na confirmação de novos focos quanto no cumprimento das medidas de controle.
O que o produtor deve observar no manejo
- Realizar inspeções frequentes nas plantas e registrar sinais suspeitos;
- Comunicar ocorrências e seguir as orientações da defesa agropecuária;
- Controlar o psilídeo conforme as recomendações técnicas e legais;
- Remover plantas infectadas dentro dos prazos estabelecidos;
- Evitar a entrada de mudas sem procedência e sem proteção sanitária.
Resposta coordenada é decisiva
O avanço do greening no Paraná mostra que a defesa dos pomares depende de uma rede de ações contínuas. O monitoramento de uma propriedade perde eficiência quando áreas vizinhas mantêm plantas infectadas ou não controlam o inseto transmissor.
Com regras mais amplas e fiscalização reforçada, a prioridade passa a ser reduzir as fontes de contaminação e identificar novos focos com rapidez. Para a citricultura, o cumprimento das medidas em propriedades comerciais e não comerciais será determinante para preservar a produção e limitar os prejuízos regionais.
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