As exportações de milho de Mato Grosso recuaram em setembro, em um cenário de maior oferta internacional. O estado embarcou 2,85 milhões de toneladas no mês, volume 32,07% menor que o de setembro de 2025 e 19,01% abaixo da média dos últimos cinco anos, segundo relatório do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado em 12 de outubro. 

No acumulado de julho a setembro, os embarques somaram 7,61 milhões de toneladas, queda de 21,44% em relação ao mesmo período da temporada anterior. Para o Imea, a disponibilidade elevada de milho nos principais países exportadores ampliou a concorrência e reduziu a competitividade do cereal mato-grossense. 

Exportações de milho de Mato Grosso enfrentam concorrência maior 

Os Estados Unidos chegam ao mercado com oferta ampla e estoques elevados, fatores que pressionam as cotações e favorecem a competitividade do produto norte-americano. Na Argentina, uma safra recorde e a redução das retenções aumentaram o volume disponível para exportação. Com mais oferta dos dois concorrentes, compradores internacionais têm mais alternativas de fornecimento. 

A disputa já aparece entre os destinos do milho de Mato Grosso citados no levantamento. O Egito comprou 1,97 milhão de toneladas, recuo de 3,85%; o Irã adquiriu 739 mil toneladas, queda de 29,30%; e a Espanha recebeu 710 mil toneladas, 29,94% menos. Os dados apontam redução nesses mercados, embora não expliquem, isoladamente, a variação de cada destino. 

Janela até janeiro concentra atenção do setor 

Segundo o Imea, Mato Grosso ainda tem uma janela relevante para acelerar os embarques até janeiro de 2027. A partir de fevereiro, a soja deve disputar espaço com o milho na logística de exportação, o que pode aumentar a pressão sobre o escoamento e a armazenagem. 

A projeção do instituto é que, caso os embarques dos próximos meses repitam os volumes observados no ciclo anterior, o estado chegue a cerca de 21 milhões de toneladas exportadas até janeiro. Para atingir a estimativa de 24,10 milhões de toneladas na temporada, ainda precisaria escoar aproximadamente 3 milhões entre fevereiro e junho de 2027. 

Esse volume posterior seria alto em relação ao histórico citado pelo Imea: o período costuma registrar embarques de até aproximadamente 2 milhões de toneladas. Trata-se de uma projeção condicionada ao ritmo futuro, não de um resultado garantido. Se as exportações permanecerem abaixo do ciclo anterior e outros componentes da demanda não crescerem, mais milho poderá ficar no estado e elevar os estoques finais. 

Ritmo dos embarques influencia preços e armazenagem 

A comercialização externa conecta a disponibilidade de milho à demanda dos compradores e à capacidade de transporte, armazenagem e embarque. Quando as exportações perdem velocidade, a oferta que permanece no estado pode disputar espaço com a produção que entra na temporada seguinte. O efeito sobre preços depende também da demanda interna, dos custos logísticos e das condições de mercado. 

O relatório do Imea coloca três pontos no centro do acompanhamento nas próximas semanas: 

  • Velocidade dos embarques até janeiro, antes da concorrência logística mais intensa com a soja. 
  • Competitividade do milho mato-grossense diante da oferta norte-americana e argentina. 
  • Volume que poderá permanecer no estado e a capacidade de armazenagem durante a entrada da nova safra. 

O analista de milho do Imea, Gabriel Brandão, atribui a perda de ritmo à maior oferta internacional, que intensificou a disputa pelos mercados compradores. Os próximos dados de exportação e a evolução da demanda serão importantes para avaliar se Mato Grosso consegue recuperar o fluxo necessário para se aproximar da projeção da temporada. 

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