As exportações de algodão brasileiro devem permanecer em níveis elevados, apoiadas por duas safras consecutivas com produção superior a 4,2 milhões de toneladas de pluma. Em nota divulgada em 21 de outubro, a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) revisou para cima a estimativa da safra 2025/26 e também elevou a projeção inicial de produção para 2026/27.
A Anea atribuiu a revisão às produtividades superiores às esperadas durante a colheita. Segundo a entidade, o desempenho das lavouras confirmou resultados melhores que os previstos.
Exportações de algodão brasileiro acompanham a revisão da oferta
A Anea manteve a expectativa de embarques elevados entre julho de 2026 e junho de 2027, embora tenha reduzido em 26 mil toneladas a projeção para esse período, para 3,97 milhões de toneladas. A revisão das exportações ocorre ao mesmo tempo que a entidade elevou a estimativa de produção, mostrando que produção e embarques respondem a calendários e condições logísticas próprios.
Para o ano-calendário de 2026, a estimativa de exportações indicada pela associação é de 3,92 milhões de toneladas. Até o fim do primeiro semestre, haviam sido embarcadas 1,814 milhão de toneladas. O ritmo dos embarques ao longo do segundo semestre será importante para confirmar a projeção anual.
Safra 2026/27 pode produzir 4,267 milhões de toneladas
Para a temporada 2026/27, a estimativa de produção foi elevada de 4,09 milhões para 4,267 milhões de toneladas, crescimento de 5,9%. Segundo a explicação apresentada pela entidade, a revisão considera uma janela favorável para o plantio da soja e a preparação das áreas pelos produtores para o próximo ciclo do algodão.
A Anea acompanha, entretanto, os riscos climáticos, incluindo a possibilidade de um episódio intenso de El Niño. A entidade ressalta que as condições do clima podem influenciar os resultados da nova safra; portanto, a projeção atual não deve ser interpretada como produção já garantida.
Projeções de embarque para 2027 são divididas entre semestres
Para 2027, a associação projeta exportações de 3,419 milhões de toneladas. Desse total, 1,8 milhão de toneladas são esperadas no primeiro semestre e 1,619 milhão no segundo. A estimativa para o segundo semestre foi revisada para cima em 8 mil toneladas em relação à projeção de agosto.
O ajuste considera a produção maior e mudanças no calendário de embarques. Como as exportações se distribuem ao longo do ano, o volume efetivamente embarcado dependerá do andamento da colheita, da disponibilidade de pluma e da logística nos portos.
Estoques projetados sobem; consumo doméstico permanece estável
A nota da Anea também revisou as estimativas de estoques finais. Para 2026, a projeção passou a 714 mil toneladas, ante 712 mil na estimativa de agosto. Para 2027, o estoque final foi projetado em 869 mil toneladas, acima dos 738 mil previstos anteriormente.
O consumo doméstico foi mantido em 745 mil toneladas em 2026 e 753 mil toneladas em 2027. A combinação de oferta, estoques, consumo interno e exportações ajuda a compor o balanço do algodão, mas os números são projeções da associação e podem mudar conforme a safra e os embarques avancem.
Entre os principais pontos do balanço divulgado estão:
- Produção 2025/26: estimada em 4,27 milhões de toneladas de pluma, alta de 2,2% após revisão.
- Produção 2026/27: projetada em 4,267 milhões de toneladas, aumento de 5,9% ante a estimativa anterior.
- Exportações: projeção de 3,92 milhões de toneladas para 2026 e 3,419 milhões para 2027; o embarque de 2026/27 foi ajustado para 3,97 milhões.
As revisões da Anea indicam expectativa de oferta robusta e participação relevante do Brasil no comércio internacional da fibra. A confirmação desse cenário dependerá da produtividade da próxima safra, da evolução climática e da capacidade de escoar os volumes previstos.
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