As exportações brasileiras de frutas podem alcançar um novo recorde em 2026, depois de o setor obter receita histórica de US$ 1,45 bilhão no ano passado. A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) estima crescimento de 5% nas vendas externas neste ano.
Até setembro, os embarques já somavam US$ 1,17 bilhão, alta de 17,5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura citados no material. A expectativa de avanço é apoiada pela procura de compradores da União Europeia, em meio à redução de tarifas prevista no acordo comercial com o Mercosul, aplicado provisoriamente desde 1º de maio.
Exportações brasileiras de frutas ganham impulso com acesso à Europa
Representantes do setor relataram maior interesse por frutas brasileiras durante a feira Fruit Attraction, realizada em Madri na primeira quinzena de outubro. O presidente da Abrafrutas, Waldyr Promícia, afirmou que a procura observada no evento foi especialmente forte. Na avaliação dele, o país tem espaço para ampliar sua participação no comércio mundial.
O acordo com a União Europeia reduz tarifas de forma diferente conforme a fruta. A tarifa sobre a uva de mesa foi eliminada imediatamente. Para melões e melancias, a tarifa-base de 8,8% deve ser retirada gradualmente até 2033. No caso dos abacates, as tarifas variam de 4% a 5,1%, conforme a época do ano, com eliminação prevista até 2030. Para abacaxis, a tarifa-base de 5,8% também será eliminada gradualmente até 2030; para limas, a tarifa-base de 12,8% será reduzida até 2033.
A redução tarifária pode diminuir o custo de entrada e melhorar as condições comerciais para os exportadores brasileiros. O efeito, porém, varia por produto e depende do cronograma aplicável, além de fatores como preço, oferta, frete e cumprimento de exigências sanitárias.
Oferta ao longo do ano é uma vantagem competitiva
A diversidade climática e de regiões produtoras permite ao Brasil ofertar frutas em diferentes épocas do ano, característica apontada por Promícia como uma vantagem frente a concorrentes com janelas de produção mais concentradas. O limão exemplifica a expansão do setor: as exportações brasileiras teriam passado de cerca de 9 mil toneladas em 2000 para quase 200 mil toneladas em 2025, segundo o presidente da associação.
Apesar da relevância produtiva, o Brasil ainda tem participação comparativamente menor no comércio internacional. Promícia afirma que o país é o terceiro maior produtor mundial de frutas, mas ocupa a 23ª posição entre os exportadores. A diferença entre produção e posição exportadora indica espaço potencial de expansão, condicionado à capacidade de atender mercados e embarcar produtos perecíveis com regularidade.
Último trimestre pode concentrar embarques de uva, manga e melão
A MBR Company, trading especializada em frutas frescas, também espera encerrar o ano com exportações acima do resultado de 2025. Seu sócio-diretor, Fernando Ferreira, aponta que o último trimestre concentra parte importante da safra de uvas, mangas e melões, o que pode reforçar os embarques no fim do ano.
A maior procura internacional, no entanto, não garante que todos os pedidos se convertam em exportações. Ferreira cita disponibilidade limitada de navios e espaços de carga, dificuldade para obter agendamentos e atrasos nas operações portuárias. As restrições em rotas marítimas associadas ao conflito no Oriente Médio e aos problemas na região do Mar Vermelho também afetam o planejamento logístico.
Como as frutas frescas são perecíveis e dependem de transporte refrigerado, atrasos de uma ou duas semanas podem comprometer a qualidade e a comercialização. Isso torna a previsibilidade dos embarques e a continuidade da cadeia refrigerada fatores importantes para transformar demanda em vendas efetivas.
Exigências sanitárias e logística seguem como desafios
Além das tarifas, exportadores apontam gargalos logísticos e requisitos sanitários como entraves à expansão. O acesso a novos mercados exige atender regras de inspeção, qualidade e segurança fitossanitária, ao mesmo tempo que se garante transporte adequado. Sem capacidade de cumprir esses requisitos e entregar dentro das condições exigidas, a redução tarifária pode não se traduzir integralmente em novos negócios.
Para 2027, a perspectiva do setor continua positiva, apoiada pela demanda internacional e por investimentos em áreas produtivas. O fenômeno El Niño também é acompanhado pelos exportadores. Como boa parte da produção voltada à exportação está em áreas irrigadas, Ferreira avalia que os efeitos diretos podem ser limitados; eventuais perdas em países concorrentes, como o Peru, poderiam abrir oportunidades adicionais para o Brasil.
A projeção de recorde em 2026 combina demanda externa, maior acesso tarifário à Europa e oferta sazonal de frutas no último trimestre. O resultado final dependerá também de fatores práticos: logística marítima, capacidade de refrigeração, cumprimento das exigências sanitárias e execução dos embarques dentro da janela de comercialização.
Pontos para acompanhar nos próximos meses:
- Desempenho dos embarques no quarto trimestre, com a entrada da safra de uvas, mangas e melões.
- Aplicação do cronograma tarifário do acordo Mercosul–União Europeia por categoria de fruta.
- Disponibilidade de navios, espaços refrigerados e operações portuárias.
- Evolução das exigências sanitárias e do clima nas regiões produtoras brasileiras e concorrentes.
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