A compra de milho pela Conab alcançou 191 mil toneladas em dois leilões realizados nos dias 18 e 21 de setembro. O volume corresponde a 85,27% das 224 mil toneladas ofertadas nos certames e representa um investimento de aproximadamente R$ 228 milhões na formação de estoques públicos. 

A operação integra as medidas do governo federal para reduzir possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre o abastecimento e a oferta de grãos. O milho adquirido será armazenado em diferentes estados e destinado ao Programa de Vendas em Balcão, que atende principalmente pequenos criadores de animais. 

Compra de milho pela Conab ocorreu em duas etapas 

No primeiro leilão, realizado em 18 de setembro, a companhia adquiriu 121 mil toneladas, com desembolso previsto de pouco mais de R$ 152 milhões. Segundo as informações divulgadas, a maior parte do cereal negociado nessa etapa será fornecida pela agricultura familiar. 

As negociações envolveram lotes em Irecê, na Bahia; Goiatuba, em Goiás; Imperatriz, no Maranhão; Uberlândia e Uberaba, em Minas Gerais; Iguatemi, em Mato Grosso do Sul; e Camargo e Santa Cecília do Sul, no Rio Grande do Sul. O produto será entregue a unidades armazenadoras situadas nesses estados. 

Em 21 de setembro, um segundo leilão aberto à ampla concorrência negociou outras 70 mil toneladas por cerca de R$ 76 milhões. Produtores rurais, cooperativas e comerciantes puderam participar da operação, organizada para comercializar lotes que não haviam recebido propostas no certame anterior. 

Segundo leilão ampliou a cobertura dos lotes 

Na segunda rodada, todos os lotes previstos para o Distrito Federal, Bom Jesus de Goiás, Imperatriz e Rio Grande do Sul foram negociados. Também houve aquisição parcial dos volumes ofertados em Rondonópolis, Gaúcha do Norte e Vera, municípios de Mato Grosso. 

A realização de uma etapa complementar permitiu elevar o aproveitamento da oferta total para mais de 85%. A distribuição geográfica das compras também ajuda a direcionar o produto a estruturas de armazenagem próximas das áreas que deverão ser atendidas pelo programa público. 

Agricultura familiar participa da formação dos estoques 

A presença da agricultura familiar na maior parte do cereal adquirido amplia o alcance da operação. Além de contribuir para a recomposição dos estoques, a compra pública cria um canal de comercialização para produtores e organizações habilitadas, conforme as condições estabelecidas nos editais. 

Os leilões reuniram diferentes perfis de fornecedores e abrangeram importantes regiões produtoras. Para que o milho seja incorporado aos estoques, os lotes precisam atender aos critérios de qualidade, entrega e armazenagem definidos pela companhia. 

Programa de Vendas em Balcão atende pequenos criadores 

O Programa de Vendas em Balcão facilita o acesso de criadores de pequeno porte aos estoques públicos. O milho é utilizado na alimentação de aves, suínos, bovinos e outros plantéis, com peso relevante nos custos das propriedades que dependem da compra de ração ou de ingredientes para prepará-la. 

De acordo com a Conab, a prioridade é atender produtores em todo o país, especialmente aqueles localizados longe dos grandes centros comerciais e das principais regiões de produção. Nessas áreas, despesas com transporte e menor disponibilidade local podem dificultar o acesso regular ao cereal. 

Entre os efeitos esperados com o reforço dos estoques estão: 

  • Ampliação do volume disponível para o Programa de Vendas em Balcão; 
  • Atendimento a pequenos criadores em regiões mais distantes; 
  • Redução do risco de desabastecimento em situações de oferta restrita; 
  • Maior capacidade de resposta diante de possíveis impactos climáticos. 

Estoques públicos funcionam como instrumento de abastecimento 

A formação de estoques permite ao poder público manter volumes para programas específicos e responder a dificuldades localizadas de oferta. No caso do milho, essa função é especialmente relevante para a produção animal, já que o grão é um dos principais componentes energéticos das rações. 

A iniciativa não elimina a influência das cotações de mercado, dos custos logísticos ou das condições regionais de produção. Ela amplia, porém, a capacidade operacional do programa destinado aos criadores que enfrentam mais barreiras para adquirir o insumo nos canais convencionais. 

Execução das entregas será a próxima etapa 

Com a conclusão dos leilões, a atenção passa para o cumprimento dos prazos de entrega e para a entrada efetiva do cereal nas unidades armazenadoras. A qualidade dos lotes e a distribuição do produto serão determinantes para transformar o volume contratado em disponibilidade real para o programa. 

Ao adquirir 191 mil toneladas, a Conab recompõe parte da capacidade pública de atendimento em um momento de monitoramento climático. O resultado dos leilões cria uma reserva adicional para apoiar pequenos criadores caso a oferta de milho enfrente restrições nos próximos meses. 

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