O algodão brasileiro encerrou a safra 2025/2026 com produção recorde de pluma. O resultado reforça o peso do país no comércio internacional e mostra o avanço da produtividade nas principais regiões produtoras. 

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, o Brasil produziu 4,14 milhões de toneladas de pluma no ciclo. O volume superou em 1,5% a temporada anterior, mesmo com uma redução na área plantada. 

Algodão brasileiro alcança recorde com área menor 

A área cultivada foi estimada em 2,02 milhões de hectares. Isso representa uma retração de 3,2% na comparação com a safra 2024/2025. 

A produtividade compensou a redução. O rendimento médio chegou a 2.053 quilos de pluma por hectare, alta de 4,9% e maior nível da série acompanhada pela Conab. 

O resultado veio do desempenho das lavouras e das condições registradas durante o ciclo. Mato Grosso e Bahia continuaram como os principais polos da cotonicultura nacional. 

Produtividade sustenta o crescimento da produção 

O avanço do rendimento permite colher mais fibra sem ampliar a área na mesma proporção. Esse ganho está ligado ao uso de cultivares adaptadas, mecanização, manejo do solo e controle de pragas e doenças. 

A organização do calendário também tem papel importante. Em grande parte do Centro-Oeste, o algodão é cultivado depois da colheita da soja. Esse sistema permite aproveitar a mesma estrutura de máquinas, equipes e armazenagem. 

O cultivo em segunda safra exige planejamento. A semeadura precisa ocorrer dentro de uma janela adequada para evitar falta de água nas fases de florescimento e enchimento das maçãs. 

Exportações mantêm ritmo elevado em 2026 

Os embarques confirmam a importância do mercado externo para o setor. Dados parciais da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o país exportou 122,3 mil toneladas de algodão até a terceira semana de setembro. 

A receita somou US$ 212 milhões no período. A média diária embarcada ficou 15,8% acima da registrada em setembro de 2025, enquanto o preço médio por tonelada avançou 6,7%. 

Entre janeiro e agosto, o volume exportado ficou próximo de 2 milhões de toneladas. A receita acumulada foi estimada em cerca de US$ 3,23 bilhões. 

Os principais mercados compradores estão na Ásia. Índia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã, Turquia e China aparecem entre os destinos frequentes da fibra brasileira. 

Brasil ganha espaço no comércio global de pluma 

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta que o Brasil seguirá entre os maiores exportadores mundiais em 2026/2027. A estimativa é de 15,5 milhões de fardos embarcados no ciclo, volume equivalente a aproximadamente 3,37 milhões de toneladas. 

Se confirmada, a projeção manterá o país responsável por uma parcela relevante do comércio mundial. O desempenho resulta da combinação entre escala produtiva, oferta regular e capacidade de atender diferentes mercados. 

O calendário brasileiro também complementa a oferta de outros produtores. A entrada da nova safra em meses diferentes amplia a disponibilidade de fibra ao longo do ano. 

Qualidade e rastreabilidade entram nas decisões de compra 

A negociação internacional não depende apenas do volume. Compradores avaliam comprimento, resistência, uniformidade, micronaire, cor e presença de contaminantes na pluma. 

A classificação padronizada permite comparar lotes e direcioná-los para diferentes tipos de fios e tecidos. Rastreabilidade, cumprimento de contratos e previsibilidade de entrega também influenciam a escolha dos fornecedores. 

Entre os fatores acompanhados pela indústria estão: 

  • Características físicas e tecnológicas da fibra; 
  • Regularidade dos lotes entregues; 
  • Certificações socioambientais e rastreabilidade; 
  • Custos de transporte e prazo até o destino. 

Fibras sintéticas disputam espaço com o algodão 

O crescimento da produção ocorre em um mercado têxtil dividido entre fibras naturais e sintéticas. O poliéster mantém ampla presença devido ao preço, à escala industrial e às características de uso. 

O algodão conserva espaço em peças que valorizam conforto, respirabilidade e origem natural. A demanda também depende da renda dos consumidores, das tendências de moda e das políticas de compra das marcas. 

Para ampliar o consumo, a cadeia precisa comunicar as características da fibra e avançar em eficiência. A competitividade passa por produtividade no campo, processamento, logística e relacionamento com a indústria têxtil. 

Safra 2026/2027 pode manter produção acima de 4 milhões de toneladas 

As primeiras projeções da Conab indicam área de 2,09 milhões de hectares na safra 2026/2027. O número representa crescimento de 3,7% em relação ao ciclo anterior. 

A produção de pluma foi estimada inicialmente em 4,16 milhões de toneladas. O aumento seria de 0,3%, pois a expansão da área deve compensar uma possível redução do rendimento médio. 

O USDA trabalha com projeção próxima de 4,03 milhões de toneladas. As diferenças refletem metodologias e calendários distintos. As estimativas ainda podem mudar durante o plantio e o desenvolvimento das lavouras. 

Custos e clima entram no planejamento da nova temporada 

A definição da área depende da relação entre preço esperado e custo de produção. Fertilizantes, defensivos, sementes, combustível, crédito e operações mecanizadas têm peso elevado no orçamento. 

O clima também pode alterar o resultado. Atrasos no plantio da soja reduzem a janela disponível para o algodão de segunda safra. Veranicos durante o ciclo podem afetar o potencial produtivo. 

Na Bahia, a disponibilidade de irrigação reduz parte do risco em algumas áreas, mas não elimina o impacto dos custos e das condições de mercado. 

Produção, exportação e consumo definirão o equilíbrio do setor 

O desempenho da próxima safra será acompanhado em três frentes. A primeira é o ritmo do plantio. A segunda envolve o rendimento das lavouras. A terceira é a capacidade do mercado externo de absorver a oferta. 

Com produção acima de 4 milhões de toneladas, as exportações continuarão essenciais para o escoamento. O consumo da indústria têxtil brasileira também ajudará a definir a disponibilidade e os preços internos. 

O cenário mantém o país em posição relevante no mercado mundial. A continuidade desse avanço dependerá da qualidade da fibra, da eficiência logística e do controle dos custos na nova temporada. 

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