Os preços de açúcar e etanol avançam no estado de São Paulo nesta semana, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). As chuvas recentes reduziram o ritmo da colheita da cana-de-açúcar e limitaram a produção dos derivados.
O movimento ocorre em um período de maior atenção para a oferta. Com o campo mais úmido, as usinas enfrentam dificuldades para manter a moagem. Como resultado, o mercado interno pode continuar com menor disponibilidade de açúcar nas próximas semanas.
Açúcar e etanol sobem, mas têm comportamentos diferentes
O açúcar cristal registrou queda de 0,48% desde sexta-feira (2), mas ainda acumula alta mensal de 1,37% no mercado spot. O indicador do Cepea chegou a R$ 122,78 por saca de 50 quilos, em valor líquido de impostos, sem PIS e Cofins.
No mercado de etanol, o anidro encerrou setembro com alta de 0,21% em relação à semana anterior. O preço indicado pelo Cepea ficou em R$ 3,0579 por litro. Já o hidratado foi negociado a R$ 2,5639 por litro, com recuo de 0,7% no mesmo intervalo.
Chuvas atrasam a moagem da cana
As chuvas persistentes ao longo de setembro atrasaram a colheita da cana-de-açúcar em São Paulo. Além disso, o início chuvoso de outubro aumentou o risco de novas paralisações no campo e nas unidades de processamento.
A umidade interfere na qualidade da matéria-prima e dificulta o trabalho das máquinas. Por isso, as usinas podem precisar reorganizar o calendário de corte e moagem, principalmente nas áreas com maior volume de precipitação.
Açúcar cristal sente mais o impacto da umidade
O açúcar cristal é o produto mais afetado pelas condições atuais. Quando a cana chega à usina com excesso de umidade, o rendimento na fabricação de açúcar diminui. Ao mesmo tempo, a matéria-prima favorece a destinação para a produção de etanol.
Consultorias avaliam que parte da moagem pode ser adiada para a próxima safra. Em algumas regiões, os trabalhos podem se estender até o fim de fevereiro ou o início de março. Esse cenário reduz a oferta imediata e mantém o mercado de açúcar mais firme.
Oferta restrita pode sustentar preços
Com a colheita avançando lentamente, a oferta de açúcar no mercado interno deve continuar restrita nas próximas semanas. Essa limitação pode dar suporte às cotações, sobretudo se a demanda das indústrias e do varejo permanecer aquecida.
No entanto, o comportamento dos preços dependerá da duração das chuvas e da capacidade das usinas de retomar a moagem. Uma melhora no clima pode acelerar os trabalhos e aumentar a disponibilidade de produto no mercado spot.
Etanol tem negócios aquecidos
O mercado de etanol apresenta ritmo de negócios mais intenso. Um dos fatores é a valorização do petróleo, que melhora a competitividade do biocombustível em relação aos combustíveis fósseis.
A proximidade do feriado nacional de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, também estimulou a procura. As distribuidoras demonstraram maior interesse na aquisição de novos volumes para atender ao possível aumento do consumo durante o período de viagens.
Principais fatores no radar do setor
- Volume de chuvas em São Paulo e impacto sobre a colheita;
- Ritmo de moagem das usinas e disponibilidade de cana;
- Rendimento da matéria-prima na produção de açúcar cristal;
- Preços do petróleo e competitividade do etanol;
- Demanda das distribuidoras antes do feriado de 12 de outubro.
O que esperar do mercado
A combinação entre chuvas, menor ritmo de moagem e possibilidade de adiamento da colheita mantém o açúcar cristal sob pressão de oferta. Por isso, os preços podem continuar firmes no curto prazo, embora a evolução do clima seja decisiva para os próximos movimentos.
Para o etanol, a demanda das distribuidoras e a valorização do petróleo oferecem suporte às negociações. Ainda assim, o mercado deve acompanhar a retomada das atividades nas usinas e a evolução dos preços do hidratado, que apresentou queda na última semana.
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