Nem sempre os sintomas de uma doença da soja aparecem na parte externa da planta. É isso que torna a podridão-parda da haste da soja difícil de perceber: o dano começa no interior da haste, e o escurecimento da medula pode surgir antes de qualquer sintoma nas folhas. 

Neste conteúdo, você vai ver como identificar essa doença pelo corte da haste, quais condições favorecem sua ocorrência e como reduzir o impacto dela na lavoura. 

Ficha rápida: podridão-parda da haste da soja 

Agente causal Cadophora gregata  (sin. Phialophora gregata) 
Primeiro relato no Brasil No Rio Grande do Sul no início da década de 1990. 
 Ocorrência histórica  Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no sul do Paraná 
Condição  favoráveis Temperaturas amenas, entre 15°C e 27°C,  associadas a alta umidade do solo após o florescimento 
 Surgimento dos sintomas  A partir do enchimento de grãos (R5); o escurecimento da medula pode ocorrer antes 
Diagnóstico Corte longitudinal da haste: escurecimento da medula e do sistema vascular, sem sintoma externo 
Interação relevante nematoide-de-cisto-da-soja O nematoide-de-cisto-da-soja (Heterodera glycines) aumenta a severidade da doença 
Principais ferramentas de manejo  Cultivares resistentes, associadas à rotação por no mínimo três anos com culturas não hospedeiras 

Principais pontos 

  • O dano começa dentro da haste: o escurecimento da medula pode surgir antes dos sintomas foliares, que costumam aparecer a partir do enchimento de grãos (R5). 
  • O diagnóstico confiável exige o corte longitudinal da haste, e não apenas a observação das folhas. 
  • A condição de maior são temperaturas amenas, entre 15°C e 27°C, associadas a alta umidade do solo após o florescimento. 
  • Em cultivares suscetíveis, a doença já causou perdas de 22% a 35% de rendimento, dependendo do ciclo da cultivar, segundo dados históricos da Embrapa. 
  • A presença do nematoide-de-cisto-da-soja aumenta a severidade da doença, por isso o controle do nematoide contribui para o manejo. 

O que é a podridão-parda da haste e quem a causa 

Antes de falar em sintomas e manejo, é importante entender a origem dessa doença. Vale entender também como o fungo se instala na planta. Na maioria dos casos, a colonização ocorre de forma silenciosa, sem sinais visíveis nas fases iniciais. 

Agente causal e histórico no Brasil 

A podridão-parda da hasteé causada pelo fungo ascomiceto Cadophora gregata. No Brasil, a doença foi identificada pela primeira vez no Rio Grande do Sul no início da década de 1990. 

Sua maior prevalência ocorre no  Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no sul do Paraná 

A condição de maior risco é a ocorrência de temperaturas amenas, entre 15°C e 27°C,  associadas a alta umidade do solo após o florescimento. Essa faixa favorece a colonização vascular pelo fungo.  

Embora atualmente controlada no Brasil, principalmente pelo uso generalizado de cultivares resistentes, a doença pode voltar a causar perdas em áreas com cultivares suscetíveis e sem rotação de culturas. 

Como o fungo coloniza a planta 

O patógeno sobrevive no solo e em restos culturais. Por isso, a ausência de um hospedeiro não elimina o inóculo presente na área. A penetração ocorre pelas raízes, com colonização ascendente do xilema. 

 Após a infecção das raízes, o fungo passa por uma fase latente que pode durar semanas. Os sintomas externos surgem a partir do enchimento de grãos (R5), e o escurecimento interno da haste pode antecedê-los. 

Leia também: Doenças foliares da soja: características, danos e técnicas de manejo indicadas 

Como identificar a podridão-parda da haste no campo 

Reconhecer a podridão-parda da haste exige ir além da observação das folhas da soja. Os sintomas externos podem ser confundidos com outros problemas. Por isso, o diagnóstico definitivo depende do corte da haste durante o monitoramento da lavoura. 

Sintomas externos: o que ver na folhagem 

Na parte aérea, os sinais mais comuns são: 

  • Amarelecimento internerval, com as nervuras permanecendo verdes enquanto os espaços entre elas ficam amarelados, padrão que pode ser confundido com estresse nutricional e com outras doenças, como a podridão vermelha da raiz e o cancro-da-haste. 
  • Necrose internerval, que confere às folhas o aspecto conhecido como ‘folha carijó’. 
  • Queda precoce de folhase, em casos severos, há intensa queda de vagens. 
  • Murcha, em casos extremos, sintoma difícil de diferenciar de Phytophthora apenas pela observação externa. 

Diagnóstico definitivo: o corte longitudinal da haste 

O exame mais confiável para confirmar a podridão-parda da haste é o corte longitudinal.  

O corte deve ser feito com canivete ou lâmina afiada, a partir da base da haste. O que se deve observar é a  escurecimento castanho do tecido interno, atingindo a medula e o  sistema vascular. 

 A doença não apresenta sintoma externo na haste. Essa é uma marca característica da podridão-parda da haste.  

No entanto, é importante diferenciar esse quadro da podridão-radicular-de-fitóftora (Phytophthora sojae). A podridão vermelha da raiz também causa “folha carijó”, mas apresenta lesões na raiz principal e na base da haste. 

 Em caso de dúvida, é recomendável coletar uma amostra da haste sintomática e encaminhá-la a um laboratório de fitopatologia para confirmação. 

Haste de soja cortada longitudinalmente mostrando a medula escurecida pela podridão-parda

Condições que favorecem a podridão-parda da haste 

A ocorrência e a severidade da podridão-parda da haste não dependem só da presença do fungo no solo. As condições ambientais e a interação com outros patógenos do sistema radicular também têm papel decisivo na pressão da doença. 

Temperatura como fator determinante 

Segundo referências técnicas da Embrapa, a faixa de temperatura ideal para o desenvolvimento da doença fica entre 15°C e 27°C, com ausência de sintomas foliares acima de 35°C.  

No Sul do Brasil, temperaturas amenas e alta umidade do solo durante o período reprodutivo favorecem a manifestação da doença. Em safras com calor intenso e seca, os sintomas tendem a ser menos expressivos.Historicamente, em cultivares suscetíveis, a doença já foi responsável por reduções médias de rendimento de 22% em cultivares de ciclo precoce, 27% em ciclo médio e 35% em ciclo tardio, em estudos conduzidos em Passo Fundo (RS). 

Interação com nematoide-de-cisto-da-soja 

Estudos indicam que o parasitismo pelo nematoide-de-cisto-da-soja (Heterodera glycines) aumenta a incidência e a severidade da podridão-parda da haste, inclusive em cultivares resistentes, com colonização mais precoce da haste pelo fungo.  

Por isso, em áreas com histórico do nematoide, o monitoramento da doença deve ser intensificado, e o controle do nematoide contribui para reduzir sua severidade. 

O mecanismo por trás disso é direto: os danos causados pelo nematoide nas raízes da soja criam uma porta de entrada adicional para o fungo. 

Por isso, em áreas com histórico de nematoide-de-cisto-da-soja, é recomendável monitorar com atenção redobrada a ocorrência de podridão-parda da haste. Controlar o nematoide, nesses casos, também ajuda a reduzir a pressão da doença. 

Como manejar a podridão-parda da haste 

O manejo da podridão-parda da haste não depende de uma única solução. Ele exige uma combinação de estratégias que atuam antes, durante e depois do plantio, começando pela escolha da cultivar. 

Cultivares resistentes: a principal ferramenta 

Em áreas com histórico da doença, é recomendável priorizar cultivares resistentes. A informação sobre a reação à podridão-parda da haste integra os requisitos de registro de cultivares de soja no MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) e deve ser consultada junto ao obtentor.Rotação de culturas e redução do inóculo 

Milho, trigo e pastagens não são hospedeiros de C. gregata. Por isso, são aliados importantes na redução do inóculo presente nos restos culturais e no solo ao longo dos ciclos de cultivo. 

Uma rotação de pelo menos três anos  com culturas não hospedeiras geralmente reduz a incidência e a severidade da doença. 

A integração lavoura-pecuária é uma boa oportunidade nesse sentido. Afinal, a rotação com gramíneas contribui não apenas para o manejo da doença, mas também para a saúde geral do solo. 

Manejo do solo 

Do lado do manejo do solo, práticas que favorecem o desenvolvimento radicular, como a correção da acidez do solo e a prevenção da compactação, contribuem para o equilíbrio do sistema produtivo. 

Incorporar o corte longitudinal da haste como prática de rotina no diagnóstico de campo, combinado com cultivares resistentes, rotação de culturas e manejo adequado do solo, é o caminho mais consistente para reduzir o impacto dessa doença na lavoura. 

A Syngenta ao lado do produtor de soja 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

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Perguntas frequentes 

1. É possível identificar a podridão-parda da haste só olhando a folhagem? 

Não de forma conclusiva..Os sintomas foliares (amarelecimento internerval, necrose, murcha) podem ser confundidos com outras doenças. O diagnóstico confiável exige o corte longitudinal da haste, observando a descoloração interna da medula. 

2. A doença precisa de frio extremo para se desenvolver? 

Não. A faixa de temperatura ideal para o desenvolvimento do fungo é entre 15°C e 27°C, uma condição amena, não um frio extremo.  

3. Quando a podridão-parda da haste foi identificada pela primeira vez no Brasil? 

 No início da década de 1990, no Rio Grande do Sul. Na época, a doença foi predominante em cultivares suscetíveis no Sul do país e hoje encontra-se controlada principalmente pelo uso de cultivares resistentes. 

4. Controlar o nematoide de cisto ajuda a reduzir essa doença? 

Sim. Estudos indicam que o parasitismo pelo nematoide-de-cisto-da-soja aumenta a incidência e a severidade da podridão-parda da haste, favorecendo a colonização mais precoce da haste pelo fungo. Reduzir a população do nematoide contribui para reduzir a severidade da doença. 

5. Qual é a principal ferramenta de manejo dessa doença? 

O uso de cultivares resistentes, verificado nos descritores fornecidos pela empresa responsável pela semente. Rotação com culturas não hospedeiras e manejo adequado do solo completam o programa.