O uso de produtos biológicos no controle de pragas do milho, um dos pilares Manejo Integrado de Pragas (MIP), tem se mostrado uma resposta estratégica ao crescente desafio de pragas-chave da cultura, como a cigarrinha-do-milho e o complexo de percevejos.
Por meio de inseticidas microbiológicos, essa abordagem utiliza a força da própria natureza para oferecer um controle preciso e sustentável, ajudando a preservar o equilíbrio do agroecossistema.
A crescente adoção dessa tecnologia no campo não é por acaso: ela representa a evolução do manejo fitossanitário.
Continue a leitura para descobrir como essa ferramenta inovadora funciona na prática, superando os desafios do milho e conhecendo uma solução que une o máximo controle com a máxima praticidade.
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Principais desafios no controle de pragas do milho
Atingir o máximo potencial produtivo na cultura do milho exige superar barreiras fitossanitárias complexas. Do momento em que a plântula emerge até a fase final de enchimento dos grãos, a lavoura está sob a mira de um diversificado grupo de insetos-praga.
Esses organismos representam um dos maiores entraves para a rentabilidade e a produtividade do milho, com potencial para causar danos diretos e indiretos que impactam severamente a colheita.
Nas últimas safras, duas ameaças principais se consolidaram como os maiores desafios para os produtores: a cigarrinha-do-milho, devido ao seu papel como vetor de doenças, e o complexo de percevejos, pelo seu ataque agressivo nos estágios iniciais da cultura.
A cigarrinha-do-milho e o complexo de enfezamentos
A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) tornou-se a praga-chave da cultura do milho nas últimas safras, não tanto pelo dano direto de sua alimentação, mas por ser uma das principais transmissoras de patógenos que causam o complexo de enfezamentos.

Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis).
Ao se alimentar de plantas infectadas, a cigarrinha adquire os molicutes e os transmite de forma persistente para plantas sadias ao longo de sua vida. Esses patógenos causam duas doenças principais com sintomas severos na cultura do milho:
- O enfezamento pálido (Spiroplasma kunkelii): caracteriza-se pelo surgimento de estrias cloróticas (esbranquiçadas ou amareladas) que começam na base das folhas e se estendem em direção à ponta.
- O enfezamento vermelho (Phytoplasma spp.): caracteriza-se pelo surgimento de um avermelhamento ou arroxeamento intenso das folhas, que geralmente começa pelas bordas.

Danos causados pelo ataque da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis).
Ambas as doenças do milho resultam em plantas com altura reduzida, entrenós encurtados, má formação, proliferação de espigas e grãos chochos ou malformados. Uma infecção precoce pode levar a perdas de produtividade que superam 70%, tornando o controle do inseto-vetor a única estratégia viável para o manejo da doença.
O complexo de percevejos e seus danos à cultura do milho
Consolidados como uma grande ameaça, o percevejo-marrom (Euschistus heros) e o percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus) causam os maiores prejuízos durante o estabelecimento da cultura. O período mais crítico ocorre logo após a emergência, até o estádio V5 (cinco folhas expandidas).

Percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus) em folha de milho.
Escondidos na palhada ou em restos culturais, os percevejos atacam a base do colmo da plântula para sugar a seiva. Durante a alimentação, injetam uma saliva tóxica que necrosa os tecidos internos e causa distúrbios fisiológicos profundos.
Os sintomas clássicos desse ataque incluem:
- Folhas perfuradas: após o desenrolar, as folhas exibem furos simétricos e transversais.
- “Encharutamento”: as folhas centrais não conseguem se expandir, ficando enroladas dentro do cartucho, o que dá à planta uma aparência de charuto.
- Perfilhamento intenso: a planta tenta compensar o dano no seu ponto de crescimento emitindo múltiplos perfilhos, que geralmente são improdutivos.

Folha de milho apresentando danos causados pelo ataque de percevejos.
Esse dano inicial pode levar à morte da plântula ou à formação de uma planta “dominada”, incapaz de competir por luz e nutrientes, comprometendo drasticamente o estande final e o potencial produtivo da lavoura.
Pragas secundárias do milho também preocupam produtores
Além da cigarrinha-do-milho e do complexo de percevejos, também existem outras pragas secundárias do milho que merecem destaque. São eles o ácaro-rajado (Tetranychus urticae) e o pulgão-verde-dos-cereais (Rhopalosiphum graminum).
O ácaro-rajado prolifera em condições de clima seco e quente. Ao sugar o conteúdo celular das folhas, causa pontos esbranquiçados ou amarelados que coalescem e deixam a folha com aspecto “bronzeado” ou “carijó”. Esses sintomas prejudicam a capacidade fotossintética das plantas e antecipam a senescência das folhas.
Já o pulgão-verde-dos-cereais, além de sugar a seiva e enfraquecer as plantas, excreta um líquido açucarado, conhecido como “honeydew”. Essa substância favorece o crescimento do fungo fuliginoso (fumagina), que forma uma camada preta sobre as folhas, prejudicando a fotossíntese das plantas.
Visto tamanha complexidade do manejo fitossanitário no milho, torna-se, portanto, fundamental construir um sistema de defesa mais estratégico e resiliente. Para isso, o uso de biológicos no milho tem ganhado cada vez mais destaque dentro dos programas de manejo fitossanitário.
Construindo uma defesa inteligente: o papel dos biológicos no MIP do milho
Diante de pragas cada vez mais adaptadas e resistentes, para proteger a produtividade do milho de forma duradoura, é preciso adotar um manejo fitossanitário mais estratégico e resiliente.
É aqui que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) no milho se torna a base de uma lavoura moderna e os produtos biológicos, um de seus pilares mais importantes.
Eles atuam como ferramentas complementares e sinérgicas, ajudando a impedir que pragas, como a cigarrinha e os percevejos, atinjam níveis de dano econômico. Seu uso contribui para a construção de um sistema produtivo mais resiliente, valendo-se de mecanismos de ação que a própria natureza desenvolveu para controlar os insetos.
As vantagens estratégicas dos bioinsumos no manejo do milho
A crescente adoção de produtos biológicos é impulsionada por uma série de vantagens que vão muito além do controle de pragas. Eles são insumos estratégicos que trazem mais eficiência e sustentabilidade ao manejo fitossanitário do produtor.
Uma das principais vantagens do uso de biológicos para o controle de pragas do milho é a sua alta seletividade e especificidade. Produtos biológicos atuam sobre alvos específicos sem afetar inimigos naturais, como joaninhas, crisopídeos e vespas parasitoides, que são aliados valiosos do produtor no controle natural de pragas.
Além disso, ao serem rotacionados com os químicos, os biológicos desempenham um papel fundamental no manejo antirresistência. Eles diminuem a pressão de seleção sobre as moléculas sintéticas, ajudando a proteger a eficácia dessas tecnologias e a prolongar sua vida útil, um benefício econômico e agronômico de longo prazo.
Complementarmente, seus diferentes modos de ação criam um sistema de controle muito mais robusto e eficaz. Essa abordagem integrada eleva o patamar de controle, especialmente contra pragas do milho de difícil controle.
NETURE™: o biológico que abre novos horizontes no controle de pragas do milho
NETURE™ é um inseticida microbiológico de alta performance, desenvolvido pela Syngenta para oferecer uma nova perspectiva no controle dos sugadores que mais desafiam a cultura do milho.
Esse bioinseticida representa a evolução do controle biológico. Sua formulação foi pensada para se integrar perfeitamente ao MIP do milho, atuando em sinergia com outras práticas de manejo para proteger o potencial produtivo da lavoura de forma sustentável.
A tecnologia inovadora por trás de NETURE™ para o controle da cigarrinha-do-milho, percevejos e outras pragas do milho
A eficácia de NETURE™ está na combinação sinérgica de duas espécies de bactérias com múltiplos modos de ação: a Pseudomonas chlororaphis e a Pseudomonas fluorescens.
O Pseudomonas chlororaphis produz metabólitos e proteínas inseticidas específicas. Quando ingeridas pelas pragas, essas substâncias interrompem a alimentação e atuam sobre o sistema nervoso das pragas, levando os insetos à morte. Esse ataque em duas frentes confere um controle mais rápido e efetivo.
Complementarmente, o Pseudomonas fluorescens ainda promove o crescimento do milho. Esse efeito bioestimulante resulta em um melhor estabelecimento da cultura e maior vigor vegetativo, tornando as plantas mais tolerantes aos estresses causados pelas pragas.
Essa formulação única foi desenvolvida para o controle das principais pragas do milho, incluindo:
- a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis);
- o percevejo-marrom (Euschistus heros);
- o percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus);
- o ácaro-rajado (Tetranychus urticae);
- o pulgão-verde-dos-cereais (Rhopalosiphum graminum).
Máxima praticidade para o manejo no campo
Aliado a todos os benefícios agronômicos, NETURE™ foi projetado para a realidade do produtor rural. Um de seus grandes diferenciais é a praticidade de uso: o produto deve ser mantido em temperatura ambiente, eliminando a necessidade de armazenamento refrigerado e facilitando toda a logística na fazenda.
Além disso, sua compatibilidade em misturas de tanque com outros defensivos químicos permite otimizar as operações, reduzindo o número de entradas na lavoura e economizando tempo e recursos.
Portanto, a incorporação de uma tecnologia como NETURE™ ao MIP do milho representa um novo horizonte para a proteção da cultura.
NETURE™ oferece não apenas um controle eficaz sobre as principais pragas do milho, mas também promove a saúde das plantas e a sustentabilidade do sistema produtivo, consolidando-se como uma ferramenta indispensável para um manejo de alta performance.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
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