10/04/2026

Mercado e safra

Exportações do agro batem recorde em 2025, mas acordo EUA-China lança incertezas sobre 2026 

Apesar do faturamento histórico, a retomada do compromisso chinês com o grão americano coloca em xeque a competitividade do principal produto da pauta exportadora nacional. 

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20/03/2026 • Mercado e safra

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10/04/2026

Exportações do agro batem recorde em 2025, mas acordo EUA-China lança incertezas sobre 2026 

Apesar do faturamento histórico, a retomada do compromisso chinês com o grão americano coloca em xeque a competitividade do principal produto da pauta exportadora nacional. ...

soja foi o grande motor do agronegócio brasileiro em 2025, garantindo ao setor um encerramento de ano robusto no mercado internacional. Com a commodity mantendo o protagonismo da pauta exportadora, o agro como um todo alcançou um faturamento recorde de US$ 169 bilhões, segundo dados do Cepea-Esalq/USP, representando uma alta de 3% em relação ao ano anterior.  

O desempenho histórico foi sustentado principalmente pelo aumento de 3,4% no volume de embarques, reforçando a resiliência da produção nacional mesmo diante de tarifas adicionais e disputas geopolíticas com os Estados Unidos. No entanto, o cenário de incertezas para 2026 cresce à medida que a China sinaliza uma maior abertura ao mercado americano, o que pode pressionar os prêmios e as margens dos produtores brasileiros no segundo semestre. 

Acordo EUA-China muda o jogo para 2026 

Apesar do desempenho positivo, o horizonte para 2026 começa a se desenhar com maior grau de incerteza. Um acordo firmado entre China e Estados Unidos prevê a compra anual de 25 milhões de toneladas de soja americana entre 2026 e 2028. 

Esse compromisso pode alterar o fluxo global da commodity, reduzindo a dependência chinesa do produto brasileiro, especialmente no segundo semestre, período tradicionalmente mais favorável às exportações dos Estados Unidos. 

Na prática, isso tende a pressionar o chamado “prêmio da soja brasileira”, indicador que reflete a diferença de preço em relação às cotações internacionais. Com maior oferta americana direcionada à China, o Brasil pode enfrentar um ambiente de preços mais desafiador. 

Impactos esperados no mercado 

A possível mudança no comportamento de compra da China levanta alertas para produtores, tradings e analistas de mercado. Entre os principais efeitos esperados, destacam-se: 

  • Maior concorrência com a soja americana no mercado chinês. 
  • Pressão sobre margens do produtor, especialmente em cenários de custos elevados. 
  • Necessidade de buscar novos mercados ou de fortalecer destinos já consolidados. 

Ainda que o impacto não seja imediato, o movimento exige atenção estratégica por parte dos agentes do setor, sobretudo no planejamento da safra 2026/27. 

Diversificação e diferenciação como estratégia 

A ampliação de parcerias comerciais com outros países asiáticos, além de regiões como Oriente Médio e Europa, surge como alternativa para reduzir a dependência do mercado chinês, responsável pela compra de cerca de 80% da soja brasileira na atualidade.  

Vale destacar que o agronegócio brasileiro, recentemente, ampliou significativamente o seu mercado, encontrando em países como Índia e Vietnã novos importantes consumidores 

O jogo muda e o Brasil deixa de jogar sozinho 

O novo acordo entre China e Estados Unidos não tira o Brasil do mapa, mas muda a lógica do jogo. Durante anos, nosso país operou com uma espécie de vantagem estrutural no segundo semestre, quase como um “espaço garantido” na demanda chinesa. Esse conforto agora pode entrar em xeque. 

Com os americanos retomando protagonismo nesse período, o mercado tende a ficar mais disputado e menos previsível. E isso não mexe só com preço, mas com timing, com negociação e com poder de barganha. 

No fim das contas, 2026 não começa com uma crise, mas sim como um aviso: a era em que a soja brasileira “se vendia sozinha” pode estar ficando para trás. 

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