A safrinha de milho enfrenta um cenário desafiador após as adversidades climáticas observadas nas diferentes regiões produtoras durante a safra de soja. 

As questões climáticas, como irregularidades nas chuvas e variações de temperatura, têm sido fatores determinantes nos resultados das colheitas. Diante desse contexto, é crucial analisar como esses desafios influenciarão o início do cultivo do milho, especialmente o milho 2ª safra, que hoje ocupa o lugar de maior volume de cereal produzido no país.

A escolha da janela ideal de plantio é um dos aspectos mais críticos para assegurar o sucesso da safra. Agricultores precisam considerar cuidadosamente o momento propício para garantir que as condições sejam favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, evitando que os períodos críticos da cultura, principalmente florescimento e enchimento de grãos, coincidam com condições climáticas desfavoráveis. Nesse contexto, em função do panorama que se desenha para a safra 2024, o cereal pode surpreender.

O que esperar da produção de milho no Brasil neste ano? Continue a leitura e confira!

Expectativas para a produção de milho no Brasil na safra 2023/24

A área total de milho no Brasil está amplamente vinculada à extensão da safra de milho safrinha, iniciada no mês de janeiro após a colheita da soja. No ano anterior, a safra de milho safrinha abrangeu 17,2 milhões de hectares, representando 78% da área total de milho. 

Para a safra 2023/24, a expectativa divulgada pela Conab no boletim de janeiro é de uma colheita de 117,6 milhões de toneladas. Desse montante, estima-se que 24,4 milhões de toneladas correspondam à produção do milho 1ª safra, enquanto o maior volume, 91,2 milhões de toneladas, são projetados para o milho 2ª safra.

Contudo, a previsão para a safra de milho safrinha deste ano é de 16,4 milhões de 

hectares, indicando uma redução de 4,5% em comparação com a safra anterior.

Segundo o último relatório da USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o potencial de rendimento da primeira safra de milho foi prejudicado por condições adversas, como altas temperaturas e seca no leste do Brasil, e excesso de umidade nos Estados do sul, especialmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde, aproximadamente, 30% da produção da primeira safra pode ser impactada. 

Chuvas excepcionais no Sul do Brasil durante fases críticas da reprodução resultaram em falhas na polinização em algumas regiões.

Com o início do plantio da safrinha, as chuvas se normalizaram no último mês no Centro-Oeste, proporcionando uma melhoria na umidade do solo. Contudo, para a safrinha atingir seu pleno potencial, é crucial que as precipitações continuem até o final de maio.

Panorama milho 1ª safra nas principais regiões produtoras

Conforme os últimos dados divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a finalização da colheita do milho 1ª safra apresenta cenários distintos nas principais regiões produtoras do Brasil.

Com 13,8% do total das lavouras já colhidas, Minas Gerais enfrentou resultados aquém das expectativas devido a adversidades climáticas, enquanto no Rio Grande do Sul, o tempo seco favoreceu a colheita, embora as produtividades estejam abaixo do potencial. 

Na Bahia, a irregularidade das chuvas causou atraso no desenvolvimento das lavouras, enquanto no Piauí, o plantio no sudoeste foi concluído com boas condições.

No Paraná, as condições favorecem a evolução da colheita, embora a redução das precipitações afete parte das lavouras em enchimento de grãos. 

Santa Catarina registra redução do potencial produtivo nas primeiras áreas colhidas, ao mesmo tempo que o Maranhão, com o plantio em andamento, tem seu desenvolvimento favorecido pelas precipitações. 

Em Goiás, as chuvas beneficiam as lavouras em enchimento de grãos, mas, no Pará, o plantio está atrasado devido à irregularidade das precipitações.

Quanto à fenologia das lavouras, destaca-se que a maior parcela encontra-se no estádio de desenvolvimento vegetativo, representando 30,2% do total. Em seguida, 24,1% das áreas estão em fase de maturação, 21% em estágio de enchimento de grãos e 2,9% ainda se encontram na fase inicial de emergência.

Avanço da colheita do milho 1ª safra e da semeadura do milho safrinha

É relevante destacar que tanto o milho 1ª safra quanto o milho 2ª safra apresentam percentuais de colheita e semeadura, respectivamente, adiantados em comparação à safra anterior

Quanto à colheita do milho 1ª safra, destaca-se que os Estados de São Paulo (10%), Paraná (19%), Santa Catarina (20%) e Rio Grande do Sul (40%) apresentam um avanço significativo em comparação com a safra anterior. No equivalente período de 2023, apenas 9,1% das áreas estavam colhidas, enquanto na safra de 2024, esse percentual se aproxima de 14%, evidenciando um aumento no ritmo da colheita.

No caso da semeadura do milho 2ª safra, no ano agrícola de 2023, o Paraná havia semeado apenas 3% da área, enquanto, na safra de 2024, já foram implantadas 22% das áreas. Essa tendência de avanço também se reflete nos Estados de Tocantins, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, evidenciando um aumento de 85% na semeadura em comparação ao mesmo período do ano anterior.

E o milho safrinha?

Quanto ao milho 2ª safra ou safrinha, que está 19,8% semeado, Mato Grosso registra redução nas precipitações, favorecendo o plantio e o desenvolvimento inicial. 

Das lavouras implantadas, 45,7% encontram-se atualmente na fase de emergência, enquanto 54,3% das áreas estão em pleno desenvolvimento vegetativo. Esse percentual de semeadura do milho safrinha posiciona a safra 2024 como a mais adiantada da história, principalmente para a região Centro-Oeste do país.

No Paraná, o estabelecimento inicial da cultura é considerado satisfatório, ao mesmo tempo em que, no Mato Grosso do Sul, a baixa umidade do solo dificulta a implantação da cultura em algumas áreas. 

Em Goiás, as precipitações beneficiam o estabelecimento inicial das lavouras e, em Minas Gerais, o plantio teve início. No Maranhão, na região de Balsas, o plantio é favorecido pelas precipitações.

Milho safrinha: clima e preços influenciam decisão de implantação das lavouras

No estágio inicial do cultivo de milho, a escolha do momento certo para o plantio é crucial. A janela ideal de plantio influencia diretamente o desenvolvimento saudável das plantas e a produtividade da safra.

A antecipação da safra de milho no Brasil na safra 2024 pode ter papel importante no desempenho da cultura em função da dinâmica climática específica das regiões produtoras. 

A chamada “safrinha”, plantada após a colheita da soja, busca aproveitar o início do ciclo antes que a diminuição das chuvas no Centro-Oeste afete a umidade necessária para o desenvolvimento das lavouras. O plantio precoce reduz significativamente o risco de escassez hídrica, especialmente na principal região produtora do país.

No Sul do Brasil, um ciclo antecipado também contribui para minimizar os impactos potenciais das geadas. Para boa parte da segunda safra no centro-sul, o período ideal de plantio se estende até o final de fevereiro, embora algumas regiões possam realizar o plantio até 10-15 de março.

No contexto da safra atual, o atraso no plantio da soja, especialmente no Mato Grosso, gerou preocupações sobre a janela de cultivo do milho. No entanto, o clima quente e seco que prejudicou a safra de soja também acelerou seu ciclo, permitindo o plantio do milho sem atrasos significativos.

Além disso, a elevação dos preços do milho no final do ano motivou parte dos produtores a ampliar a área plantada em relação ao planejado inicialmente, evidenciando a influência positiva dos preços favoráveis na tomada de decisão para a implantação da cultura.

Desafios da próxima safra de milho

Os desafios do milho safrinha certamente estarão em torno do clima e da sua influência no desenvolvimento da cultura, especialmente em fases críticas de desenvolvimento e da sua relação com a ocorrência de pragas e doenças nas lavouras

Em relação ao clima, de acordo com os últimos dados disponibilizados pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), a previsão destaca uma maior probabilidade de chuvas abaixo da média nas regiões central, norte e leste do Brasil (marcadas em amarelo/laranja), indicando características típicas de El Niño. 

Previsão Climática sazonal por tercil (categorias abaixo da faixa normal, dentro da faixa normal e acima da faixa normal), gerada pelo método objetivo (CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME). As áreas em branco indicam igual probabilidade para as três categorias. Fonte: INMET, 2024.
Previsão Climática sazonal por tercil (categorias abaixo da faixa normal, dentro da faixa normal e acima da faixa normal), gerada pelo método objetivo (CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME). As áreas em branco indicam igual probabilidade para as três categorias. Fonte: INMET, 2024.

Em áreas em azul, abrangendo parte da Região Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo e oeste da Região Norte, há maior probabilidade de chuvas acima da média. Nas áreas em branco, a probabilidade é igual para as três categorias.

A confiabilidade é menor na faixa central do país, mas o período é geralmente chuvoso, aumentando a possibilidade de chuvas acima da média. 

No norte do Nordeste, onde se inicia o período chuvoso, a tendência é de chuvas abaixo da média, com a possibilidade de normalidade devido ao aquecimento generalizado no oceano Atlântico Tropical. A previsão de temperatura sugere uma maior probabilidade de valores acima da faixa normal em grande parte do país.

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