O mercado global de fertilizantes passou por uma forte movimentação ao longo do primeiro semestre de 2026, criando um cenário de extremos. Para o produtor brasileiro, essa virada de chave acende o alerta máximo para o planejamento das safras de verão e inverno de 2026/2027.
De um lado, vemos uma pressão de baixa e maior disponibilidade nos nitrogenados; do outro, uma crise crônica de oferta que sustenta os fosfatados em patamares elevadíssimos. Entender esse tabuleiro global é o primeiro passo para tentar defender as margens da fazenda.
O alívio nos nitrogenados: oferta em alta e demanda retraída
Do lado dos nitrogenados, o aumento da oferta global pressionou os preços para baixo ao longo de junho. A breve retomada da navegação no Estreito de Ormuz liberou a movimentação de aproximadamente 2 milhões de toneladas de fertilizantes que estavam parados nos navios. Somado a isso, a China estabeleceu uma cota de exportação de 2,8 milhões de toneladas de nitrogenados até setembro, medida que ainda pode ser estendida até dezembro.
Aqui no Brasil, os reflexos foram claros: a ureia encerrou o último mês cotada a USD 395 por tonelada, um tombo de 52% em relação ao pico de abril. Embora a recente desestabilização do acordo de paz no Oriente Médio tenha voltado a oferecer algum suporte de risco, a ampla oferta internacional mantém as cotações orbitando a casa dos USD 410 por tonelada.
E não é apenas a oferta que cresceu; a demanda externa enfraqueceu drasticamente. A janela de aquisições do Hemisfério Norte já passou, e a produção agrícola na Europa e na Ásia está sob sério risco climático, o que deve forçar essas regiões a consumirem menos adubo. Com a Índia segurando sua próxima grande licitação para a virada de julho para agosto, os olhares (e o interesse) dos grandes players mundiais começam a se voltar com força para o mercado brasileiro.
O alerta vermelho dos fosfatados
Se há um fôlego nos nitrogenados, os fosfatados exigem atenção total. Os preços do enxofre — insumo base para a formulação — continuam em disparada e atingiram a máxima histórica de USD 1.300 por tonelada.
Esse custo exorbitante de produção restringe a fabricação de fosfatados no mundo inteiro. O resultado é um mercado operando em um cenário de déficit crônico de oferta e preços elevadíssimos sustentados pela escassez física do produto.
O que fazer agora? Três frentes de ação para o seu planejamento
Hoje, a comercialização de fertilizantes para a nossa safra de verão está na casa dos 71%, mas as compras para a safra de inverno 26/27 atingiram apenas 26%. Diante dessa complexidade externa, o produtor precisa agir em três frentes táticas:
- Travar os custos da segunda safra: Aproveite o atual momento de pressão negativa nos preços dos nitrogenados para garantir os volumes e travar os custos da segunda safra 26/27.
- Garantir a entrega para o verão: O déficit global de oferta de fosfatados é real e a produção está restrita. Garanta imediatamente a entrega física do adubo pendente para o plantio de verão. Não há espaço para apostar em quedas de preço de última hora neste segmento.
- Preparar o caixa e o crédito: Com o mercado internacional voltando os olhos para o Brasil, as janelas de oportunidade de compra (especialmente para os nitrogenados) vão exigir agilidade. Estruturar suas operações de crédito com antecedência trará a liquidez rápida necessária para fechar os melhores negócios.
A dinâmica internacional prova que o mercado não perdoa atrasos. A antecipação continua sendo a principal ferramenta tecnológica e financeira para proteger a sua rentabilidade.


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