A safra de algodão 2025/26 entra na reta final da colheita e confirma o melhor resultado da série histórica. Mesmo com uma área menor, a cotonicultura brasileira superou o volume da temporada anterior. É o que aponta o 12º Boletim da Safra de Grãos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), divulgado em setembro de 2026.
Segundo o acompanhamento semanal de progresso de safra da Conab, até 11 de setembro, 95,6% da área total já havia sido colhida, com as operações finalizadas no Piauí, no Paraná, no Pará e em São Paulo. As áreas remanescentes estavam previstas para colheita ao longo de setembro, abrindo caminho para o período de vazio sanitário.
Segundo a Conab, a área destinada à cultura recuou na safra 2025/26, enquanto a produtividade média atingiu o maior patamar já registrado. O saldo é uma produção estimada em 4.143,8 mil toneladas de pluma, 1,5% acima do ciclo passado.
Neste conteúdo, você vai conferir os resultados da safra de algodão 2025/26, como clima, sanidade e nível tecnológico influenciaram a produtividade nas principais regiões produtoras, o que a qualidade da fibra revela sobre a competitividade da pluma brasileira, como a produtividade compensou a alta dos custos, a posição do Brasil no mercado mundial e o que esperar da safra 2026/27.
Acompanhe a análise completa a seguir!
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Produtividade recorde e área reduzida na safra 2025/26
A Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) já projetava, no início do ciclo, retração de área plantada de algodão em resposta ao cenário de mercado e ao aumento dos custos de produção, puxado especialmente pelo custo de fertilizantes e defensivos.
Segundo o 12º levantamento da Conab, a área destinada ao algodão na safra 2025/26 recuou 3,2% em relação à safra anterior, totalizando 2.018,4 mil hectares.
O que não se antecipava com a mesma clareza era a resposta produtiva das lavouras que permaneceram.
A produtividade média estimada pela Conab para a safra 2025/26 foi de 2.053 kg/ha, um avanço de 4,9% em relação à safra anterior e o maior valor da série histórica.
Com isso, a produção alcançou 4.143,8 mil toneladas de pluma, volume 1,5% superior ao da safra 2024/25 e também recorde. No algodão em caroço, a produção soma 5.874,2 mil toneladas, com produtividade de 2.910 kg/ha.

Entre o 11º e o 12º levantamento, a produção passou de 4.084,6 mil para 4.143,8 mil toneladas, com a produtividade subindo de 2.024 kg/ha para 2.053 kg/ha. Ou seja, à medida que a colheita avançou, o desempenho das lavouras superou as estimativas iniciais.
O que o Rally da Safra observou no campo
A leitura de campo reforça o resultado. O Rally da Safra 2026, expedição técnica conduzida pela Agroconsult, percorreu lavouras da Bahia no fim de julho e de Mato Grosso em agosto, cobrindo cerca de 40% e 60% da área plantada em cada estado, respectivamente.
Com metodologia e base de comparação próprias, a consultoria estima a produção brasileira de pluma em 4,41 milhões de toneladas, alta de 3,3% sobre a safra anterior. O número ainda pode crescer entre 90 e 100 mil toneladas, a depender do rendimento de pluma na metade final do beneficiamento: até 25 de setembro, 49% da produção havia sido beneficiada.
O avanço veio dos dois principais estados produtores:
- Mato Grosso: produtividade 7% superior à da safra anterior, mesmo com redução de 9,4% na área plantada;
- Bahia: produtividade 20,7% superior, com área praticamente estável (+0,2%).
Condições climáticas e reflexos por região
Ainda assim, houve variação da produtividade por região e as condições climáticas entraram como principal fator.
No Mato Grosso, precipitações atípicas entre maio e junho favoreceram o desenvolvimento das estruturas reprodutivas. Já em agosto, o clima predominantemente seco e as temperaturas elevadas favoreceram a maturação final das maçãs e abriram boas janelas operacionais para a colheita. As produtividades aferidas superaram os índices da safra anterior, com rendimento de pluma entre 41% e 42%.
No sentido oposto, o Maranhão enfrentou condições desfavoráveis na segunda safra. A interrupção precoce das precipitações entre o fim de abril e maio comprometeu a emissão do ponteiro e reduziu a formação de novas estruturas reprodutivas. No sudoeste de Goiás, períodos de forte restrição hídrica durante a formação das maçãs também limitaram o potencial produtivo.
Na Bahia, o cenário foi o mais favorável. Com o avanço da colheita, a área cultivada foi revisada para cima, confirmando o crescimento em relação à safra passada, resultado da expansão das lavouras irrigadas em contraponto à retração das áreas de sequeiro. Segundo a Agroconsult, a área irrigada no estado cresceu 12%, para 186 mil hectares, enquanto o sequeiro recuou 7%, para 240 mil hectares. Com isso, as lavouras irrigadas já respondem por 44% da área de algodão baiana, ante 29% na safra 2023/24.
A produtividade foi novamente elevada, sustentada pelo alto nível tecnológico empregado e pelos rendimentos verificados nas áreas já colhidas.

A leitura é direta: quem semeou dentro da janela ideal atravessou o ciclo com menos riscos climáticos; quem foi empurrado para fora dela ficou exposto à irregularidade hídrica do fim do ciclo.
Qualidade da fibra por região
Na maioria dos Estados, a combinação de tempo seco na fase de abertura dos capulhos e maturação bem conduzida sustentou expectativa favorável para a qualidade da fibra na safra 2025/26.
O destaque negativo ficou com o Paraná, onde as chuvas na fase final da colheita comprometeram a qualidade da prima, sem impactos relevantes sobre o rendimento. Em Minas Gerais, ao contrário, observou-se qualidade de fibra superior à da safra passada.
De modo geral, as regiões que completaram o ciclo reprodutivo sob condições mais secas saíram na frente. Já as áreas onde a umidade persistiu além do esperado enfrentaram risco para perda da qualidade da fibra.
Custos em alta e rentabilidade sustentada pela produtividade
Passando para a análise econômica, a safra 2025/26 foi marcada pela alta dos custos de produção. Levantamento da Agroconsult para o algodão de segunda safra no Médio Norte de Mato Grosso aponta custo de R$ 14.367 por hectare, 9,4% acima do ciclo anterior, com destaque para os fertilizantes, que avançaram 18,5%.
| Componente do custo (R$/ha) | 2024/25 | 2025/26 |
| Fertilizantes | 2.697 | 3.195 |
| Defensivos | 3.788 | 3.844 |
| Sementes | 1.329 | 1.325 |
| Outros (mão de obra, operações, manutenção) | 4.990 | 5.653 |
| Depreciação | 326 | 350 |
| Total | 13.130 | 14.367 |
Fonte: Agroconsult (setembro/2026). Algodão de segunda safra, Médio Norte de Mato Grosso. Custo desembolso mais depreciação; não considera arrendamento e despesas gerais e administrativas.
Ainda assim, a produtividade foi decisiva para preservar o resultado do produtor. Na mesma região, a rentabilidade do algodão de segunda safra passou de R$ 5.222 para R$ 5.280 por hectare. O aumento dos custos retirou R$ 1.238/ha da margem, enquanto o ganho de produtividade adicionou R$ 1.206/ha e a variação de preços, outros R$ 89/ha.
O resultado mantém o algodão como a opção mais rentável para a segunda safra em Mato Grosso. No sistema soja + algodão, a rentabilidade combinada chegou a R$ 7.252/ha em 2025/26, cerca de 2,2 vezes a do sistema soja + milho (R$ 3.295/ha).
Brasil amplia protagonismo no mercado mundial
Do lado da demanda externa, o quadro é favorável, segundo os últimos dados do levantamento da Conab:
- Exportações somaram 2,08 milhões de toneladas até agosto, alta de 22,2% sobre o mesmo período do ano anterior;
- Projeção de 3,42 milhões de toneladas exportadas no ano, crescimento de 13%;
- Consumo doméstico de pluma deve crescer 2,8%, totalizando cerca de 740 mil toneladas;
- Estoque final projetado em 2,72 milhões de toneladas, redução de 0,48%.
A posição do Brasil no comércio internacional também se consolidou. Segundo a Agroconsult, as exportações brasileiras da temporada comercial 2025/26 superaram em 27% as do segundo maior exportador, os Estados Unidos. Nas últimas três temporadas, o Brasil respondeu, em média, por 35% das exportações mundiais de algodão, ante 27% dos norte-americanos.
O peso dos principais estados produtores ajuda a dimensionar esse avanço
- Mato Grosso, com 2,99 milhões de toneladas, superou a produção dos Estados Unidos (2,79 milhões de toneladas) pela segunda safra consecutiva e ocupa a terceira posição global, atrás apenas de China e Índia;
- Bahia, com 0,98 milhão de toneladas, superou a produção da Austrália na temporada.
Além do volume, pesa a constância de oferta: o Brasil mantém embarques elevados de outubro a junho, o que reforça a confiança dos compradores internacionais. A competitividade de custos completa o quadro.
O ponto de equilíbrio do algodão de segunda safra no Médio Norte de Mato Grosso é estimado em 48 centavos de dólar por libra-peso, sem considerar arrendamento, ante 67 centavos no algodão irrigado do Texas e 55 centavos no Delta do Mississippi.
O ponto de atenção está no mercado interno. A indústria têxtil permanece cautelosa e evita a formação de estoques volumosos, diante da dificuldade de repassar as altas da commodity aos produtos finais. A aplicação de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos têxteis brasileiros também afetou as exportações do setor.
Petróleo, poliéster e novas políticas comerciais
O cenário geopolítico também passou a influenciar o mercado de fibras em 2026. Segundo a Agroconsult, o conflito entre Estados Unidos e Irã e a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz levaram o petróleo a superar US$ 100 por barril e encareceram os fretes marítimos em mais de 30%. Como o poliéster é derivado do petróleo, a fibra sintética ficou mais cara, o que melhora a competitividade relativa do algodão.
Ao mesmo tempo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) lançou, em maio de 2026, o Great American Cotton Plan, programa para estimular a produção, o consumo e as exportações de algodão norte-americano, com o objetivo declarado de recuperar a liderança nas exportações mundiais, posição hoje ocupada pelo Brasil.
Desafios fitossanitários da safra 2025/26: bicudo, lagartas, ramulária e mancha-alvo
Além dos custos, outro desafio foi o cenário fitossanitário da safra 2025/26.
Nas regiões que receberam mais chuva, a maior umidade reduziu a pressão de pragas sugadoras, especialmente ácaros e pulgões, mas elevou a atenção com doenças favorecidas por ambientes úmidos, como a ramulária.
Nas áreas de clima mais seco o efeito se inverteu. Em Mato Grosso do Sul, a alta incidência de pulgões e mosca-branca exigiu menor intervalo entre as intervenções, o que impactou negativamente na produtividade em relação ao levantamento anterior.
Na Bahia, o monitoramento permaneceu intensificado para a mosca-branca, diante da migração de insetos vindos de áreas de soja em final de ciclo, e para o bicudo-do-algodoeiro, com maior pressão em algumas áreas, porém sem registros de danos econômicos relevantes.

Junto ao bicudo, as principais pragas e doenças monitoradas na safra 2025/26 foram:
- complexo de lagartas (Spodoptera spp.), presença constante ao longo do ciclo;
- mosca-branca e pulgão-do-algodoeiro, especialmente nas áreas de clima mais seco;
- ramulária e mancha-alvo, as doenças foliares de maior relevância econômica na cultura.
A recomendação técnica reforçada por pesquisadores e entidades do setor passa por monitoramento rigoroso, rotação de ingredientes ativos, integração entre controle químico e biológico, eliminação de plantas tigueras e outras estratégias que são a base do Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD).
Vazio sanitário: o manejo pós-colheita que define a próxima safra
Com o encerramento do ciclo, o manejo pós-colheita assume protagonismo. A Conab destaca o foco no controle preventivo do bicudo-do-algodoeiro e na destruição das soqueiras, em cumprimento ao período de vazio sanitário, com operações já em andamento em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul.
Em Mato Grosso, o manejo segue rigoroso, integrando roçada mecânica e aplicações de herbicidas para a destruição imediata das soqueiras.
Esse é o ponto que mais conecta a safra que termina com a que começa. O bicudo-do-algodoeiro não é um problema restrito ao ciclo produtivo: ele se reproduz e sobrevive na entressafra, abrigado em soqueiras e plantas tigueras. O cumprimento do vazio sanitário reduz a população inicial da praga na safra seguinte e diminui a pressão sobre o programa de manejo desde as primeiras semanas da lavoura.
Como a praga se move entre propriedades, o resultado depende de ação coordenada em escala regional. Lavouras isoladas que cumprem o calendário convivem com o risco vindo de áreas vizinhas que não o fazem.

O manejo que sustentou os melhores resultados da safra 2025/26
Olhando o conjunto das regiões, um padrão se repete nas lavouras que entregaram os melhores resultados nesta safra:
- Semeadura dentro da janela ideal, o que reduziu a exposição ao déficit hídrico do fim do ciclo.
- Maior participação de irrigação, que sustentou a produtividade na Bahia, em Minas Gerais e no Piauí, mesmo em um cenário de área de sequeiro em retração.
- Nível tecnológico elevado, combinando materiais genéticos adaptados, manejo nutricional ajustado e monitoramento fitossanitário contínuo.
- Manejo criterioso de pragas e doenças, com programas que integraram rotação de ingredientes ativos, monitoramento frequente e ações coordenadas de controle do bicudo, preservando o potencial produtivo até a colheita.
- Planejamento operacional da colheita, com desfolha bem posicionada e capacidade de beneficiamento dimensionada para aproveitar as janelas secas.
El Niño e o planejamento da safra 2026/27
O planejamento da safra 2026/27 já começa sob um alerta claro: o El Niño. O quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, publicado em 1º de outubro por INPE, INMET, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam, aponta 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro de 2026, podendo figurar entre os mais intensos registrados desde 1950.
Para o trimestre, a previsão indica condições mais secas no centro-norte do país e nas Regiões Norte e Nordeste, com chuvas acima da média no Sul e no leste do Sudeste.
Na leitura da Agroconsult, o fenômeno pesa sobre o algodão em dois momentos: na janela de semeadura da soja de primeira safra, que antecede e condiciona o algodão de segunda safra, e no próprio ciclo do algodão, caso o El Niño se prolongue pelo início de 2027. Na Bahia, a expansão da área irrigada tende a atenuar perdas de produtividade.
Para a cotonicultura, isso coloca três frentes em evidência:
- Definição da janela de semeadura, considerando que o algodão de segunda safra depende diretamente da colheita da soja;
- Escolha de materiais com maior estabilidade em cenários de irregularidade hídrica e temperaturas elevadas;
- Desenho antecipado do programa fitossanitário, já que calor e umidade alteram a dinâmica de pragas e doenças.
Área e preços sinalizam retomada em 2026/27
Mesmo com o alerta climático, o mercado sinaliza expansão. A Agroconsult projeta área de 2,22 milhões de hectares na safra 2026/27, alta de 7% sobre o ciclo atual.
| Região | 2025/26 (mi ha) | 2026/27 (mi ha) | Variação |
| Mato Grosso | 1,420 | 1,540 | +8,5% |
| Bahia | 0,426 | 0,435 | +2,1% |
| MAPITO | 0,082 | 0,091 | +11,7% |
| Outros | 0,145 | 0,152 | +4,3% |
| Brasil | 2,07 | 2,22 | +7,0% |
Fonte: Agroconsult/CropData (setembro/2026).
A expectativa se apoia no cenário mundial. Com a oferta global projetada em 26,2 milhões de toneladas para 2026/27, abaixo do consumo estimado de 26,8 milhões, e quebras esperadas em Austrália, Estados Unidos, China e Índia, a consultoria projeta preço médio de 84 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York (ICE), ante 69 centavos na temporada anterior.
Em Mato Grosso, 39% da produção de 2026/27 já foi comercializada antecipadamente, ritmo acima do registrado no mesmo período da safra anterior.
Os custos seguem como ponto de atenção. Em 2026, os principais fertilizantes subiram entre 12% e 30% em relação a 2025, e o custo de produção do algodão de segunda safra no Médio Norte de Mato Grosso é projetado em R$ 14.610 por hectare para o próximo ciclo.
São desafios que reforçam uma lição que a própria safra 2025/26 já deixou clara: o produtor já entendeu que uma safra produtiva e de qualidade se constrói em cada decisão do ciclo do algodão. E quem investiu em manejo preciso, mesmo diante de margens apertadas, foi quem saiu na frente.
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Perguntas frequentes sobre a safra de algodão 2025/26
1. Qual foi a produção de algodão na safra 2025/26?
Segundo o 12º levantamento da Conab, divulgado em setembro de 2026, a produção brasileira de algodão em pluma foi estimada em 4.143,8 mil toneladas, volume 1,5% superior ao da safra 2024/25 e o maior da série histórica. O resultado foi sustentado pela produtividade média de 2.053 kg/ha, recorde e 4,9% acima do ciclo anterior.
2. Por que a área plantada com algodão diminuiu nesta safra?
A área recuou 3,2%, para 2.018,4 mil hectares. A retração responde ao cenário de mercado e ao aumento dos custos de produção, puxado especialmente por fertilizantes e defensivos, que levou parte dos produtores a ajustar o portfólio de culturas.
3. Quanto da safra de algodão já foi colhido?
Até 11 de setembro de 2026, 95,6% da área total havia sido colhida, segundo a Conab, com operações finalizadas no Piauí, no Paraná, no Pará e em São Paulo. Segundo a Agroconsult, 49% da produção havia sido beneficiada até 25 de setembro.
4. Quais regiões apresentaram os melhores resultados?
Bahia, Piauí e Goiás registraram os principais incrementos de produtividade na apuração das áreas colhidas pela Conab. Segundo o Rally da Safra, da Agroconsult, a produtividade subiu 7% em Mato Grosso e 20,7% na Bahia, onde a área irrigada já representa 44% do total.
5. O clima afetou a qualidade da fibra nesta safra?
Sim, de forma regionalizada. No Paraná, as chuvas na fase final da colheita comprometeram a qualidade da pluma, sem impacto relevante no rendimento. Em Minas Gerais e em Rondônia, o tempo seco favoreceu a abertura dos capulhos e resultou em melhor padrão de fibra.
6. Como a alta dos custos afetou a rentabilidade do algodão?
No Médio Norte de Mato Grosso, o custo do algodão de segunda safra subiu 9,4%, para R$ 14.367/ha, segundo a Agroconsult. O ganho de produtividade compensou quase integralmente esse aumento, e a rentabilidade passou de R$ 5.222/ha para R$ 5.280/ha.
7. Como está o mercado externo do algodão brasileiro?
As exportações somaram 2,08 milhões de toneladas até agosto de 2026, alta de 22,2%, e a Conab projeta 3,42 milhões de toneladas embarcadas no ano. Segundo a Agroconsult, as exportações brasileiras da temporada 2025/26 superaram em 27% as dos Estados Unidos, segundo maior exportador mundial.
8. Quais foram as principais pragas e doenças do algodão na safra 2025/26?
O bicudo-do-algodoeiro permaneceu como principal alvo em todas as regiões, ao lado do complexo de lagartas (Spodoptera spp.). Também tiveram destaque a mosca-branca e o pulgão-do-algodoeiro, especialmente em áreas de clima seco, além da ramulária e da mancha-alvo entre as doenças foliares.
9. O que é o vazio sanitário do algodão e por que ele é importante?
É o período em que nenhuma planta de algodoeiro pode permanecer viva no campo, com destruição das soqueiras e eliminação de plantas tigueras. A prática reduz a população de bicudo-do-algodoeiro que sobreviveria à entressafra e diminui a pressão da praga sobre a safra seguinte.
10. O que esperar da safra de algodão 2026/27?
A Agroconsult projeta área de 2,22 milhões de hectares, alta de 7%, apoiada na perspectiva de preços internacionais mais firmes. O principal ponto de atenção é o El Niño, com 95% de probabilidade de intensidade muito forte entre outubro e dezembro, o que exige cuidado com a janela de semeadura, a escolha de materiais e o desenho antecipado do programa fitossanitário.


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