Atualizado em 05/03/2025.
A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), também conhecida como lagarta-militar, é uma praga agrícola pertencente ao Complexo de Spodopteras, que vem ganhando cada vez mais a atenção dos produtores nos últimos anos, visto os desafios que ela vêm impondo para o seu controle efetivo e a ampla distribuição no país.
Falhas no controle dessa praga, somados à alta capacidade de reprodução, adaptação e pressão de seleção da lagarta-do-cartucho, têm feito com que a incidência dessa praga nas lavouras venha aumentando safra após safra, causando prejuízos significativos para o milho e outras culturas.
Dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) apontam que a lagarta-do-cartucho pode reduzir expressivamente a produtividade do milho, com perdas que podem superar os 50%. Dessa maneira, entender como o manejo pode ser conduzido a fim de obter controle adequado dessa praga, preservando e prolongando a vida útil das moléculas inseticidas e com melhor custo x benefício, são fatores indispensáveis.
A seguir, entenda mais sobre a lagarta-do-cartucho no milho e os danos causados por ela e compreenda como potencializar o controle dessa praga através da escolha do inseticida mais adequado. Boa leitura!
Conhecendo a lagarta-do-cartucho no milho, inseto da espécie Spodoptera frugiperda
A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é a fase larval de uma espécie de inseto da família Noctuidae, que abrange principalmente mariposas de médio porte. Essa família contempla mais de 12 mil espécies e quase 1100 diferentes gêneros. Somente no Brasil são encontradas 672 espécies, das quais uma parcela é considerada praga agrícola de grande importância econômica.
Especificamente, a lagarta-do-cartucho está inclusa dentro do gênero Spodoptera, que contempla um conjunto de lagartas que apresentam características em comum, sendo a mais marcante a presença de um “Y” invertido na cabeça em algumas das espécies do Complexo de Spodopteras.
Além dessa característica, lagarta-do-cartucho do milho pode ser identificada pela presença de três linhas longitudinais dorsais de coloração creme e quatro pontos pretos no último segmento abdominal do corpo, além da presença de três pares de pernas torácicas e cinco pares de falsas pernas abdominais. Quanto à coloração, ela exibe cores variadas, podendo ser verde, amarela, marrom ou preta.
Ela pode ser encontrada principalmente na região do cartucho do milho, uma estrutura formada pelas folhas centrais da planta, que permanecem enroladas antes de se abrirem completamente.

A fase larval da lagarta-do-cartucho se inicia com a deposição de ovos pela fêmea da mariposa S. frugiperda durante o período noturno. Ela chega a depositar até 2000 ovos durante todo o seu ciclo de vida, dependendo das condições climáticas, da cultivar, da cultura e do manejo.
Assim que eclode do ovo, a lagarta S. frugiperda apresenta apenas alguns milímetros de comprimento, mas, conforme vai crescendo, pode chegar até 2,5 cm e cada lagarta tem potencial para destruir em média 134,03 cm² de área foliar.


Massa de ovos da lagarta-do-cartucho no milho (Spodoptera frugiperda) logo após a postura (à esquerda), e logo após a eclosão das larvas (à direita). Fonte: Syngenta.
Ao todo, a fase larval tem duração média de 14 a 22 dias passando por seis estágios de desenvolvimento, sendo essa duração influenciada pelas condições ambientais, com as temperaturas altas favorecendo ciclos mais curtos/acelerados. Em condições ideais, a lagarta-do-cartucho no milho pode produzir até 10 gerações da praga por ano, sendo temperaturas entre 25 °C e 28 °C consideradas ótimas para o seu desenvolvimento.
Após esse período, a lagarta vira uma pupa, estágio em que permanece por um período de sete a 13 dias. Depois, ela se torna uma mariposa de tonalidade cinza ou marrom, com envergadura de 3 cm a 4 cm, que vive de 10 a 15 dias.
Quais danos a lagarta-do-cartucho do milho causa?
A lagarta-do-cartucho é reconhecida por causar perdas severas de produtividade no milho, superiores a 50%, em decorrência dos danos que essa praga causa nas lavouras, que incluem:
- a raspagem das folhas pelas larvas de primeiro ínstar;
- a destruição do cartucho por larvas mais desenvolvidas;
- a mortalidade de plântulas em função da grande população da praga nas fases iniciais de desenvolvimento (especialmente no milho safrinha, em áreas de SPD (Sistema Plantio Direto), cultivado após a soja.
Para além dos sintomas típicos, a lagarta também pode causar danos semelhantes aos provocados pela lagarta-elasmo, conhecido como “coração morto”.
Esse dano é caracterizado pelo ataque ao colmo pouco desenvolvido, por parte da lagarta, podendo provocar o seccionamento do colmo, de forma total, ou parcial, resultando na morte das plantas e na redução da população de vegetais por área, o que afeta de forma significativa a produtividade da cultura.

Ademais, os prejuízos causados pela lagarta-do-cartucho na espiga podem ser severos devido à dificuldade de manejo nesse estádio de desenvolvimento, uma vez que a lagarta está protegida dentro da espiga. Por isso, é importante garantir uma lavoura bem manejada até o pendoamento.
Quando esse controle não é efetivo em tempo hábil, o inseto se direciona para o pendão ou para a região da espiga. É frequentemente observada a sua alimentação no ponto de inserção da espiga no colmo, causando sua secção. Nesses casos, ocorre perda total de rendimento da planta.
A larva também pode penetrar na base da espiga, causando danos aos grãos, o que afeta negativamente a produtividade da lavoura. Além dos danos diretos, o orifício deixado pela larva pode permitir a entrada de patógenos, como os fungos produtores de micotoxinas, que representam um problema tanto para a saúde humana quanto para a saúde animal.

Como monitorar a lagarta-do-cartucho no milho
Para a lagarta-do-cartucho no milho a palavra é: monitoramento!
É fundamental que o monitoramento da lavoura seja realizado antes mesmo da semeadura, tendo em vista que os danos podem ocorrer desde as fases iniciais de desenvolvimento e que as plântulas podem ser “cortadas” pela lagarta, reduzindo significativamente a produtividade da lavoura.
Para realizar esse monitoramento, o produtor pode fazer o uso da Escala Davis, uma ferramenta que auxilia a classificar os danos do ataque causados pela Spodoptera frugiperda em milho em uma escala de 0 a 9.
As notas da Escala Davis são distribuídas da seguinte forma:
Nota 0 – Cartuchos sem lesões.
Nota 1 – Folhas raspadas.
Nota 2 – Folhas raspadas com pequenas lesões circulares.
Nota 3 – Cartucho com poucas lesões circulares ou indefinidas de até 1,3 cm nas folhas expandidas e novas.
Nota 4 – Cartucho com várias lesões entre 1,3 cm e 2,5 cm nas folhas expandidas e novas.
Nota 5 – Cartucho com várias lesões maiores que 2,5 cm presentes em algumas folhas expandidas e novas.
Nota 6 – Cartucho com várias lesões maiores que 2,5 cm presentes em várias folhas expandidas e novas.
Nota 7 – Cartucho com várias lesões irregulares e algumas áreas das folhas completamente comidas.
Nota 8 – Cartucho com várias lesões irregulares e várias folhas completamente comidas.
Nota 9 – Planta completamente destruída.

Dessa forma, é possível determinar o momento ideal para a aplicação de medidas de controle, que se dá quando 20% das plantas da lavoura de milho com até 30 dias estão com uma nota igual ou superior a 3. Já no caso de plantas entre 40 e 60 dias, a porcentagem é de 10%.
Contudo, vale destacar que, dependendo do método de controle escolhido, pode haver variações na escolha do momento ideal utilizando a Escala Davis. Por isso, é essencial ler a bula do produto escolhido e seguir as recomendações do fabricante para um posicionamento correto dos produtos.
Além disso, o produtor também pode fazer o uso de armadilhas coloridas ou com feromônios sexuais para monitorar as populações do inseto adulto em sua lavoura, utilizando uma armadilha a cada hectare ou de acordo com as especificações do fabricante. Nesse caso, o nível de controle é determinado pela contagem de mariposas adultas capturadas, sendo 3 mariposas um número comumente utilizado como parâmetro.
Como a tecnologia e a escolha do inseticida mais adequado podem auxiliar no controle da lagarta-do-cartucho no milho?
A tecnologia em inseticidas é considerada cada vez mais uma importante aliada no controle da lagarta-do-cartucho no milho. Isso porque ela está inclusa nas mais importantes estratégias de controle do MIP (Manejo Integrado de Pragas).
O MIP abrange diversas práticas agrícolas que, juntas, potencializam a ação dos defensivos e prolongam os benefícios das tecnologias utilizadas para o controle da lagarta-do-cartucho no milho. O uso de cultivares resistentes e adaptadas à região de cultivo e sementes tratadas estão entre as principais práticas utilizadas, com destaque para a escolha do inseticida mais adequado, que pode fazer toda a diferença para o controle efetivo das lagartas do Complexo de Spodopteras.
Para isso, o produtor deve buscar por algumas características-chave nos inseticidas para o controle da lagarta-do-cartucho no milho:
Duplo modo de ação
É imprescindível que sejam utilizados produtos ou associações entre inseticidas, evitando a aplicação de um único modo de ação. Por isso, opte por inseticidas que possuam duplo modo de ação, o que facilita a operação, confere maior comodidade e flexibilidade, além de custo x benefício.
Seletividade aos inimigos naturais
A escolha de inseticidas seletivos aos inimigos naturais é fundamental, isso porque, dessa maneira, além de conferir controle das lagartas na lavoura, os inimigos naturais das lagartas auxiliam no combate, uma vez que não são atingidos pelo inseticida.
Amplo espectro de ação
O amplo espectro de ação, levando em consideração as pragas presentes, especialmente outras espécies de spodopteras, comuns nos cultivos de milho e soja, é outra alternativa bastante eficiente, tendo em vista que diversas pragas podem estar presentes na lavoura durante um mesmo período.
Tecnologia em formulação
A tecnologia em formulação é outro ponto importante. Aposte em inseticidas com rápida distribuição e penetração do produto, evitando, assim, a perda do inseticida por evaporação e falhas no controle por má absorção.

INSTIVO®, decisivo no controle das lagartas, imbatível contra as spodopteras!
INSTIVO® é um inseticida que combina dois ingredientes ativos de alta performance contra as lagartas no milho. É composto por clorantraniliprole, do grupo químico das diamidas, e por abamectina, do grupo químico avermectina. Essas duas moléculas possuem sinergia, potencializando o controle de Spodoptera, especialmente da lagarta-do-cartucho no milho.
INSTIVO® possui ainda a inovadora tecnologia OPT, que une duas moléculas complementares em uma única solução. Essa combinação é imbatível no controle de Spodopteras na cultura do milho, agindo por contato, ingestão e efeito translaminar, atingindo as pragas onde elas estiverem e protegendo as folhas de milho por inteiro.
A ação por contato se dá pela interação direta das lagartas com o inseticida. Já a ação por ingestão ocorre após as lagartas se alimentarem dos tecidos foliares que tenham sido pulverizados com INSTIVO®. Por último, o efeito translaminar se dá pela capacidade do inseticida em translocar de uma face da folha para a outra, protegendo assim, as faces superior e inferior das folhas.
Os benefícios de INSTIVO® no controle de lagartas no milho incluem:
- duplo modo de ação: INSTIVO® proporciona excelente ação de choque, paralisando imediatamente a alimentação, e residual prolongado, preservando assim as folhas do milho;
- seletividade aos inimigos naturais, o que auxilia no controle das lagartas e demais pragas presentes no cultivo;
- amplo espectro de ação: controle da lagarta-do-cartucho e das demais espécies de spodopteras, que podem ser difíceis de serem diferenciadas, o que confere conveniência e flexibilidade no uso;
- tecnologia em formulação: tecnologia OPT, formulação exclusiva à base de água e isenta de solventes, o que reduz o risco de fitotoxicidade, permitindo cobertura completa de folhas do baixeiro e do ponteiro devido a partículas menores, o que potencializa a distribuição dos ativos na cultura.
Confira, no vídeo a seguir, mais sobre INSTIVO® e a tecnologia OPT:
Onde entra INSTIVO®, saem spodopteras!
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