Na cultura da soja, as plantas daninhas são fatores de grande preocupação quando o assunto é produtividade. Quando não controladas, podem dificultar a colheita, favorecer a hospedagem de patógenos e pragas e prejudicar a qualidade do grão em desenvolvimento e causar danos diretos na rentabilidade,. 

Estudos apontam que há cerca de 250 espécies de plantas daninhas nas lavouras brasileiras. Com capacidade de se reproduzirem rapidamente, devido ao grande número de sementes que produzem, essas plantas se desenvolvem em diferentes tipos de solo e cultura e apresentam acentuada capacidade de resistência à aplicação de herbicidas. 

Entre as que geram mais transtornos para os sojicultores, o capim-amargoso (Digitaria insularis) e o capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) se destacam pela alta incidência nas lavouras de soja, pela agressividade competitiva e pelo histórico crescente de resistência a herbicidas. 

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O que é o capim-amargoso e como identificá-lo na lavoura? 

O capim-amargoso (Digitaria insularis) é uma planta daninha perene, pertencente à família Poaceae, com ciclo que pode durar mais de dois anos. Apresenta ampla distribuição no Brasil, com alta adaptabilidade a sistemas de produção em regiões tropicais e subtropicais, ocorrendo em lavouras, pastagens e bordaduras de estradas. 

Sua identificação na lavoura é possível por algumas características visuais marcantes: folhas longas, estreitas e ásperas ao toque, com superfície levemente pubescente; colmos eretos que podem atingir entre 50 e 150 cm de altura; e inflorescências digitadas, com ramos finos que se abrem em forma de leque.  

Em estágios mais avançados, forma touceiras densas e desenvolvidas, frequentemente com coloração amarelada ou arroxeada nas folhas mais velhas, característica que também originou seu nome popular. 

A formação de rizomas, estruturas subterrâneas de reserva, é uma das marcas mais importantes dessa espécie e um dos principais responsáveis pela dificuldade de controle após seu estabelecimento. 

O que é o capim-pé-de-galinha e como identificá-lo na lavoura? 

O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) é uma gramínea anual, também pertencente à família Poaceae, que infesta lavouras ao longo de todo o ano. Seu nome popular vem do formato característico de sua inflorescência: ramos dispostos em formato semelhante à pegada de uma galinha. 

Na lavoura, apresenta folhas planas, glabras e de coloração verde intensa, com bainhas foliares comprimidas e frequentemente quilhadas. Desenvolve-se próximo ao solo em estádios iniciais, podendo formar touceiras densas sob alta competição, com colmos que variam aproximadamente de 15 a 60 cm de altura, dependendo das condições ambientais. Seu sistema radicular é fibroso e com elevada capacidade de exploração do perfil do solo, conferindo tolerância a condições de estresse hídrico e contribuindo para a redução da eficiência do controle mecânico em áreas infestadas. 

Por germinar em temperaturas entre 20 e 35°C, o capim-pé-de-galinha encontra condições ideais de desenvolvimento durante praticamente toda a safra de soja nas regiões produtoras brasileiras. 

Quais são os danos causados pelo capim-amargoso e pelo capim-pé-de-galinha na soja? 

Apesar de pertencerem ao mesmo grupo das gramíneas, as duas espécies se somam como ameaças complementares na lavoura de soja, cada uma com características que ampliam o desafio do controle. 

Critério Capim-amargoso (Digitaria insularis) Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) 
Ciclo de vida Perene — mais de 2 anos Anual — 120 a 180 dias 
Produção de sementes Mais de 100 mil sementes por inflorescência Mais de 120 mil sementes por planta 
Dispersão Pelo vento e por máquinas agrícolas Pelo vento, ao longo de todo o ano 
Propagação vegetativa Sim — rizomas subterrâneos permitem rebrota após corte ou herbicida Não — apenas por sementes 
Perda de produtividade na soja Até 44% em infestações severas Elevada — múltiplas gerações por safra 
Hospedeiro alternativo Pragas (percevejos, lagartas) e patógenos fúngicos Vírus do mosaico listrado do milho, fungos e nematoide das galhas (Meloidogyne spp.) 
Resistência confirmada Glifosato Glifosato, fenoxaprop e haloxyfop 
Principal desafio de controle Rebrota via rizomas; custo de controle pode aumentar até 290% em áreas com resistência Novas gerações ao longo de toda a safra; banco de sementes altamente persistente no solo 

O impacto econômico associado a essa resistência é significativo, podendo elevar substancialmente os custos de controle em áreas infestadas, especialmente quando as plantas se encontram em estádios avançados de desenvolvimento, devido à maior necessidade de aplicações sequenciais e uso de estratégias complementares de manejo. 

Em infestações com a presença simultânea das duas espécies, os custos de controle se elevam significativamente, e a necessidade de intervenções em múltiplos momentos do ciclo produtivo aumenta o risco de fitotoxicidade caso os produtos não sejam bem escolhidos e posicionados. 

Por que o capim-amargoso e o capim-pé-de-galinha são tão difíceis de controlar? 

Essa é uma das perguntas mais frequentes entre os sojicultores, e a resposta está na combinação de características biológicas que tornam essas espécies altamente resilientes. 

Capim-amargoso (Digitaria insularis) — principais fatores que dificultam o controle: 

  • Perenidade — a planta sobrevive por mais de dois anos 
  • Formação de rizomas — garante rebrota mesmo após aplicações de herbicidas ou cortes mecânicos 
  • Altíssima produção de sementes — mais de 100 mil por inflorescência, facilmente dispersas pelo vento 
  • Uma vez estabelecida na área, a eliminação completa exige um programa de manejo de longo prazo 

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) — principais fatores que dificultam o controle: 

  • Ciclo curto — permite múltiplas gerações ao longo da mesma safra 
  • Alta produção de sementes — garante elevada persistência no banco de sementes do solo 
  • Banco de sementes persistente — mesmo após um controle bem-sucedido, novas gerações podem emergir rapidamente 
  • Exige monitoramento constante e posicionamento preciso das intervenções ao longo de toda a safra 

Capim-amargoso e capim-pé-de-galinha têm resistência ao glifosato? 

Sim, e esse é um dos pontos de maior atenção para os produtores de soja. As duas espécies apresentam histórico confirmado de resistência a herbicidas no Brasil, com casos que se intensificaram nas últimas décadas em razão do uso frequente e pouco diversificado dos mesmos princípios ativos.  

Mais do que um problema pontual, a resistência dessas daninhas representa um desafio estrutural para o manejo da lavoura, com impacto direto nos custos de produção e na eficácia dos programas de controle ao longo das safras. 

Capim-amargoso e resistência ao glifosato 

O capim-amargoso foi uma das primeiras plantas daninhas a apresentar resistência ao glifosato no Brasil, e os casos confirmados têm aumentado progressivamente nas principais regiões produtoras.  

O impacto econômico associado a essa resistência é significativo, podendo elevar substancialmente os custos de controle em áreas infestadas, especialmente quando as plantas se encontram em estádios avançados de desenvolvimento, devido à maior necessidade de aplicações sequenciais e uso de estratégias complementares de manejo. 

Capim-pé-de-galinha e resistência múltipla 

O capim-pé-de-galinha também apresenta histórico consolidado de resistência. O problema no Brasil teve início em 2003 e se agravou em 2016, quando o uso indiscriminado do glifosato resultou na seleção de populações resistentes no centro-oeste do estado do Paraná.  

Atualmente, essa daninha apresenta resistência confirmada a três herbicidas: glifosato, fenoxaprop e haloxyfop. Foram relatados ainda 30 casos de resistência em outros 10 países, evidenciando que o problema tem escala global. 

O cenário no Brasil e a urgência do manejo integrado 

De acordo com o Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas (HRAC, 2024), já existem registros de 39 espécies com resistência a pelo menos um princípio ativo no Brasil.  

Esse cenário reforça a urgência de programas de manejo que incluam rotação de mecanismos de ação e controle antecipado, antes que populações resistentes se multipliquem e dominem as áreas produtivas. 

Qual é o melhor momento para controlar o capim-amargoso e o capim-pé-de-galinha na soja? 

O timing do controle é um dos fatores mais determinantes para o sucesso do manejo dessas duas espécies. Quanto mais jovens as plantas, mais suscetíveis são aos herbicidas e menores são os danos causados à cultura. 

O controle mais eficiente começa antes mesmo do plantio da soja, com o manejo antecipado das plantas já estabelecidas na área.  

Essa prática elimina as daninhas quando ainda estão em estágios iniciais de desenvolvimento, reduz o banco de sementes do solo e permite iniciar o cultivo com a área limpa, sem competição desde a emergência da soja. 

Na sequência, a aplicação de herbicidas pré-emergentes logo após o plantio cria uma barreira química no solo que inibe a germinação das sementes de capim-amargoso e capim-pé-de-galinha, estendendo a proteção da lavoura por um período mais longo.  

Esse posicionamento é especialmente importante diante do crescente problema de resistência ao glifosato, pois os pré-emergentes atuam por mecanismos de ação distintos, contribuindo para a preservação da eficácia dos pós-emergentes. 

No período pós-emergente, o controle deve ser realizado quando as plantas daninhas ainda estiverem em estágios iniciais de crescimento, antes de completar o perfilhamento.  

Para o capim-amargoso, o controle pós-emergente deve ser feito preferencialmente antes da formação de rizomas, fase em que a planta ainda não desenvolveu todo seu potencial de rebrota. 

Como fazer o manejo integrado do capim-amargoso e do capim-pé-de-galinha? 

O manejo eficaz dessas duas daninhas exige uma abordagem integrada, que combine práticas culturais, monitoramento constante e uso estratégico de herbicidas em diferentes momentos do ciclo produtivo. 

Rotação de culturas e práticas preventivas 

rotação de culturas é uma das práticas mais eficazes para interromper o ciclo de vida dessas daninhas, ao alterar as condições de solo, luminosidade e competição entre safras.  

O plantio em linhas fechadas, que promove o rápido fechamento da entrelinha pela soja, contribui para reduzir o desenvolvimento inicial dessas gramíneas ao limitar a disponibilidade de luz.  

O uso de sementes certificadas e a limpeza rigorosa de equipamentos, como tratores, colhedeiras e semeadoras, são medidas preventivas indispensáveis para evitar a dispersão de sementes entre talhões e propriedades. 

Monitoramento contínuo 

O monitoramento regular da lavoura, especialmente nas fases de pré-emergência e pós-emergência inicial, é fundamental para detectar a presença dessas espécies em estádios iniciais, reduzindo sua contribuição para a reposição do banco de sementes. 

Registros históricos de infestação por área permitem antecipar períodos de maior risco e orientar o planejamento de intervenções com maior precisão espacial e temporal. A identificação de eventuais escapes após aplicações também é relevante, pois pode indicar falhas de controle ou, em alguns casos, a presença de indivíduos com menor sensibilidade aos herbicidas utilizados, devendo ser investigada por meio de avaliação técnica específica. 

Rotação de mecanismos de ação 

A rotação de princípios ativos com diferentes mecanismos de ação é uma das estratégias mais importantes para retardar o avanço da resistência e manter a eficácia do controle ao longo das safras.  

Usar sempre o mesmo herbicida na mesma área acelera a seleção de indivíduos resistentes, enquanto a alternância entre grupos químicos distintos dificulta esse processo e preserva a vida útil das moléculas disponíveis. 

Qual herbicida usar no pré-emergente para controlar capim-amargoso e capim-pé-de-galinha? 

Para o controle pré-emergente dessas duas espécies, a Syngenta conta com Dual Gold ® em seu portfólio, considerado um dos melhores herbicida pré-emergente para o manejo de  problemas na soja. Sua formulação é especialmente eficiente contra espécies que já apresentam resistência ao glifosato, atuando por mecanismo de ação distinto e complementar aos herbicidas pós-emergentes. 

Entre os principais diferenciais de Dual Gold® estão o efeito residual prolongado, que entrega proteção por mais tempo ao campo sem necessidade de reaplicações precoces; o amplo espectro de controle, que abrange diversas espécies de plantas daninhas em uma única aplicação; e a alta seletividade, que minimiza os riscos de fitotoxicidade e garante menor interferência no desenvolvimento da soja. 

O posicionamento correto de Dual Gold® no programa de manejo, combinado com práticas culturais adequadas e monitoramento contínuo, oferece ao produtor uma base sólida para enfrentar a pressão do capim-amargoso e do capim-pé-de-galinha ao longo de toda a safra. 

Controle eficiente começa com planejamento e as ferramentas certas 

O manejo do capim-amargoso e do capim-pé-de-galinha na soja exige planejamento, conhecimento das espécies e uso estratégico das ferramentas disponíveis. Quanto mais cedo e mais integrado for o controle, menores serão os custos e maiores as chances de proteger a produtividade da lavoura ao longo das safras. 

Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

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