As plantas daninhas estão entre os fatores que mais afetam a produtividade da soja no Brasil. Quando não controladas no período certo, podem causar perdas que vão de 60% a 90% dependendo das espécies, densidade e região 

Esse prejuízo é resultado da competição direta por água, luz e nutrientes, além de dificultar a colheita mecanizada, depreciar a qualidade do produto final e servir de hospedeiro para pragas, doenças e nematoides. 

O problema se agrava com a resistência crescente de diversas espécies ao glifosato, o herbicida mais utilizado na soja transgênica no Brasil.  

Com o uso intensivo e repetido do mesmo mecanismo de ação, populações resistentes foram selecionadas ao longo das safras e hoje impõem ao produtor a necessidade de repensar o programa de manejo de plantas daninhas da soja, incluindo herbicidas no manejo antecipado, pré-emergentes e pós-emergentes com mecanismos de ação distintos. 

Conhecer as principais espécies presentes na área, seu comportamento e suas características é o primeiro passo para montar um programa de controle eficaz e sustentável. 

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Por que as plantas daninhas são um problema crescente na soja 

O aumento da pressão dessas espécies no campo não é um evento isolado, mas o resultado de uma dinâmica biológica complexa que envolve desde a fisiologia da planta até o histórico de manejo da área.  

Para conter esse avanço, é preciso entender como o prejuízo se consolida, seja pela disputa imediata por recursos ou pela herança deixada nas safras futuras. 

Competição e perdas no rendimento 

A competição entre as plantas daninhas e a soja começa cedo e o seu impacto é maior quando as daninhas se estabelecem antes ou junto com a cultura.  

No período crítico de competição, que  vai aproximadamente de V3 a R1 (20 a 50 dias após a emergência), a presença de daninhas não controladas pode resultar em perdas irreversíveis de produtividade, mesmo que sejam eliminadas depois. 

Aproximadamente 250 espécies são universalmente consideradas daninhas em culturas agrícolas, sendo que cerca de 40% pertencem a apenas duas famílias: Poaceae (gramíneas) e Asteraceae (compostas).  

Sua capacidade de se adaptar a diferentes condições de solo, clima e manejo as torna competidoras altamente eficientes e adversárias difíceis de manejar quando bem estabelecidas. 

O problema do banco de sementes e das reinfestações 

Boa parte das reinfestações observadas na soja têm origem no banco de sementes do solo: o estoque de sementes viáveis acumuladas ao longo dos anos nas camadas superficiais do solo.  

Espécies como o caruru podem produzir até 500 mil sementes por planta em um único ciclo, reabastecendo continuamente esse banco mesmo quando o controle da parte aérea é eficaz. 

O manejo que foca apenas na eliminação das plantas emergidas, sem atuar sobre o banco de sementes, não resolve o problema de forma duradoura.  

É por isso que os herbicidas para manejo antecipado de daninhas, pré-emergentes e pós-emergentes têm papel estratégico no manejo integrado para reduzir o banco de sementes no solo ao longo das safras

Principais plantas daninhas da soja no Brasil 

Cada espécie de planta daninha possui características biológicas únicas que determinam seu nível de agressividade e a dificuldade de controle.  

No cenário brasileiro, algumas gramíneas e daninhas de folhas largas se destacam por sua alta capacidade de disseminação e pela habilidade de desafiar os herbicidas mais comuns do mercado. 

Capim-amargoso (Digitaria insularis) 

capim-amargoso é uma planta perene com capacidade de reprodução praticamente o ano inteiro e em todas as regiões do Brasil. Cresce rapidamente, é altamente adaptável a diferentes condições de solo e clima, e pertence a uma das espécies com maior número de biótipos resistentes ao glifosato confirmados no país. 

Além da resistência química, o capim-amargoso forma rizomas e estruturas subterrâneas que permitem rebrota mesmo após a eliminação da parte aérea, tornando seu controle especialmente desafiador em áreas com histórico de infestação. 

Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) 

capim-pé-de-galinha se desenvolve em qualquer tipo de solo, com preferência por locais com temperaturas e umidade elevadas. Está distribuído em todo o território brasileiro, sendo comum no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e nas terras firmes da região Amazônica.  

Também acumula biótipos com resistência documentada a herbicidas inibidores de ACCase e ao glifosato. 

Caruru (Amaranthus  hybridus) 

caruru é uma daninha de rápido crescimento e altamente competitiva com a soja. Cada planta é capaz de produzir até 500 mil sementes, o que explica a rapidez com que reinfesta áreas mesmo após controles bem-sucedidos.  

Representa risco elevado no Cerrado e nas regiões tropicais, onde o período sem frio é longo. 

Principais plantas daninhas da soja: características, distribuição e nível de dificuldade de controle 

Espécie Tipo Ciclo Distribuição Dificuldade de controle 
Capim-amargoso (Digitaria insularis) Gramínea Perene Todo o Brasil  Alta — resistência ao glifosato confirmada 
Capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) Gramínea Anual/perene Sul, SE, CO, Norte  Alta — resistência a múltiplos herbicidas 
Caruru (Amaranthusspp.) Folha larga Anual Cerrado e regiões tropicais  Moderada — alto banco de sementes 
Trapoeraba (Commelina benghalensis) Folha larga Perene Todo o Brasil Alta — estruturas subterrâneas dificultam controle 

Fonte: SBCPD — Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas; EMBRAPA Soja. Nível de dificuldade baseado em histórico de resistência e comportamento biológico. 

Como fazer o controle de plantas daninhas na soja 

Superar o desafio da matocompetição na soja exige uma mudança de mentalidade, saindo de um manejo reativo para uma estratégia integrada.  

O sucesso do controle moderno depende da combinação inteligente de ferramentas que atuem em diferentes momentos do ciclo da planta invasora, protegendo o potencial produtivo da cultura principal. 

O papel estratégico dos herbicidas pré-emergentes 

Com a resistência ao glifosato se tornando um problema cada vez mais frequente, o uso de herbicidas pré-emergentes ganhou papel central no manejo integrado de plantas daninhas na soja.  

Esses produtos atuam antes da emergência das daninhas, criando uma barreira química no solo que impede a germinação das sementes presentes no banco. 

Outra vantagem é a ação sobre o banco de sementes: ao impedir a germinação ao longo de várias safras, os pré-emergentes contribuem para a redução gradual do estoque de sementes viáveis no solo, diminuindo as reinfestações a médio e longo prazo. 

DUAL GOLD®: pré-emergente com amplo espectro e flexibilidade de aplicação 

DUAL GOLD® é um herbicida pré-emergente que se destaca pelo amplo espectro de controle sobre as principais plantas daninhas de difícil manejo na soja, incluindo capim-amargoso, capim-pé-de-galinha, trapoeraba e caruru.  

Um dos principais diferenciais de DUAL GOLD® é a sua flexibilidade de aplicação na soja: pode ser usado tanto antes quanto após o plantio da soja, nas modalidades “aplique e plante” ou “plante e aplique” 

Essa característica permite ao produtor e ao agrônomo adaptar o momento da aplicação às condições operacionais da propriedade sem comprometer a eficácia do produto. 

Dual Gold® também é registrado para milho e feijão, e não apresenta risco de carry over para as culturas em sucessão — fator importante no planejamento de sistemas de rotação soja-milho, onde os resíduos de herbicidas no solo podem comprometer a safra seguinte. 

Boas práticas no manejo integrado de plantas daninhas na soja 

Além da escolha dos insumos, a eficiência operacional e o planejamento técnico são os pilares que sustentam uma lavoura limpa.  

A adoção de boas práticas no dia a dia da propriedade é o que garante que as tecnologias de controle continuem viáveis e que a resistência das plantas daninhas seja contida de forma eficaz. 

Mapeamento, monitoramento e rotação de mecanismos de ação 

Um programa de manejo eficaz começa antes do plantio: 

  • Mapeie as espécies presentes na área: cada daninha tem características distintas de emergência, ciclo e sensibilidade a herbicidas. Conhecer o perfil da infestação da sua área é o ponto de partida para escolher os produtos certos. 
  • Monitore o período crítico de competição: na soja, qualquer presença de daninhas não controladas durante o período crítico tem impacto direto e irreversível na produtividade. 
  • Rotacione mecanismos de ação (HRAC): não depender do mesmo grupo químico em todas as aplicações e safras é a medida mais eficaz para retardar a evolução da resistência. 
  • Use pré-emergentes como base do programa, associado ao uso de herbicidas para o manejo antecipado de daninhas como também pós-emergente 

Cuidados específicos para espécies resistentes 

Para áreas com histórico de daninhas resistentes ao glifosato, as recomendações incluem principalmente integrar outras estratégias do manejo integrado, com destaque para as práticas culturais, como:  

  • rotação de culturas; 
  • uso de culturas de cobertura; 
  • ajuste na densidade de plantio da soja.  

Juntas, essas práticas contribuem para reduzir a pressão das daninhas ao longo do tempo. 

Leia mais: Carryover de herbicidas: como evitar prejuízo na sucessão soja-milho safrinha 

Manejo integrado como resposta à pressão crescente das plantas daninhas 

A pressão das plantas daninhas na soja só tende a crescer com o avanço da resistência ao glifosato e o acúmulo de banco de sementes em áreas com histórico de manejo inadequado.  

A resposta mais eficaz não está em um único produto, mas em um programa integrado que combina herbicidas com mecanismos de ação distintos em diferentes fases da cultura, monitoramento constante e rotação de culturas. 

DUAL GOLD®, pelo seu amplo espectro, pela flexibilidade de aplicação e pela ausência de carry over para as culturas em sucessão, é uma ferramenta que se encaixa de forma estratégica nesse programa. 

Ele contribui tanto para o controle das principais espécies daninhas da soja, quanto para a redução progressiva do banco de sementes e a preservação da eficácia das tecnologias ao longo das safras. 

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