Depois de um mês de julho muito seco e quente, agosto contou com melhoras nas condições de chuva e quedas de temperatura. Agora, entrando em setembro, o Brasil encara um novo momento meteorológico, que será decisivo para a safra de soja 2022/23, cujo plantio está previsto para iniciar a partir da segunda quinzena em algumas regiões. Com uma previsão do clima detalhada, os sojicultores podem se preparar para este novo ciclo.

O clima em agosto foi marcado por chuvas fora do período ideal em determinadas localidades. Houve uma quantidade significativa de chuva na região Sul, em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, e algumas precipitações foram observadas também no sul de Goiás e de Minas Gerais, no Acre e em Rondônia. Para entender o fenômeno, conversamos com Alexandre Nascimento, meteorologista da Rural Clima, que explicou:

“O que tivemos foi a quebra do bloqueio de julho, que estava dificultando o deslocamento das frentes frias pelo Brasil.”

Foram verificadas ainda chuvas generalizadas no MS e no Paraná na última quinzena de agosto, com fortes rajadas de vento e formação de tempestades, o que gerou preocupação com a colheita do milho e com a cultura do trigo. Apesar da alta umidade no Sul favorecer o desenvolvimento das lavouras, implica também em maior cuidado com as doenças do trigo.

Nesse contexto, as dúvidas que ficam entre os agricultores são: haverá continuidade de chuvas irregulares em setembro? Como se preparar para a colheita do trigo e a semeadura da soja? Vejamos a seguir o contexto geral, considerando os principais agravantes que as condições climáticas impõem sobre a agricultura brasileira, além de uma previsão do clima para setembro nas principais regiões produtoras.

Geadas em agosto impactaram o trigo

Trigo em geada

Trigo no RS durante geada. Fonte: Notícias Agrícolas, 19 de agosto de 2022.

O maior impacto do clima sobre a agricultura em agosto foi verificado nas lavouras de trigo da região Sul, onde se concentra a maior parte da produção nacional do cereal. Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram bastante afetados pelas geadas, e algum impacto também foi registrado em áreas específicas do Paraná.

A Rural Clima indicou que a passagem da frente fria foi seguida por uma massa de ar polar, que avançou sobre o Sul do Brasil causando declínio das temperaturas e geadas generalizadas. Sobre isso, Alexandre Nascimento comentou que

“Em agosto é completamente normal que se tenha massas de ar frio capazes de provocar geadas. O inverno só acaba oficialmente no final de setembro e, por isso, a normalidade.”

Essa condição resultou em

  • interferência nas operações de colheita do milho;

  • interferência nos preparativos para a semeadura da safra 2022/23 de milho (milho verão);

  • danos nas lavouras de trigo no PR, RS e SC que se encaminhavam para floração e enchimento de grãos, fase em que os cultivos estão mais sensíveis a baixas temperaturas;

  • atraso na colheita do trigo, nas regiões do PR que já haviam iniciado as operações.

Felizmente, o fenômeno climático não chegou nas áreas de café, cana e citrus do Sudeste, no entanto, a depender dos danos nas lavouras de trigo e milho, que só poderão ser estimados em um futuro próximo, os números da safra de inverno podem sofrer reajuste para baixo. Além disso, há possibilidade de que os atrasos reflitam na semeadura da soja.

Previsão do clima e plantio da soja

O sucesso da nova safra de soja vai depender e muito das condições climáticas. O último ciclo experimentou quebra de safra por conta dos efeitos do fenômeno La Niña, que impactaram severamente o desenvolvimento das plantas e o planejamento dos produtores. Com o início da semeadura previsto para setembro em algumas regiões, é importante a atenção à previsão do clima, para fundamentar as tomadas de decisão e estabelecer uma estratégia que favoreça altas produtividades em 2022/23.

O meteorologista Alexandre Nascimento apontou que não há nenhum evento climático previsto para setembro que interfira nas primeiras operações de plantio, no entanto, o cenário de chuvas irregulares compromete o detalhamento de qualquer expectativa nesse sentido.

“O que nós da Rural Clima estamos sugerindo é esperar a regularização das chuvas, para evitar replantio. A chuva deve seguir o padrão climatológico – início irregular (entre segunda quinzena de setembro e primeira quinzena de outubro). Só teremos chuvas regulares na segunda quinzena de outubro, o que é considerado normal”, destaca o correspondente.

Condições climáticas em setembro: normalidade ou desafio?

As previsões do clima para setembro apontam temperatura mais elevada e chuvas irregulares, que podem atrapalhar momentaneamente as operações com maquinários nas lavouras pelo país. Espera-se chuvas sobre o MT e GO na segunda quinzena, o que não significa regularização do regime de chuvas. As precipitações no Sudeste e no Centro-Oeste terão retorno gradativo, especialmente nos últimos dez dias do mês.

Diante disso, os produtores devem se preocupar com mudanças climáticas severas como as observadas nos últimos dois ciclos? Considerando que em 2021 as chuvas começaram tardiamente, desdobrando diversas dificuldades ao longo da safra verão, há muita expectativa sobre o que aguarda a agricultura a partir de setembro deste ano. Segundo Alexandre Nascimento:

“O La Niña será muito fraco, e outras variáveis se tornam mais importantes. Por isso, seguiremos sem sentir muito os efeitos do La Niña nos próximos meses.”

Essa é uma boa notícia para a agricultura nacional, mas é importante que produtores fiquem atentos à previsão do clima para sua região.

Leia também:

Guia básico de dessecação pré-plantio da soja

Panorama climático de setembro por região

Clima

A seguir, um resumo da expectativa da Rural Clima sobre este mês que se inicia:

Região Sul

O Sul do Brasil deve seguir com chuvas irregulares durante o mês de setembro.

Região Sudeste

Primeira quinzena com pouca chuva e com calor. Ao longo da segunda quinzena, as primeiras pancadas irregulares de chuva devem voltar a ocorrer, primeiramente em SP, no Sul de MG, no Triângulo Mineiro e no RJ. Não há previsão de chuvas para o Norte de MG e ES.

Região Centro-Oeste

Primeira quinzena com pouca chuva e com calor. Ao longo da segunda quinzena, as primeiras pancadas irregulares de chuva devem voltar a ocorrer, primeiramente no MS, no sul e no oeste do MT e no sul de GO. Não há previsão de chuva para as demais áreas.

Região Norte

Algumas pancadas de chuva na segunda quinzena em RO e AC. Nas demais áreas, só chove em outubro.

Região Nordeste

A chuva começa a diminuir entre BA e RN. CE, MA e PI permanecem em condição de seca.

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