Atualizado em 21/03/2025.

O capim-colchão (Digitaria spp.) é uma das principais plantas daninhas que afetam a agricultura, sendo amplamente distribuído pelo Brasil e outros países. Com alta capacidade de dispersão e adaptação, essa espécie pode comprometer diversas culturas agrícolas, reduzindo a produtividade e a rentabilidade das lavouras.

Além da competição por recursos, como água, luz e nutrientes, o capim-colchão pode ser hospedeiro de nematoides e agentes patogênicos, agravando ainda mais os prejuízos.

Diante desse cenário, identificar corretamente as espécies de capim-colchão e adotar estratégias eficazes de manejo são passos essenciais para minimizar os impactos que essa planta daninha causa no campo. Neste texto, exploraremos as características do capim-colchão, seus impactos na agricultura e as melhores práticas de controle. Confira!

O capim-colchão (Digitaria spp.) e as suas características

O capim-colchão é uma planta daninha da família Poaceae  e do gênero Digitaria, que contempla cerca de 300 espécies do gênero. Dentre elas, 26 espécies são encontradas no Brasil, sendo nove exclusivas e 12 exóticas. Isso faz com que o Brasil seja considerado o país das Américas com o maior número de espécies do gênero Digitaria.

Essas diferentes espécies de capim-colchão podem ser encontradas distribuídas entre todas as regiões do país – com menor expressividade na região Norte -, sendo comumente avistadas em campos naturais abertos, bem como em áreas modificadas pelo homem. Essa ampla distribuição está associada às características dessas espécies, que são altamente agressivas e prolíferas e se adaptam a uma ampla variedade de tipos de clima e solo, com maior preferência por solos úmidos e mais férteis.

Segundo estudos realizados por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), o capim-colchão pode causar uma série de prejuízos para culturas anuais e em viveiros, especialmente em condições de seca, além de apresentar efeitos alelopáticos sobre várias plantas e serem hospedeiras de nematoides.

Pelo menos 30 países, incluindo o Brasil, consideram o capim-colchão um problema quando é uma planta infestante, uma vez que ele afeta negativamente mais de 30 culturas de importância econômica, tais como:

  • o café;
  • a soja;
  • o arroz;
  • o sorgo;
  • o milho;
  • o feijão;
  • o algodão;
  • a cana-de-açúcar.

Por isso, saber identificar corretamente essa planta daninha no campo pode fazer toda a diferença para mitigar os prejuízos que o capim-colchão pode causar nas lavouras.

O capim-colchão, como o próprio nome sugere, é uma gramínea que forma touceiras densas eretas ou decumbentes sobre o solo de até 70 centímetros, dependendo da espécie em questão. Mesmo sendo uma planta de ciclo anual, essa planta daninha apresenta uma propagação intensa através do enraizamento dos nós dos colmos, quando em contato com o solo úmido, e, principalmente, através das sementes, que são facilmente dispersadas pelo vento.

Touceira de uma das espécies do capim-colchão (Digitaria sanguinalis)

Inicialmente, as sementes apresentam um período de dormência após a maturação, que pode chegar a até 45 dias para algumas espécies. Porém, quando as condições de temperatura e umidade são adequadas, elas germinam mesmo sem a presença de estímulo luminoso.

De forma geral, existem 5 espécies de capim-colchão cuja ocorrência nas plantações é mais recorrente. São elas: a Digitaria horizontalis, a Digitaria ciliaris, a Digitaria bicornis, a Digitaria nuda e a e Digitaria sanguinalis.

Como identificar e diferenciar as espécies de capim-colchão?

Apesar das espécies de capim-colchão serem muito parecidas e difíceis de serem diferenciadas no campo, existem algumas características morfológicas que as diferenciam, como o tamanho das espiguetas, a presença ou não da gluma e a presença e comprimento de tricomas.

Tanto a D. ciliaris quanto a D. sanguinalis apresentam espiguetas maiores e, diferentemente da D. horizontalis, não apresentam pelos de base tuberculada sobre a raque. Já a D. nuda não apresenta gluma e a D. bicornis é a única espécie que apresenta uma espécie de envoltório das espiguetas diferentes.

Entretanto, é importante destacar que todas essas características só podem ser visualizadas com o auxílio de uma lente de aumento, de no mínimo 25 vezes, e também é necessário que os racemos com espiguetas sejam coletados para avaliação durante a fase de maturação.

Características morfológicas das principais espécies de capim-colchão (Digitaria spp.) Fonte: Adaptado de Canto-Dorow, 2005

Em termos de ocorrência, todas as espécies mencionadas ocorrem em todo o Brasil, à exceção da D. sanguinalis, que é encontrada apenas no Estado do Rio Grande do Sul. Além disso, nesse Estado em específico, não ocorrem as espécies  D. nuda e D. horizontalis.

Com essas informações, o agricultor consegue fazer a identificação correta das espécies de capim-colchão para, então, definir as melhores estratégias para o manejo e controle dessa planta daninha.

Os desafios do manejo do capim-colchão na cana-de-açúcar

Quando pensamos nas principais culturas afetadas pelo capim-colchão, a cana-de-açúcar se destaca entre elas. Apesar da cana-de-açúcar ser uma cultura que apresenta um crescimento vigoroso, ela fica mais vulnerável durante as fases mais iniciais do seu ciclo por apresentar brotação e crescimento inicial mais lentos, quando comparada a plantas daninhas como o capim-colchão.

Isso faz com que o capim-colchão se sobressaia no canavial, principalmente no período de plantio ou colheita da cana, o que acarreta prejuízos para a produtividade e a rentabilidade da cultura.

O capim-colchão (Digitaria spp.) é uma planta daninha agressiva, principalmente durante as fases iniciais de desenvolvimento da cana-de-açúcar.

Estudos já demonstram que existe uma correlação direta entre o período de convivência da cana-de-açúcar com as daninhas e o teor de ATR (Açúcar Total Recuperável), que é um indicador de qualidade da cana. 

É desejável que o agricultor alcance um ATR mais elevado em sua plantação, porque com o mesmo volume de cana, ele consegue gerar uma maior quantidade de açúcar e etanol. Entretanto, pesquisas indicam que quanto maior for o período que a cana convive com plantas daninhas, menor será o teor de ATR da cana.

Tal prejuízo, somado ao fato que o capim-colchão também pode ser hospedeiro de nematoides e agentes fitopatogênicos, fazem com que evitar infestações dessa planta daninha nos canaviais se torne algo crucial para proteger a produção e a qualidade da cana-de-açúcar.

Como controlar e manejar o capim-colchão na cana-de-açúcar?

A fim de evitar as perdas provocadas pelo capim-colchão, o agricultor deve adotar um um conjunto de estratégias do manejo integrado de plantas daninhas, que inclui medidas culturais, mecânicas e químicas.

As medidas culturais englobam decisões que permitem com que a cana-de-açúcar se torne mais competitiva frente a plantas daninhas, como o capim-colchão. Para isso, escolher corretamente as variedades a serem cultivadas, utilizar espaçamentos adequados, fazer o controle eficiente de pragas e nematoides e proporcionar uma adubação equilibrada são medidas essenciais que devem ser priorizadas.

Já as medidas mecânicas, como o próprio nome já indica, engloba operações de preparo do solo, cultivos, roçadas e operações de reforma. Dentre elas, a que tem demonstrado um efeito positivo na supressão de plantas daninhas é o manejo adequado dos resíduos da colheita da cana-de-açúcar, popularmente conhecidos como palhada. Quando deixada sobre o solo, a palhada promove influências químicas, físicas e biológicas que suprimem a germinação e desenvolvimento de algumas espécies de daninhas.

Por fim, não podemos deixar de destacar as medidas químicas, que estão entre o principal método de controle de plantas daninhas na cana e já é uma prática bem difundida no país. Isso porque, dentre estas espécies, somente a D. ciliaris possui registro de biótipos resistentes à herbicida no Brasil, sendo registrada em 2002 como resistente a herbicidas inibidores da enzima ACCase ou comumente chamados de graminicidas (haloxyfop e fluazifop).

Fazendo a escolha correta do produto, assim como da dosagem, avaliando as condições do solo e do clima e escolhendo o momento correto de aplicação, o agricultor consegue proporcionar um controle eficiente do capim-colchão usando as medidas de controle químico, aliadas às medidas culturais e mecânicas.

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