Ácaro-da-falsa-ferrugem é praga que demanda monitoramento preciso; compreender seu ciclo e alvos ajuda a evitar danos significativos. Invista no controle.
O ácaro-da-falsa-ferrugem (Phyllocoptruta oleivora) é uma das pragas dos citros mais comuns e economicamente relevantes na citricultura brasileira, capaz de causar danos significativos na qualidade e na comercialização dos frutos. Apesar de seu tamanho microscópico, a alta capacidade de reprodução e a preferência por ambientes quentes e úmidos tornam esse ácaro dos citros um desafio constante para o produtor rural.
Neste guia, vamos desvendar as características do ácaro-da-falsa-ferrugem, seu ciclo de vida, as culturas afetadas, os prejuízos que causa e as melhores técnicas de manejo para controle do Phyllocoptruta oleivora.
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Características do ácaro-da-falsa-ferrugem
O ácaro-da-falsa-ferrugem (Phyllocoptruta oleivora), também conhecido como ácaro-da-ferrugem ou ácaro-bronzeado, é uma praga pertencente à família Eriophyidae, conhecida por seu tamanho diminuto, sendo praticamente invisível a olho nu (cerca de 0,15 mm).


Para ser observado, é necessário o uso de uma lupa de, no mínimo, 10x de aumento. Sua morfologia é peculiar: possui corpo fusiforme ou vermiforme (em forma de verme), com apenas dois pares de pernas, localizados na parte anterior.
A coloração do ácaro-da-falsa-ferrugem varia do amarelo-claro ao alaranjado. Ele se aloja preferencialmente nas cavidades dos estômatos e entre as células epidérmicas da superfície de folhas e frutos.
Diferentemente de outros ácaros, ele não tece teias. Suas maiores incidência e infestação ocorrem em períodos de temperaturas elevadas, condições que coincidem com os fluxos de brotação e frutificação dos citros em diversas regiões do Brasil, favorecendo seu rápido desenvolvimento e proliferação.
Ciclo de vida do Phyllocoptruta oleivora
O ciclo de vida do Phyllocoptruta oleivora é curto e rápido, o que permite que a população cresça exponencialmente em um curto período, sobretudo em condições climáticas favoráveis.
Segundo a Fundecitrus, o ciclo de vida do ácaro-da-falsa-ferrugem passa por ovo, larva, ninfa e adulto. Em ‘Valência’, o ovo incuba por ≈3,5 dias, a larva dura ≈2,1 dias e a ninfa, ≈1,6 dia, com ciclo ovo-adulto concluído em ≈7 dias sob condições favoráveis.
Essa taxa de reprodução acelerada, aliada à sua capacidade de permanecer oculto devido ao tamanho minúsculo, permite que as infestações atinjam níveis críticos antes mesmo de serem facilmente percebidas pelo produtor, resultando em danos significativos.
Principais culturas afetadas pelo ácaro-da-falsa-ferrugem
O ácaro-da-falsa-ferrugem (Phyllocoptruta oleivora) é uma praga dos citros altamente específica, tendo o gênero Citrus como seu hospedeiro primário e preferencial. Sua presença é uma constante em praticamente todas as áreas produtoras de citros no Brasil e no mundo.
As principais culturas citrícolas que podem ser atacadas incluem:
- Laranjeiras (laranja-doce, laranja-azeda): as laranjas são particularmente suscetíveis ao desenvolvimento dos sintomas de “bronzeamento”.
- Limeiras (lima ácida ‘Tahiti’): nessas, o sintoma mais comum é o “prateamento” da casca.
- Tangerineiras: apresentam o prateamento, similar às limas.
- Limoeiros: também suscetíveis ao prateamento da casca.
- Toranjeiras e outros híbridos cítricos.
É importante ressaltar que, embora o nome “ácaro-da-falsa-ferrugem” possa ser usado de forma genérica para ácaros eriophyídeos em outras culturas (como abacaxi, abacate, cacau e guaraná), a espécie Phyllocoptruta oleivora é estritamente associada aos citros.
As pragas de falsa-ferrugem em outras culturas são causadas por diferentes espécies de ácaros eriophyídeos. Portanto, o foco de manejo do ácaro-da-falsa-ferrugem deve ser direcionado à cultura dos citros.
Danos causados pelo ácaro-da-falsa-ferrugem
Os danos causados pelo Phyllocoptruta oleivora são principalmente estéticos, afetando a qualidade visual dos frutos e, consequentemente, seu valor comercial. No entanto, em infestações severas, podem comprometer também a produtividade e o vigor das plantas.
1. Danos nos frutos
O ataque do ácaro-da-falsa-ferrugem nos frutos é o dano mais perceptível e economicamente impactante. Os ácaros se alimentam das células epidérmicas da casca do fruto, rompendo as glândulas de óleo. O óleo extravasado oxida em contato com o ar e a luz solar, resultando em manchas características:
- Coloração escura (bronzeamento ou ferrugem): típica em variedades de laranja, a casca adquire uma tonalidade marrom-avermelhada, assemelhando-se a ferrugem.
- Coloração prateada: observada em limas, limões e tangerinas, a casca fica com um aspecto prateado ou esbranquiçado.
Embora o interior do fruto (polpa e suco) não seja diretamente afetado, a alteração estética deprecia o produto para o mercado de frutas frescas.
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2. Danos nas folhas
Apesar de menos notórios que os danos nos frutos, o ácaro-da-falsa-ferrugem também ataca as folhas, especialmente as mais jovens, embora possa ser encontrado em folhas maduras.
- Bronzeamento foliar: as folhas afetadas adquirem uma coloração bronzeada, principalmente na face inferior.
- Redução da fotossíntese: em infestações intensas, a superfície foliar danificada pode ter sua capacidade fotossintética reduzida, o que leva a uma diminuição no vigor da planta, crescimento retardado e, consequentemente, impacto na produtividade a longo prazo.
- Queda prematura de folhas: em situações extremas, o ataque severo pode causar a queda prematura das folhas.
Os danos em citros causados pelo ácaro-da-falsa-ferrugem reforçam a necessidade de um monitoramento rigoroso e um controle no momento certo para proteger tanto a qualidade visual quanto a saúde geral do pomar.
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Técnicas de manejo para controle do Phyllocoptruta oleivora
Um manejo eficiente e sustentável na citricultura requer a implementação do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Isso significa combinar diferentes estratégias para proteger a rentabilidade do pomar, como:
- Inspeção visual periódica com lupa;
- Monitoramento e níveis de ação: amostre semanalmente (ou no máx. a cada 15 dias) 1–2% das plantas; escolha 4 frutos por planta (ou 6 folhas na ausência de frutos); conte com lupa o n.º de ácaros em 1 cm². Níveis de controle: ≥5 ácaros/cm² (citros especiais de mesa), ≥20 (in natura), ≥30 (indústria); também nível sugerido: 10% de frutos/folhas infestados
- Controle biológico;
- Utilização de quebra-ventos (o que pode influenciar o microclima do pomar, reduzindo a dispersão do ácaro pelo vento e criando condições menos favoráveis para seu desenvolvimento);
- Controle químico e rotação de grupos químicos (para evitar o desenvolvimento de resistência da praga aos produtos).
A integração dessas abordagens permite um controle mais sustentável, econômico e eficiente, minimizando o impacto e promovendo a saúde e a produtividade do seu pomar de citros.
O ácaro-da-falsa-ferrugem (Phyllocoptruta oleivora) é um inimigo silencioso, mas poderoso, capaz de comprometer significativamente a qualidade e o valor comercial dos seus frutos cítricos.
A adoção de um Manejo Integrado de Pragas (MIP) que combine monitoramento rigoroso, valorização do controle biológico e uso criterioso e técnico de acaricidas, é o caminho para mitigar os impactos do Phyllocoptruta oleivora.
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