A pulverização agrícola é uma prática essencial para o manejo de pragas, doenças e ervas daninhas, sendo indispensável para a produtividade no campo. Entretanto, essa atividade requer atenção redobrada à segurança dos trabalhadores.
A aplicação de defensivos envolve o manuseio de substâncias químicas que, quando não manipuladas corretamente, podem representar riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Por isso, o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) é fundamental.
Além de protegerem a saúde do trabalhador, os EPIs contribuem para que a aplicação dos produtos fitossanitários seja realizada de forma eficaz e em conformidade com as normas de segurança. Por isso, esses itens não são apenas acessórios obrigatórios, mas elementos indispensáveis na rotina agrícola.
Este artigo irá explorar o que são os EPIs, detalhar os itens que compõem esse conjunto de equipamentos e discutir os cuidados necessários para seu uso.
O que é Equipamento de Proteção Individual (EPI) para aplicação de defensivos
O EPI é um conjunto de acessórios e vestimentas utilizado pelos trabalhadores para proteger seu corpo contra riscos ocupacionais. No contexto agrícola, os EPIs são especialmente projetados para resguardar os aplicadores de defensivos durante a pulverização de produtos químicos.
A legislação brasileira, por meio da Norma Regulamentadora 31 (NR-31), estabelece a obrigatoriedade do uso de EPIs no trabalho rural. Esses equipamentos devem ser fornecidos pelo empregador, que também é responsável por orientar os trabalhadores sobre seu uso e manutenção. Para aplicações de defensivos agrícolas, os EPIs devem ser específicos e certificados, permitindo resistência química e eficácia na proteção.
Os EPIs para pulverização incluem itens que cobrem todo o corpo e fornecem barreiras contra respingos, vapores e partículas químicas. A seguir, será detalhado cada componente indispensável para a segurança do aplicador.
Itens que compõem o conjunto de EPI para pulverização
- Máscara ou respirador
A máscara é fundamental para proteger as vias respiratórias contra a inalação de vapores e partículas tóxicas. Os modelos mais indicados são os respiradores com filtro químico, que devem ser certificados e apropriados para o tipo de defensivo utilizado. É essencial que a máscara esteja bem ajustada ao rosto para assegurar sua eficácia.
- Óculos de proteção ou viseira
Os óculos de proteção evitam o contato dos olhos com respingos e partículas químicas. Eles devem ser resistentes a produtos químicos e possuir vedação adequada para impedir qualquer exposição. É importante optar por modelos confortáveis e que não prejudiquem a visibilidade.
- Luvas impermeáveis
As luvas são indispensáveis para proteger as mãos, que estão diretamente expostas ao manuseio dos defensivos. Elas devem ser confeccionadas em materiais impermeáveis e resistentes, como nitrila, e de acordo com a especificidade do produto químico utilizado.
- Chapéu ou capuz impermeável
A cabeça e o rosto precisam de proteção extra durante a aplicação. Chapéus de abas largas, boné, touca árabe, ou capuzes impermeáveis ajudam a evitar o contato de respingos com o couro cabeludo e o pescoço.
- Botas impermeáveis
As botas protegem os pés do contato com o solo que possui o produto ou respingos de defensivos. Elas devem ser feitas de material impermeável, antiderrapante e resistentes a produtos químicos.
- Macacão de proteção
O macacão é uma peça essencial, cobrindo o corpo inteiro para evitar o contato do produto da pele. Ele deve ser confeccionado com tecidos impermeáveis e resistentes, além de possuir ajuste adequado para minimizar a exposição. Também é admitido substituir o macacão pelo conjunto de calça e jaleco, confeccionados com as mesmas características de impermeabilidade e resistência.
- Avental impermeável
O avental é utilizado como proteção adicional ao macacão, principalmente durante o preparo da calda ou em atividades com maior risco de exposição direta. Ele é confeccionado em material impermeável e deve cobrir o tórax e o abdômen.
Todos esses itens são indispensáveis no momento da pulverização e manuseio dos produtos químicos, assim como os demais cuidados ao utilizá-los.
Cuidados essenciais no uso e manutenção dos EPIs
Para a eficácia dos EPIs, é necessário seguir boas práticas no seu uso, armazenamento e manutenção. Isso inclui a sequência correta de colocação e retirada, a limpeza adequada e o monitoramento constante de possíveis danos.
Sequência correta de colocação dos EPIs
A colocação dos EPIs deve seguir uma ordem específica para que todas as partes do corpo fiquem devidamente protegidas antes do início das atividades com defensivos agrícolas. Confira o passo a passo:
- Macacão ou conjunto de calça e jaleco
Comece vestindo o macacão impermeável, ou, caso opte pelo conjunto, coloque a calça e o jaleco. Certifique-se de que todas as áreas do corpo estejam cobertas e que o fechamento seja completo, sem deixar partes expostas. - Botas impermeáveis
As botas devem ser colocadas logo após o macacão ou a calça. Lembre-se de que a calça deve ficar por fora da bota, criando uma barreira para evitar que líquidos escorram para o interior. - Avental impermeável
Vista o avental por cima do macacão ou jaleco. Ele serve como uma camada adicional de proteção, especialmente para o tronco e a região abdominal, que estão mais suscetíveis a respingos durante a manipulação de defensivos. - Máscara ou respirador
Coloque a máscara ou respirador antes de iniciar o trabalho. Ela deve estar bem ajustada ao rosto, cobrindo completamente o nariz e a boca, sem folgas, para evitar a inalação de vapores ou partículas químicas. - Óculos de proteção
Os óculos devem ser ajustados sobre o rosto, cobrindo os olhos e criando uma vedação firme. Eles evitam que respingos ou partículas químicas entrem em contato com os olhos. - Chapéu de abas largas ou capuz
Coloque o chapéu ou capuz para proteger a cabeça e o pescoço de respingos químicos. Certifique-se de que ele se encaixa confortavelmente e que as abas sejam largas o suficiente para cobrir bem essas áreas. - Luvas impermeáveis
As luvas devem ser o último item a ser colocado. Elas precisam cobrir completamente as mãos e parte dos punhos, formando uma sobreposição com o macacão ou jaleco, garantindo que as áreas expostas fiquem bem protegidas.
E assim como a ordem de colocação é importante, a correta sequência de retirada do EPI também é extremamente relevante.
Sequência correta de retirada dos EPIs
A retirada dos EPIs requer cuidado para evitar contaminações durante o processo, especialmente após a aplicação de defensivos. É importante seguir a ordem recomendada e lavar as partes mais expostas antes de removê-las.
- Lave botas e luvas ainda vestido com os EPIs
Antes de começar a retirar os equipamentos, lave as botas e as luvas com água corrente e sabão neutro enquanto ainda estiver utilizando os EPIs. Isso ajuda a remover resíduos químicos que possam estar presentes na superfície desses itens, reduzindo o risco de contaminação. - Retire o chapéu de abas largas
Comece retirando o chapéu de abas largas ou capuz, segurando-o pela parte interna ou pelas bordas, evitando tocar em áreas que possam estar contaminadas. - Remova a viseira ou os óculos de proteção
Em seguida, retire cuidadosamente os óculos de proteção, segurando pelas hastes ou pelas bordas da armação. Evite tocar na lente ou nas partes externas que podem ter sido expostas. - Retire o avental impermeável
Retire o avental puxando-o pela parte de trás ou pelas alças, evitando o contato das mãos com a frente do avental. Caso ele esteja com muito produto, procure descartá-lo ou isolá-lo para lavagem imediata. - Tire o jaleco ou o macacão
Se estiver usando jaleco, remova-o puxando pelas mangas. Se estiver usando macacão, abra o zíper e retire-o de cima para baixo, sempre evitando contato da pele com a superfície externa. - Retire as botas impermeáveis
As botas devem ser retiradas com cuidado, segurando pelo calcanhar ou utilizando um descalçador para evitar tocar diretamente no exterior. Certifique-se de que a calça ou macacão esteja totalmente fora da bota antes de removê-la. - Remova as calças, se aplicável
Caso esteja usando um conjunto de calça e jaleco, retire a calça por último, dobrando-a de forma que a parte externa fique para dentro. - Retire as luvas impermeáveis
As luvas devem ser retiradas puxando-as de dentro para fora. Segure a primeira luva pela borda do punho e puxe até a retirar completamente, depois remova a segunda luva utilizando a mão protegida pela primeira. - Remova o respirador ou máscara
Por fim, retire o respirador ou máscara segurando pelas tiras ou alças, evitando tocar na parte frontal, que pode conter resíduos do produto. Caso o respirador seja descartável, descarte-o imediatamente em local adequado.
Essa sequência de colocação e retirada visa minimizar a exposição do trabalhador a produtos químicos e prevenir que esses materiais sejam espalhados para outras áreas não desejadas. Importante destacar que, após a finalização da aplicação e retirada dos EPIs, é altamente recomendado que o aplicador tome um banho e vista roupas limpas, priorizando a segurança do trabalhador.
Limpeza e higienização dos EPIs
A limpeza e a higienização dos EPIs são etapas indispensáveis para a eficácia e o prolongamento da vida útil desses materiais. Essa prática é fundamental para eliminar resíduos químicos que podem comprometer a segurança do trabalhador e para manter os equipamentos em conformidade com os níveis de proteção exigidos.
- Limpeza imediata após o uso
A limpeza dos EPIs deve ser feita logo após o término da aplicação de defensivos agrícolas. O acúmulo de resíduos químicos nas superfícies dos equipamentos pode aumentar o risco de contaminação, além de danificar os materiais com o tempo. Assim, evite atrasos no processo de higienização. - Lave separadamente de outras roupas
Os EPIs devem ser lavados separadamente de qualquer outro tipo de roupa ou material. Isso evita a transferência de resíduos químicos para vestimentas comuns, prevenindo riscos de contaminação secundária. O local de lavagem também deve ser exclusivo para essa atividade, longe de áreas domésticas ou de preparo de alimentos. - Use luvas e avental durante a higienização
Durante o processo de lavagem dos EPIs, é essencial utilizar luvas impermeáveis e avental para proteger o trabalhador contra possíveis respingos ou contato com resíduos químicos. Essa medida permite que a limpeza seja realizada de forma segura, minimizando os riscos de exposição aos produtos. - Secagem adequada
Após a lavagem, os EPIs devem ser colocados para secar em local ventilado e à sombra, longe da exposição direta ao sol, que pode comprometer a durabilidade dos materiais. Certifique-se de que todos os equipamentos estejam completamente secos antes de armazená-los. - Revisão periódica e descarte de EPIs danificados
Os EPIs devem ser inspecionados regularmente para identificar possíveis danos, como rasgos, rachaduras ou desgaste nos materiais. Equipamentos que não atendam mais aos níveis de segurança exigidos devem ser descartados imediatamente. Também é recomendável seguir as orientações do fabricante sobre o prazo de validade dos materiais, mesmo que não apresentem sinais visíveis de desgaste.
Manter uma rotina de limpeza e inspeção dos EPIs é indispensável para preservar a segurança dos trabalhadores e a eficiência na proteção durante as atividades no campo. Esses cuidados refletem um compromisso com a saúde e a segurança de todos os envolvidos no processo agrícola, que devem sempre estar informados sobre os cuidados durante a pulverização agrícola.
A importância da capacitação para o uso correto de EPIs no campo
A capacitação dos trabalhadores rurais para o uso adequado dos EPIs é uma peça-chave na segurança do trabalho agrícola. Mais do que oferecer os equipamentos, é essencial que os aplicadores compreendam como utilizá-los de maneira eficiente, conhecendo os procedimentos corretos.
A capacitação vai além do simples manuseio. Envolve também a criação de uma cultura de segurança no ambiente de trabalho. Treinamentos regulares ajudam a reforçar a importância do uso contínuo dos EPIs e a adotar medidas de precaução durante toda a jornada de trabalho. Além disso, com o avanço constante das tecnologias agrícolas, é necessário atualizar os aplicadores sobre inovações nos equipamentos de proteção, assegurando que conheçam as melhores práticas para maximizar sua eficácia.
Também é fundamental que o empregador assuma um papel ativo nesse processo. Isso inclui promover programas de capacitação acessíveis, supervisionar a aplicação correta das orientações e fornecer um ambiente de trabalho que incentive a adoção rigorosa das normas de segurança.
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