Os adjuvantes agrícolas desempenham um papel indispensável na pulverização, sendo responsáveis por melhorar a eficiência e a uniformidade das aplicações de defensivos e outros produtos nas lavouras. Essas substâncias, quando adicionadas à calda, otimizam características como aderência, dispersão e cobertura, tornando o manejo agrícola mais eficiente e econômico.

A pulverização é uma etapa crucial no manejo fitossanitário, mas sua eficácia pode ser comprometida por fatores como condições climáticas desfavoráveis, características da cultura ou limitações dos equipamentos. É nesse contexto que os adjuvantes entram em cena, ajustando a calda para superar esses desafios e permitir que os ingredientes ativos atinjam seu potencial máximo.

Este artigo irá explorar o que são os adjuvantes agrícolas, seus tipos, suas funcionalidades e como escolher a melhor opção para cada situação.

O que são adjuvantes agrícolas e por que utilizá-los?

Adjuvantes agrícolas são compostos adicionados às caldas de pulverização visando melhorar suas características e, consequentemente, a eficácia das aplicações de defensivos agrícolas, fertilizantes foliares e outros produtos. Eles não possuem ação direta sobre as pragas ou doenças, mas potencializam a ação dos ingredientes ativos presentes na calda.

O uso de adjuvantes é especialmente recomendado em situações em que condições ambientais, características dos defensivos ou peculiaridades da cultura, dificultam uma boa cobertura das plantas ou comprometem a absorção dos produtos aplicados. Eles também ajudam a minimizar problemas como a formação de gotas inadequadas, perdas por deriva ou evaporação, e o escorrimento do produto na superfície foliar.

Além de melhorar a qualidade da aplicação, os adjuvantes são aliados na economia de recursos, já que podem reduzir o número de reaplicações necessárias. Isso impacta diretamente nos custos da produção e no uso racional de defensivos agrícolas, contribuindo para práticas mais sustentáveis no campo.

Tipos de adjuvantes agrícolas

Os adjuvantes agrícolas podem ser classificados em dois grandes grupos: os surfactantes, que alteram as propriedades de superfície dos líquidos, e os aditivos, que atuam diretamente sobre a cutícula das plantas para influenciar a absorção dos produtos aplicados. 

Adjuvantes surfactantes

Os adjuvantes agrícolas do tipo surfactante são substâncias que atuam diretamente nas propriedades de superfície dos líquidos. Esses produtos desempenham um papel essencial na melhoria da eficiência dos produtos, oferecendo múltiplos benefícios durante a aplicação. 

Eles aumentam a retenção da pulverização em superfícies vegetais com alta capacidade de molhabilidade e facilitam a penetração dos ingredientes ativos, ampliando a área de contato com a folha por meio do maior espalhamento das gotas. Além disso, os surfactantes promovem a penetração por meio da cutícula, atuando como solubilizantes, e facilitam a entrada direta pelos estômatos ao reduzirem a tensão superficial da solução de pulverização. 

Também contribuem para diminuir as tensões interfaciais, o que favorece o movimento do produto ao longo das paredes celulares, otimizando sua distribuição interna após a entrada nas folhas.

Dentro desse grupo, existem diferentes classificações, conforme apresentado a seguir.

Espalhantes

Esse adjuvante tem como função principal reduzir a tensão superficial das gotas, o que diminui o ângulo de contato com a superfície das folhas. Dessa forma, a calda de pulverização se espalha de maneira mais uniforme, permitindo uma melhor cobertura.

Aderentes

Como o nome sugere, os adjuvantes aderentes aumentam a fixação de líquidos ou sólidos na superfície das plantas e reduzem o escorrimento das gotas. Em regiões com alta incidência de chuvas, esses produtos desempenham um papel fundamental ao dificultar que a água remova a calda de pulverização com facilidade.

Umectantes

Também conhecidos como molhantes, esses adjuvantes atuam retardando a evaporação da água, permitindo que as gotas permaneçam por mais tempo na superfície das plantas. Esse recurso é especialmente importante em regiões em que as temperaturas são elevadas e a umidade do ar é baixa, possibilitando maior eficácia das aplicações.

Detergentes

Esse tipo de adjuvante têm a função de remover sujeiras, como poeira, da superfície das folhas, facilitando o contato das gotas com a área desejada. Dessa forma, contribuem para aumentar a eficiência da aplicação.

Dispersantes

Os adjuvantes desse grupo reduzem as forças de coesão entre as partículas, prevenindo aglomerações e permitindo que as suspensões permaneçam estáveis por mais tempo.

Adjuvantes aditivos

Atuam diretamente na cutícula da planta, promovendo maior absorção. Entre os produtos mais conhecidos desse grupo, estão os óleos, o sulfato de amônio e a ureia.

Óleos

Os óleos, sejam de origem vegetal ou mineral, atuam dissolvendo as gorduras presentes na cutícula e nas membranas celulares. Esse processo elimina barreiras que dificultam a absorção do produto.

Sulfato de amônio

Trata-se de um composto nitrogenado que, ao se dissociar, libera íons de amônio e sulfato. Esses íons reduzem a tensão superficial das gotas, facilitando a absorção da calda pelas folhas das plantas.

Ureia

Atualmente, a ureia é um dos adjuvantes agrícolas mais populares. Ela atua diretamente sobre a cutícula, rompendo suas ligações e facilitando a absorção da calda.

Com essa diversidade de adjuvantes, é importante considerar alguns pontos no momento de escolha do produto a ser adicionado na calda de pulverização.

Como escolher o melhor adjuvante para a aplicação?

A escolha do adjuvante ideal depende de diversos fatores, como o tipo de defensivo utilizado, as características da cultura, as condições ambientais e os objetivos da aplicação. A seguir estão os principais aspectos a serem considerados.

  • Tipo de produto a ser aplicado

Cada defensivo ou fertilizante foliar pode ter uma interação diferente com os adjuvantes. Herbicidas, por exemplo, muitas vezes demandam adjuvantes que facilitem a penetração dos ingredientes ativos nas plantas, enquanto fungicidas podem exigir produtos que aumentem a aderência e a resistência à lavagem.

  • Características da cultura

Culturas com folhas cerosas ou pilosas, como cana-de-açúcar e tomate, podem exigir adjuvantes espalhantes ou molhantes para permitir uma melhor cobertura. Já em culturas como o café, por exemplo, os adjuvantes aderentes podem ser mais recomendados devido à maior exposição a chuvas.

  • Condições climáticas

Fatores como vento, temperatura e umidade relativa do ar afetam diretamente a eficácia da pulverização. Em climas quentes e secos, por exemplo, os óleos adjuvantes ajudam a reduzir a evaporação das gotas antes que atinjam o alvo.

  • Compatibilidade com a calda

É essencial assegurar que o adjuvante escolhido seja compatível com todos os produtos que compõem a calda de pulverização. A falta de compatibilidade pode causar problemas como formação de espuma excessiva, precipitação de ingredientes ativos ou redução da eficácia dos defensivos.

  • Recomendação técnica

Contar com a orientação de um engenheiro agrônomo ou especialista em pulverização é fundamental para selecionar o adjuvante mais adequado. Esses profissionais podem avaliar as condições específicas de cada propriedade e recomendar os produtos mais indicados para maximizar os resultados.

O impacto positivo dos adjuvantes na sustentabilidade agrícola

O uso de adjuvantes agrícolas vai além da simples melhora na eficiência das aplicações. Ao permitir uma maior precisão no uso de defensivos e fertilizantes, eles ajudam a reduzir o desperdício de insumos e beneficia o mio ambiente.

Além disso, a adoção de adjuvantes na pulverização contribui para a segurança operacional, já que a formação de caldas mais homogêneas reduz a exposição dos aplicadores a ingredientes ativos concentrados. Também promove o uso consciente dos recursos hídricos, já que a redução de deriva e evaporação pode diminuir significativamente a necessidade de reaplicações.