Depois de enfrentarem geadas intensas nos canaviais da região Centro-Sul durante a safra 2021/22, canavicultores estavam em alerta em relação aos impactos do clima na produtividade de suas lavouras e na quantidade de ATR das plantas colhidas nesta safra. No entanto, previsões da Rural Clima mostram que o frio mais intenso já passou, e a produção de cana-de-açúcar não deverá sofrer com temperaturas tão baixas quanto as do último ciclo.

Em entrevista exclusiva, o meteorologista Alexandre Nascimento comentou que,

“Neste ano já houve duas massas frias de origem polar, uma em maio e outra no começo de junho. Porém, não foram tão intensas nem provocaram geadas amplas como no ano passado.”

Ainda assim, o último relatório de acompanhamento, publicado pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) em 1º de julho, aponta uma retração de 4,35% na quantidade de quilo de ATR por tonelada colhida no acumulado da safra, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados indicam recuperação gradual, tanto da produtividade quanto da qualidade da cana-de-açúcar, o que pode ser explicado por uma análise climática que indicará também as perspectivas para o futuro próximo.

Boa leitura!

Clima nos canaviais: previsão para a segunda quinzena de julho

Segundo Alexandre Nascimento, meteorologista da Rural Clima, não há previsão de frio intenso semelhante ao ocorrido em maio e ao que foi observado em 2021.

“A queda de temperatura foi intensa e até pode ter influenciado a qualidade da cana, mas nada comparável ao ano passado”, afirma Nascimento.

Para a segunda quinzena, uma frente fria deve avançar pela região Sul, causando alto nível de pluviosidade no Rio Grande do Sul, o que pode momentaneamente atrapalhar a colheita. A região central do país continuará sob influência de uma massa de ar seco, que se estenderá para outras localidades de produção canavieira a partir do dia 20 de julho, de maneira a normalizar o andamento da colheita nesta região.

Acredita-se que as quedas de temperatura mais rigorosas já ocorreram. Espera-se frio ameno e frentes frias que não afetarão de maneira severa as lavouras de cana-de-açúcar.

Leia mais sobre as condições climáticas e os impactos nos canaviais em 2021:

Veja como o clima afetou a safra brasileira de cana-de-açúcar.

Perspectivas de produtividade para a safra 2022/23 de cana

As instabilidades do clima geraram grande preocupação aos canavicultores nesta safra, que já haviam vivenciado geadas muito intensas em 2021, condição que não se via há muito tempo no Brasil. A necessidade de abastecer o mercado e o setor sucroenergético criou um alerta para superar os desafios climáticos que ameaçavam a produtividade.

De fato, a primeira quinzena de abril demonstrou produção 66,2% inferior ao mesmo período do ano passado. Essa diferença vem diminuindo gradualmente, com uma recuperação expressiva nas últimas semanas. A segunda quinzena de junho encerrou com uma diferença acumulada de produção de cana apenas 12,7% inferior, em comparação com 2021.

Levando em consideração os dados da Unica para a região Centro-Sul, numa análise quinzenal, a produção entre 17 de junho e 01 de julho de 2021 e o mesmo período de 2022 apresenta uma variação de -11,7%. A cada quinzena, os números de produção estão mais próximos, o que permite vislumbrar perspectivas otimistas para os próximos meses.

Confira a seguir a tabela com o histórico da produção acumulada de cana-de-açúcar da safra 2022/23, em mil toneladas:

Qualidade da cana e a quantidade de ATR

A quantidade de ATR da cana colhida é outro fator que tem preocupado os produtores recentemente. As baixas temperaturas influenciam a qualidade das plantas e levam a resultados inferiores no processo de moagem. No total desta safra até o momento, registra-se um índice de quilo de ATR por tonelada colhida 4,4% inferior ao verificado no ano passado. Assim, há indício de que o frio mais rigoroso em 2021 não afetou tanto a qualidade da cana quanto as instabilidades climáticas destes últimos meses, somadas a outros fatores.

As duas grandes quedas de ATR foram registradas de setembro a novembro de 2021 e entre março e abril de 2022. Ambos os períodos foram marcados pelas mudanças climáticas que causaram secas extremas e graves.

Confira a curva de quantidade de ATR na região de São Paulo nesse período:

Infográfico

Assim, percebe-se ligeira recuperação a partir de maio, o que corresponde à estabilidade do clima, com frio ameno e precipitação média. Diante das previsões da Rural Clima, é possível que os índices de ATR continuem se recuperando, com condições climáticas mais favoráveis às lavouras de cana, tal como se espera para os números de produção.

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Redação Mais Agro