Entre as espécies de plantas daninhas mais problemáticas no Brasil, a trapoeraba (Commelina benghalensis) se destaca devido a algumas características específicas, como difícil controle, alta capacidade competitiva e por ser uma planta hospedeira intermediária do nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita) e do vírus do mosaico do amendoim. Sua adaptabilidade a diversos ambientes e sua tolerância a herbicidas específicos a tornam uma ameaça persistente.

A seguir, confira informações técnicas e práticas sobre a Commelina benghalensis, desde suas características biológicas e o ciclo de vida até os danos causados, além das mais avançadas técnicas de manejo para controle da trapoeraba.

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Características da trapoeraba (Commelina benghalensis)

A trapoeraba (Commelina benghalensis) pertence à família Commelinaceae, um gênero que inclui diversas espécies consideradas plantas daninhas comuns em lavouras anuais e perenes no Brasil. 

Com relação às características morfológicas, a trapoeraba possui traços marcantes que facilitam sua identificação no campo:

  • Caule: suculento, geralmente ereto ou semi-ereto (decumbente) . Apresenta a capacidade de enraizar nos nós ao longo do seu crescimento por meio de rizomas, mesmo após ser cortado, o que dificulta o controle mecânico.
  • Folhas: simples, ovaladas a lanceoladas, com uma bainha fechada e pilosa que abraça o caule. Sua coloração verde-brilhante é um indicativo de seu vigor.
  • Flores: a inflorescência é terminal, com flores pequenas que variam de azul a lilás. Possui grande produção de sementes, o que contribui para a sua dispersão.
  • Estruturas de propagação: além das sementes, a trapoeraba se propaga vegetativamente por meio de rizomas subterrâneos e pela capacidade de enraizar nos nós do caule, o que a torna uma planta daninha de difícil controle.

A presença da Commelina benghalensis é favorecida por solos argilosos, úmidos e sombreados, o que a torna um problema recorrente em sistemas de plantio direto e em sistemas com elevada densidade foliar.

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Ciclo de vida da trapoeraba

O ciclo de vida da trapoeraba é notável por sua plasticidade e pelas múltiplas formas de reprodução, garantindo sua persistência e disseminação no ambiente agrícola. É uma planta anual ou perene de curta duração, dependendo das condições.

  1. Reprodução sexuada (sementes): produz grande quantidade de sementes, que podem permanecer viáveis no solo por longos períodos, formando um banco de sementes persistente. A germinação é favorecida por umidade e sombreamento.
  2. Reprodução assexuada (vegetativa): essa é a sua característica mais desafiadora. O caule suculento, quando em contato com o solo úmido, enraíza facilmente nos nós, originando novas plantas. Além disso, a presença de rizomas subterrâneos permite a rebrota mesmo após o controle da parte aérea. Fragmentos de caule dispersos por implementos agrícolas podem gerar novas infestações.

Essa combinação de estratégias de propagação faz da trapoeraba uma planta daninha com alta capacidade de persistência no campo, exigindo um manejo constante e integrado.

Principais culturas afetadas pela trapoeraba (Commelina benghalensis)

A trapoeraba é uma planta daninha extremamente versátil e agressiva, capaz de infestar uma vasta gama de culturas de importância econômica no Brasil. A Commelina benghalensis é um problema sério em grandes culturas, como:

  • algodão (inclusive OGM);
  • amendoim;
  • arroz (irrigado, sequeiro, S.P.D.);
  • aveia;
  • cana-de-açúcar (todas as fases e S.P.D.);
  • canola;
  • feijão (inclusive S.P.D.);
  • milho (incluindo OGM e S.P.D.);
  • soja (inclusive S.P.D.).

Legumes

  • batata;
  • cebola;
  • cenoura.

Frutíferas

  • morango;
  • abacaxi;
  • ameixa;
  • banana;
  • cacau;
  • café (inclusive S.P.D.);
  • caju;
  • coco;
  • goiaba
  • maçã (pré-plantio);
  • mamão;
  • manga;
  • nectarina;
  • pera;
  • citrus (pré-plantio, S.P.D.);
  • pêssego.

Essa ampla distribuição em diferentes sistemas de produção reforça a necessidade de um conhecimento aprofundado e de estratégias de manejo adaptadas para cada cultura e ambiente de produção, visando sempre o contexto regional.

Danos causados pela trapoeraba

Os danos causados pela Commelina benghalensis vão muito além da simples competição por recursos. Essa planta daninha de difícil controle pode comprometer a produtividade, a sanidade da lavoura e até mesmo a eficiência das operações de colheita, resultando em perdas econômicas substanciais para o produtor rural.

Entre os principais danos causados pela trapoeraba, destacam-se:

  • Competição intensa por recursos, como luz, água, nutrientes e espaço, interferindo diretamente no desenvolvimento e na produtividade das culturas de interesse econômico. 
  • Hospedagem de pragas e doenças, como nematoides (Meloidogyne spp.), o vírus do mosaico do amendoim (PeMoV) e insetos-praga, que podem sobreviver na área durante a entressafra e dificultar o manejo.
  • Dificuldades nas operações de colheita, já que o caule suculento e o enraizamento dos nós podem embaraçar equipamentos, aumentar custos e reduzir a eficiência do processo.
  • Prejuízos à qualidade do produto, com contaminação de grãos e necessidade de maior beneficiamento, o que pode gerar desclassificação e perdas financeiras.

Além disso, um dos maiores desafios no controle da trapoeraba é sua tolerância a alguns herbicidas, em especial o glifosato. Diferente da resistência, que é adquirida ao longo do tempo por seleção, a trapoeraba já possui, de forma intrínseca, mecanismos que a tornam menos suscetível aos efeitos do glifosato, mesmo sem nunca ter sido exposta a esse produto.

Essa tolerância significa que, mesmo em doses recomendadas, o glifosato pode não ser totalmente eficaz no controle da Commelina benghalensis, levando a falhas no manejo e a um aumento da população da planta daninha. Isso ressalta a importância de integrar diferentes técnicas de manejo no controle da trapoeraba e de alternar princípios ativos de herbicidas.

Técnicas de manejo para controle da trapoeraba

Por ser uma planta daninha de difícil controle e hospedeira de pragas, a trapoeraba exige uma estratégia de Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD). A combinação de diferentes táticas é fundamental para reduzir a população, minimizar os danos causados pela Commelina benghalensis e garantir a sustentabilidade da lavoura.

A escolha das ferramentas deve ser cuidadosa, considerando o histórico da área, a cultura, o estádio da trapoeraba e as condições ambientais.

O MIPD para trapoeraba envolve a integração de métodos preventivos, culturais, físicos e mecânicos, incluindo:

  1. Limpeza de máquinas e implementos agrícolas: sementes e fragmentos de caule podem ser transportados de uma área para outra. Uma limpeza minuciosa de colhedoras, tratores e outros implementos agrícolas antes de entrar em uma nova área é essencial.
  2. Vigilância de áreas não cultivadas: manter o controle da trapoeraba em bordas de estradas, carreadores e áreas adjacentes à lavoura, para evitar que sirvam como fontes de infestação ou propagação.
  3. Rotação de culturas: alternar culturas com diferentes ciclos de vida da trapoeraba e exigências de manejo de plantas daninhas. A rotação permite a utilização de herbicidas com diferentes modos de ação, além de quebrar o ciclo de vida da trapoeraba e de suas pragas/doenças associadas.
  4. Plantio direto: a formação de uma camada de palhada sobre o solo (plantio direto) inibe a emergência de algumas espécies de plantas daninhas que necessitam de luz para germinar. No entanto, para a trapoeraba, que se adapta bem ao sombreamento e à umidade, o plantio direto pode favorecer sua presença se não for combinado com outras estratégias.
  5. Densidade e espaçamento: culturas bem estabelecidas e com espaçamento adequado sombreiam o solo mais rapidamente, reduzindo a luz disponível para a germinação e o desenvolvimento da trapoeraba.
  6. Solarização do solo: em pequenas áreas ou viveiros, a solarização (cobertura do solo com membranas de polietileno transparente para elevar a temperatura) pode inviabilizar sementes e rizomas da trapoeraba. Fatores, como a quantidade de luz, umidade do solo e tempo de permanência da cobertura, influenciam o sucesso.
  7. Arrancamento manual e roçagem: em infestações localizadas ou em culturas de alto valor, o arranquio manual pode ser eficaz, desde que todos os fragmentos da planta sejam removidos e descartados adequadamente para evitar nova rebrota. A roçagem pode suprimir temporariamente, mas não erradica a praga.

Manejo químico da trapoeraba com herbicidas

O uso de herbicidas pré e pós-emergentes também auxilia o manejo. 

Os pré-emergentes ajudam a reduzir o banco de sementes do solo e a controlar a trapoeraba antes que ela se estabeleça, especialmente em culturas como soja e milho. Já os herbicidas pós-emergentes devem ser utilizados em plantas já emergidas, no estádio correto de desenvolvimento (plantas jovens) para maior eficácia.

Dada a tolerância da trapoeraba ao glifosato, é imperativo alternar ou misturar herbicidas com diferentes mecanismos de ação. Isso previne a seleção de biótipos resistentes e aumenta a eficácia do controle.

A Syngenta oferece um portfólio completo de soluções para o manejo da trapoeraba, que se encaixam em diferentes estratégias de controle químico:

  • CALLISTO®;
  • Dual Gold®;
  • FLEX®;
  • GESAPAX® 500 CIBA GEIGY;
  • GESAPRIM® GrDA;
  • KRISMAT® WG;
  • LUCENS®;
  • MERISTO®;
  • METAGAN®;
  • PRIMAGRAM® GOLD;
  • PRIMAIZ® GOLD;
  • PRIMATOP® SC;
  • PRIMESTRA® GOLD;
  • PRIMÓLEO®;
  • PROOF®;
  • RAPRUS®;
  • SEQUENCE®;
  • TOUCHDOWN®;
  • ZAPP® QI 620.

Esses produtos, com diferentes modos de ação e perfis de aplicação (pré-emergência, pós-emergência, dessecação), permitem ao produtor construir um programa de manejo robusto e rotacionar as ferramentas químicas.

A trapoeraba (Commelina benghalensis) representa um dos mais significativos desafios para a produtividade agrícola brasileira. Sua capacidade de competição, suas múltiplas estratégias de propagação e sua tolerância a herbicidas como o glifosato exigem um manejo estratégico e multifacetado.

A adoção do Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD), que combine controle preventivo, cultural, mecânico e químico, é a chave para proteger a rentabilidade e a sustentabilidade de sua lavoura.

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.

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