A cultura da cana-de-açúcar enfrenta uma série de desafios que impactam diretamente a sua produtividade e rentabilidade. Entre eles, a cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata), também conhecida como cigarrinha-das-raízes da cana-de-açúcar, se destaca como uma das pragas mais agressivas e de ocorrência generalizada nas regiões canavieiras do Brasil. Sua presença pode causar perdas substanciais, comprometendo a qualidade da matéria-prima e a eficiência da indústria sucroenergética.
A seguir, confira informações técnicas e práticas sobre o Mahanarva fimbriolata, desde suas características biológicas e o ciclo de vida até os danos causados, além das mais avançadas técnicas de manejo para controle da cigarrinha-das-raízes ácaro-vermelho.
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Características da cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata)
A cigarrinha-das-raízes, também conhecida como baratinha, cigarrinha-da-cana-de-açúcar ou cigarrinha-vermelha, é um inseto da ordem Hemiptera, que compreende sugadores de seiva, como pulgões e cochonilhas. Ela se tornou a praga-chave da cana-de-açúcar em muitas regiões devido ao seu potencial de dano e à ampla distribuição geográfica.
Essa praga é favorecida por ambientes úmidos e com boa cobertura vegetal, o que a torna particularmente problemática em sistemas de plantio direto e em áreas com alto teor de palhada sobre o solo.
Os insetos adultos da Mahanarva fimbriolata são facilmente reconhecíveis:
- Machos: medem cerca de 12 mm de comprimento e apresentam uma coloração avermelhada intensa.
- Fêmeas: são ligeiramente maiores, com cerca de 14 mm, e geralmente possuem uma coloração marrom-avermelhado.
Ambos os sexos possuem um par de asas membranosas bem desenvolvidas. As cigarrinhas-das-raízes adultas são insetos ativos, mas o verdadeiro prejuízo é causado pelas ninfas.
Os adultos vivem em colônias e as fêmeas depositam seus ovos nas bainhas secas das plantas ou sobre o solo, próximos aos colmos das touceiras. A presença de uma espuma esbranquiçada na base das touceiras é o sinal mais claro da infestação por ninfas.
Imagens:

Ciclo de vida da cigarrinha-das-raízes
O ciclo de vida da cigarrinha-das-raízes pode variar de 30 a 60 dias, dependendo principalmente de condições ambientais favoráveis, como temperatura e umidade. Condições quentes e úmidas favorecem o desenvolvimento rápido e a ocorrência de múltiplas gerações ao longo do ano, aumentando a pressão da praga.
- Ovos: as fêmeas depositam ovos alongados e esbranquiçados, geralmente protegidos nas bainhas foliares secas ou no solo úmido. A fase de ovo pode durar de 10 a 20 dias.
- Ninfas: após a eclosão, as ninfas passam por cinco ínstares (estágios de desenvolvimento), período que dura cerca de 20 a 40 dias. As ninfas são as formas mais danosas da praga. Elas se alimentam das raízes e da parte subterrânea do colmo, protegidas por uma camada de espuma branca e pegajosa, que funciona como proteção contra dessecamento e inimigos naturais.
- Adultos: os adultos emergem do solo e são responsáveis pela dispersão da praga e pela oviposição. Embora suguem a seiva da parte aérea da planta, o principal dano direto é causado pelas ninfas.
Principais culturas afetadas pela cigarrinha-das-raízes
A cana-de-açúcar é a cultura mais afetada pela Mahanarva fimbriolata. A praga encontra no canavial as condições ideais para o seu desenvolvimento, desde o abrigo proporcionado pela palhada até a oferta abundante de alimento. O ataque pode ocorrer em diversas fases da cultura, desde o plantio até a socaria, e em diferentes tipos de cana (cana-planta, cana-soca).
A presença da cigarrinha-das-raízes em cana-de-açúcar é um alerta vermelho para o produtor, exigindo um plano de manejo robusto e o monitoramento constante. As perdas econômicas no setor sucroenergético podem ser drásticas, tanto em produtividade de cana por hectare (TCH) quanto em teor de açúcar total recuperável (ATR).
No entanto, a cigarrinha-das-raízes também pode afetar outras plantas, o que requer atenção do produtor que possui diversidade em sua propriedade ou áreas adjacentes, principalmente de espécies que podem ser usadas como hospedeiras, a exemplo de milho, pastagem e sorgo
Em áreas de reforma de pastagem para cana-de-açúcar ou em regiões com proximidade entre canaviais e pastos, esses hospedeiros alternativos podem servir como reservatórios da praga, facilitando sua migração para o canavial e posterior infestação.
A atenção a culturas vizinhas ou à vegetação espontânea é um componente importante do manejo integrado de pragas. A eliminação de plantas daninhas que servem como hospedeiros pode ser uma medida cultural complementar ao controle da propagação dessa praga.
Danos causados pela Mahanarva fimbriolata
Os danos causados pela Mahanarva fimbriolata são complexos e afetam tanto a fisiologia da planta quanto a qualidade do produto final. O processo de alimentação das ninfas é o principal fator de prejuízo, mas a ação dos adultos e a resposta da planta ao estresse também contribuem para as perdas.
A identificação precoce dos sintomas dos ataques da cigarrinha-das-raízes (como queima das folhas, enrolamento dos bordos, definhamento do colmo e espuma nas touceiras) é crucial para uma intervenção em tempo hábil e para mitigar os impactos econômicos.
Os danos fisiológicos se traduzem diretamente em perdas econômicas significativas:
- Redução do teor de açúcar total recuperável (ATR): a interferência na fisiologia da planta resulta em menor produção e acúmulo de sacarose, diminuindo o ATR da cana e, consequentemente, o rendimento industrial.
- Perda de peso (TCH): o definhamento do colmo e o menor desenvolvimento vegetativo levam a uma redução drástica no peso da cana por hectare (TCH), impactando a produtividade.
- Declínio da soca: a infestação de Mahanarva fimbriolata enfraquece a touceira, comprometendo o perfilhamento e o desenvolvimento das socas subsequentes, encurtando a vida útil do canavial.
Leia também: Controle da cigarrinha-das-raízes na cana exige consistência
Técnicas de manejo para controle da cigarrinha-das-raízes
O controle eficaz da cigarrinha-das-raízes exige uma abordagem holística e integrada, conhecida como Manejo Integrado de Pragas (MIP). A combinação de diferentes táticas é fundamental para reduzir a população da praga, minimizar os danos causados pela Mahanarva fimbriolata e garantir a sustentabilidade do canavial.
Para começar, o monitoramento contínuo da lavoura é o ponto de partida de qualquer estratégia de MIP. A inspeção regular do canavial, especialmente nas áreas mais úmidas e com maior quantidade de palhada, é crucial para detectar a presença da cigarrinha-das-raízes em seus estágios iniciais.
- Identificação da espuma: buscar ativamente a presença de espuma branca na base das touceiras é o método mais prático para identificar as ninfas.
- Contagem: realizar contagens de ninfas por metro linear ou por touceira para quantificar a infestação e compará-la com o nível de controle (limiar de dano econômico), que pode variar de 1 a 5 ninfas/metro, dependendo da região e da variedade.
A tomada de decisão deve ser baseada nos dados do monitoramento, evitando aplicações desnecessárias ou tardias.
Junto a essas táticas, práticas culturais adequadas podem reduzir significativamente a população da cigarrinha-das-raízes:
- Manejo da palhada: a palhada é um fator de proteção e manutenção da umidade em níveis adequados para o desenvolvimento das ninfas. Em áreas com histórico de alta infestação, a retirada total ou a destruição mecânica da palhada durante o preparo do solo, ou entre as socas, pode expor os ovos e as ninfas, diminuindo sua sobrevivência. Contudo, deve-se ponderar os benefícios da palhada para a saúde do solo e conservação da umidade. Há estudos que demonstram que a retirada parcial da palhada da cana-de-açúcar é eficiente no controle da cigarrinha.
- Variedades resistentes/tolerantes: algumas variedades de cana-de-açúcar apresentam maior tolerância ao ataque da cigarrinha. Consultar o programa varietal da sua região para identificar e priorizar esses materiais pode ser uma estratégia preventiva.
- Manejo da irrigação: em sistemas irrigados, o manejo da umidade pode influenciar o desenvolvimento da praga. O controle da umidade do solo na linha de plantio pode ser desfavorável às ninfas.
- Eliminação de hospedeiros alternativos: controlar gramíneas e pastagens infestadas próximas ao canavial para reduzir fontes de inóculo.
Por fim, o controle químico é uma opção quando as infestações atingem níveis críticos e outras medidas não são suficientes. A escolha do inseticida para cigarrinha-das-raízes deve ser criteriosa, considerando a seletividade para inimigos naturais, o modo de ação, o efeito residual e a fase da praga.
Com soluções eficazes para o manejo da cigarrinha-das-raízes, a Syngenta possui um portfólio completo para manejo, incluindo produtos, como Actara® e Engeo Pleno® S. A aplicação deve ser direcionada à base das touceiras, onde as ninfas se alimentam, garantindo que o produto atinja o alvo. A rotação de princípios ativos é fundamental para prevenir o desenvolvimento de resistência.
A cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata) é, sem dúvida, um dos maiores desafios para o produtor de cana-de-açúcar no Brasil. Sua capacidade de causar danos significativos na produtividade e na qualidade da matéria-prima exige um manejo constante e baseado em conhecimento técnico.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
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