As pragas iniciais do arroz representam uma das ameaças mais críticas ao potencial produtivo da lavoura. Entre a germinação e o início do perfilhamento, sementes e plântulas passam por uma janela de vulnerabilidade em que pragas como a bicheira-da-raiz, a cigarrinha-das-pastagens, o cupim-de-montículo e o pulgão-da-raiz podem comprometer de forma irreversível o estabelecimento da cultura.
O cenário da safra 2025/26 reforça a importância de cada planta bem estabelecida. De acordo com o 10º Levantamento da Conab, a produção brasileira de arroz foi estimada em 11,09 milhões de toneladas, uma retração de 13,1% em relação à safra anterior, reflexo de uma redução expressiva na área destinada à cultura.
Com menos hectares em cultivo, a produtividade de cada talhão ganha peso ainda maior para rentabilidade do produtor. Por isso, proteger o arranque da lavoura através do tratamento de sementes se consolida como uma das primeiras decisões mais importantes da safra: ela é a primeira linha de defesa contra as pragas que atacam nos estádios iniciais, contribuindo para a formação de um estande uniforme, com plantas vigorosas e sistema radicular íntegro.
Neste conteúdo, entenda como porque as pragas iniciais do arroz são tão danosas no início do ciclo, quais são os riscos associados a falhas no estabelecimento e porque o tratamento de sementes é a base do manejo integrado para um arranque seguro. Continue a leitura!
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O peso do arranque: por que a fase inicial é a base da produtividade da safra
Para entender por que as pragas iniciais representam um risco tão grande para a produtividade do arroz, é preciso olhar para a fisiologia da cultura nos primeiros dias.
O ciclo do arroz varia entre 100 e 140 dias, dependendo da cultivar, e se divide em três fases: vegetativa, reprodutiva e de maturação. Embora todas sejam relevantes, é na fase vegetativa, especialmente no intervalo entre a germinação e o início do perfilhamento, que a planta estabelece as bases fisiológicas para tudo o que vem depois.
Durante esse período, o sistema radicular está em formação, e a capacidade da planta de absorver água e nutrientes depende diretamente da integridade das raízes. Quando essa estrutura é danificada nos primeiros dias, os efeitos se acumulam em cadeia:
- Danos ao sistema radicular reduz a absorção de água e nutrientes essenciais;
- Menor perfilhamento limita o número de hastes produtivas por planta;
- Redução da área foliar compromete a fotossíntese e o acúmulo de fotoassimilados;
- Menos panículas e espiguetas férteis na fase reprodutiva, com reflexo direto no rendimento.
Em termos práticos, uma planta que sofre o ataque de pragas nas primeiras semanas carrega esses danos ao longo de todo o ciclo, e a lavoura não tem como compensá-lo depois.
Além disso, falhas no estande causadas por pragas iniciais criam espaços facilitam a entrada de luz no dossel, favorecem o desenvolvimento de plantas daninhas e podem alterar o microclima da lavoura, tornando-a mais suscetível a doenças como a brusone.
Ou seja, os danos se acumulam e oneram o manejo do produtor, que passa a lidar com múltiplos desafios no decorrer na safra quando o controle de pragas iniciais não é feito de maneira adequada. cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta), que causam grandes prejuízos à produtividade se não forem controladas de forma rápida e eficaz.

Pragas iniciais do arroz: conhecendo as principais ameaças na fase de arranque da cultura
Diante desse cenário, identificar com precisão quais pragas atuam na janela inicial do ciclo do arroz é o primeiro passo para definir a estratégia de proteção da lavoura.
Cada praga explora uma vulnerabilidade específica da planta jovem, e o impacto sobre o potencial produtivo varia conforme o nível de infestação, o sistema de cultivo e as condições ambientais.
Bicheira-da-raiz-do-arroz (Oryzophagus oryzae)
A bicheira-da-raiz é considerada a praga mais prejudicial do arroz irrigado por inundação no Sul do Brasil.
O adulto, conhecido como gorgulho-aquático, se alimenta do parênquima foliar das folhas jovens, mas os danos econômicos mais relevantes são provocados pelas larvas. Ao se desenvolverem no solo inundado, as larvas seccionam as raízes, reduzindo drasticamente a capacidade de absorção de nutrientes e de ancoragem da planta.
Os sintomas no campo se manifestam como reboleiras de plantas com folhagem amarelada, desenvolvimento reduzido e, em infestações severas, morte de plântulas.
De acordo com dados da Embrapa e de pesquisas conduzidas pela Epagri, as perdas de produtividade associadas à bicheira-da-raiz variam de 10% a 18% em condições típicas de infestação, podendo alcançar até 70% sob alta pressão populacional em lavouras de arroz pré-germinado. O dano é mais expressivo durante o início do desenvolvimento radicular, coincidindo com a primeira geração do inseto, que é considerada a mais danosa.

Áreas com histórico de ocorrência e lavouras implantadas mais cedo tendem a ser mais suscetíveis, pois coincidem com o período de maior atividade dos adultos, que ocorre entre o final de setembro e meados de outubro.
Cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta)
Se a bicheira-da-raiz destrói o sistema radicular do arroz, a cigarrinha-das-pastagens compromete a planta por outra via: as folhas.
Trata-se de um inseto sugador que se alimenta da seiva, provocando lesões nos tecidos vasculares. Nos estádios iniciais do arroz, a sucção contínua debilita as plântulas, interfere na condução de nutrientes e pode causar secamento das folhas.

A praga apresenta alta capacidade reprodutiva, e populações elevadas podem se estabelecer rapidamente em áreas onde a cultura anterior era pastagem, um cenário frequente no arroz de sequeiro e em sistemas de rotação com pecuária.
Cupim-de-montículo (Procornitermes triacifer)
Enquanto a bicheira e a cigarrinha agem sobre a planta já emergida, o cupim-de-montículo atua ainda mais cedo, causando danos subterrâneos à semente e às raízes em formação antes mesmo de a plântula romper a superfície do solo.
A alimentação dos cupins pode impedir a germinação ou comprometer o vigor inicial da planta, resultando em falhas de estande distribuídas de forma irregular no talhão. Em áreas de abertura recente ou com solos ricos em matéria orgânica, a incidência tende a ser mais expressiva.
Pulgão-da-raiz (Rhopalosiphum rufiabdominale)
Também no ambiente radicular, mas com mecanismo distinto, o pulgão-da-raiz forma colônias densas nas raízes, quase sempre abaixo da superfície do solo, o que torna a infestação difícil de identificar.
Além de sugar a seiva, o inseto injeta toxinas que paralisam o crescimento e reduzem o número de perfilhos.
A praga é mais frequente em lavouras bem drenadas ou antes da entrada da lâmina de irrigação, com intensificação em anos de estiagem.
Comparativo: principais pragas iniciais do arroz
| Praga | Mecanismo de dano | Condição de maior risco |
| Bicheira-da-raiz (O. oryzae) | Larvas seccionam raízes no solo inundado | Arroz irrigado; semeadura precoce |
| Cigarrinha-das-pastagens (D. flavopicta) | Sucção de seiva e lesão nos tecidos vasculares | Sequeiro; área com pastagem anterior |
| Cupim-de-montículo (P. triacifer) | Dano subterrâneo à semente e raízes jovens | Solos com matéria orgânica; áreas de abertura |
| Pulgão-da-raiz (R. rufiabdominale) | Sucção de seiva radicular e injeção de toxinas | Lavouras bem drenadas; pré-inundação; anos de estiagem |
Tratamento de sementes: a base da estratégia manejo integrado das pragas do arroz
Diante do desafio que as pragas iniciais do arroz impõem, a pergunta que fica é: como proteger o arranque antes que o dano se instale? A resposta passa por um conjunto de práticas que, combinadas, reduzem a pressão sobre a lavoura nos estádios iniciais:
- escolha de cultivares com ciclo adequado à região e ao sistema de cultivo;
- Gestão da lâmina de irrigação para dificultar o estabelecimento de insetos, especialmente do gorgulho-aquático;
- Rotação de culturas e controle de plantas daninhas e tigueras, reduzindo a pressão de pragas no ciclo seguinte.
Essas estratégias do manejo integrado de pragas são importantese junta a elas se soma o tratamento de sementes, a base da estratégia do manejo integrado das pragas do arroz.
É tratamento de sementes que confere a proteção nos primeiros dias, justamente quando a planta é mais vulnerável e quando os danos têm maior impacto sobre o resultado da safra.
Um estande bem protegido no arranque se traduz em plantas com melhor enraizamento, maior capacidade de perfilhamento e uniformidade na maturação, componentes que se refletem diretamente no número de panículas por metro quadrado e no peso dos grãos.
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A proteção da lavoura começa pelo tratamento de sementes.
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