O capim-pé-de-galinha é uma das gramíneas mais agressivas das lavouras brasileiras, dominando áreas produtivas e competindo intensamente com culturas como soja, milho e algodão. Saiba quais estratégias tornam seu manejo realmente eficaz.

capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) é uma gramínea terrícola anual de ciclo rápido, cuja aparência de “pé de galinha” esconde uma agressividade competitiva e implacável. Amplamente distribuída nas regiões tropicais e subtropicais do Brasil, essa planta daninha disputa vorazmente recursos, como água e nutrientes com as culturas, sendo a causa direta de grandes reduções na produtividade, especialmente em fases críticas de desenvolvimento da soja e do milho. 

A seguir, confira as características morfológicas que permitem a identificação precisa da Eleusine indica no campo e os princípios do MIPD, conhecendo ferramentas culturais, preventivas e os produtos químicos de última geração necessários para controlar a infestação e manter a sanidade da lavoura. 

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Características do capim-pé-de-galinha (Eleusine indica

O capim-pé-de-galinha, cujo nome científico é Eleusine indica, é uma gramínea anual de ciclo C4, conhecida por sua capacidade de rápida germinação e crescimento vigoroso. Originária da África e amplamente distribuída em regiões tropicais e subtropicais, essa planta daninha se adaptou bem às condições climáticas e de solo do Brasil, tornando-se uma das plantas daninhas mais problemáticas em diversas culturas. 

As características morfológicas distintas do capim-pé-de-galinha facilitam o reconhecimento, mesmo em estágios iniciais: 

  • Hábito de crescimento: geralmente prostrado ou decumbente, enraizando nos nós inferiores, mas pode crescer ereto em populações densas.
  • Colmos: podem apresentar uma coloração avermelhada na base.
  • Folhas: são linear-lanceoladas, com margens levemente serrilhadas e, muitas vezes, com uma nervura central saliente. A bainha foliar é achatada e a lígula é uma membrana curta e denteada. Aurículas são ausentes.
  • Inflorescência: é a característica mais marcante, assemelhando-se a um “pé de galinha”, composta por 2 a 7 (usualmente 3 a 5) espigas digitadas (partindo de um mesmo ponto) no ápice do colmo, com espiguetas dispostas em duas fileiras de 4 a 6 mm de comprimento. As espiguetas são achatadas lateralmente.
Infográfico sobre identificação e controle do capim-pé-de-galinha.

Ciclo de vida do capim-pé-de-galinha 

O capim-pé-de-galinha é uma planta daninha anual, completando seu ciclo de vida em um período que varia de 120 a 180 dias, dependendo das condições ambientais. 

A capacidade de reprodução da Eleusine indica é notável: uma única planta pode produzir até 120 mil sementes. Essa prolífica produção contribui massivamente para o banco de sementes no solo, garantindo a continuidade e o estabelecimento de futuras infestações. 

A dispersão das sementes ocorre por vento, água, máquinas agrícolas e animais, facilitando seu estabelecimento em novas áreas.  

As sementes de Eleusine indica possuem capacidade de dormência e podem germinar em diferentes épocas, favorecidas por temperaturas elevadas e boa disponibilidade de água, o que coincide com as fases de implantação e desenvolvimento de diversas culturas anuais no Brasil. O florescimento ocorre rapidamente após a emergência e a maturação das sementes pode acontecer em ciclos curtos. 

Principais culturas afetadas pelo capim-pé-de-galinha 

O capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) afeta um vasto espectro de culturas de importância econômica no Brasil. Sua presença é particularmente notável e prejudicial em sistemas de produção de grãos, em que a invasora se estabelece rapidamente e compete agressivamente pelos recursos do ambiente. 

As regiões Sul e Centro-Oeste, conhecidas por suas extensas lavouras de grãos, têm registrado um aumento significativo de infestação por essa daninha. Além da competição, a capacidade do capim-pé-de-galinha de atuar como hospedeiro alternativo para pragas e doenças agrava o problema em algumas culturas. 

As culturas mais suscetíveis à infestação por capim-pé-de-galinha são: 

  • soja: é uma das culturas mais impactadas, com infestações desde o plantio até a colheita, resultando em perdas de produtividade significativas;
  • milho: competição intensa, especialmente em sistemas de plantio direto, em que a daninha pode emergir junto com a cultura;
  • algodão: a competição precoce pode comprometer o estabelecimento e o desenvolvimento inicial das plantas de algodão;
  • cana-de-açúcar: reduz a brotação, o perfilhamento e o desenvolvimento da soqueira, afetando a longevidade do canavial e a produtividade;
  • feijão: cultura de ciclo curto e baixa estatura, é altamente sensível à competição do capim-pé-de-galinha;
  • arroz (sequeiro e irrigado): competição por água e nutrientes nas fases iniciais, afetando o estabelecimento da lavoura;
  • hortaliças e frutíferas: em pomares, vinhedos e olerícolas, compete por nutrientes e água, dificultando o manejo e a colheita. 

Danos causados pelo capim-pé-de-galinha 

Assim como outras plantas daninhas gramíneas, o capim-pé-de-galinha compete intensamente com as culturas por água, nutrientes, luz e espaço, o que acarreta problemas como: 

  • redução da taxa de fotossíntese: ao crescer de forma densa, ele bloqueia a luz, prejudicando a fotossíntese das plantas cultivadas;
  • estrangulamento das plantas: o capim-pé-de-galinha pode sufocar plantas menores, dificultando seu crescimento e, em casos extremos, matando-as;
  • atraso no crescimento: sua presença pode retardar o crescimento das culturas, prejudicando o tempo de colheita e o rendimento;
  • acidez do solo: em alguns casos, o crescimento do capim-pé-de-galinha pode indicar alterações na acidez do solo, o que o torna menos favorável às plantas cultivadas. 

Contudo, um dos maiores problemas no manejo do capim-pé-de-galinha é a sua resistência a diversos grupos de herbicidas, incluindo: 

  • glifosato: a resistência a glifosato é uma das mais preocupantes, tornando o controle pós-emergente em culturas geneticamente modificadas um desafio.
  • herbicidas inibidores da ACCase (Grupo A): amplamente utilizados no controle de plantas daninhas gramíneas em culturas de folha larga (como a soja), a resistência a esse grupo, conforme o relatório da Embrapa, é um fator limitante para o manejo químico.
  • herbicidas inibidores da ALS (Grupo B): embora menos comum, há relatos de resistência a esse grupo em algumas regiões. 

Essa resistência generalizada coloca em risco a eficiência do controle químico e reforça a necessidade de um manejo integrado de daninhas com rotação de mecanismos de ação e combinação de diferentes estratégias. 

Técnicas de manejo para controle do capim-pé-de-galinha 

O controle do capim-pé-de-galinha exige uma abordagem estratégica e multidisciplinar, baseada nos princípios do Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD). Dada a resistência comprovada e a alta capacidade reprodutiva da espécie, a combinação de práticas culturais e químicas é indispensável para preservar a produtividade da lavoura. 

Para começar, produtores devem realizar o monitoramento constante para reconhecer a daninha em estágios iniciais, quando é mais vulnerável aos métodos de controle e, assim, definir o melhor momento e as ferramentas mais adequadas para intervenção. 

Algumas práticas indicadas para o controle do capim-pé-de-galinha são: 

  1. rotação de culturas: alternar gramíneas com dicotiledôneas e culturas de cobertura, diversificando os herbicidas utilizados e quebrando o ciclo da daninha;
  2. plantio direto: a manutenção da palhada na superfície do solo atua como barreira física, reduzindo a germinação de sementes e o fluxo de emergência do capim-pé-de-galinha; 
  3. limpeza de maquinário: prevenir a dispersão de sementes de uma área infestada para outra, lavando colheitadeiras e outros equipamentos; 
  4. uso de sementes certificadas: garantir que as sementes da cultura principal estejam livres de contaminantes de plantas daninhas. 

O controle químico é uma ferramenta crítica, mas deve ser usado de forma estratégica devido à resistência a herbicidas. O manejo pode ser realizado com herbicidas pré-emergentes, que impedem a germinação das sementes, e herbicidas pós-emergentes seletivos, que eliminam as plantas já estabelecidas sem causar danos à cultura de interesse. Nesse contexto, a escolha correta dos produtos é crucial. 

EDDUS®: herbicida para o controle de capim-pé-de-galinha na soja

Entre as soluções disponíveis no mercado, EDDUS® destaca-se como uma ferramenta eficaz no controle do capim-pé-de-galinha, especialmente em áreas onde a resistência a outros herbicidas é uma preocupação. Composto por dois ingredientes ativos (fomesafem e s-metolacloro), EDDUS® atua de forma sinérgica, controlando a planta daninha antes mesmo de sua emergência.

Além de ser altamente seletivo à soja, EDDUS® oferece um amplo espectro de controle, sendo eficaz contra outras plantas daninhas de difícil manejo. Sua aplicação na pré-emergência permite que a soja se desenvolva sem a competição das plantas daninhas.

A crescente incidência do capim-pé-de-galinha nas lavouras de soja é uma preocupação que requer atenção imediata dos produtores. O uso do herbicida EDDUS® combinado com práticas agrícolas integradas é fundamental para o controle dessa planta daninha e para a proteção da produtividade das lavouras. Com a aplicação correta dessas estratégias, é possível mitigar os danos causados pelo capim-pé-de-galinha e fazer persistir o sucesso da safra de soja no Brasil.

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