Broca-da-cana é praga destrutiva que exige monitoramento e controle integrado para evitar prejuízos baratos. Saiba como proteger sua lavoura com as melhores práticas.
A broca-da-cana (Diatraea saccharalis), também chamada de broca-do-colmo, é considerada a praga número um dos canaviais brasileiros. Presente em todas as regiões produtoras de cana-de-açúcar do país, essa praga tem alta capacidade destrutiva e causa sérios prejuízos tanto na lavoura quanto na indústria sucroalcooleira.
De fato, trata-se de uma praga agroindustrial: além de reduzir a produtividade agrícola, compromete a qualidade da matéria-prima e a eficiência na produção de açúcar e etanol. Estimativas indicam que cada 1% de infestação de broca pode acarretar queda de 0,85% na produtividade e perdas de 20 a 30 kg de açúcar por hectare.
Em escala nacional, os danos anuais já superam R$ 8 bilhões, considerando a redução de ATR (açúcares totais recuperáveis) e de TCH (toneladas de cana por hectare) provocada pela praga.
A severidade da broca-da-cana deve-se a uma combinação de fatores: ciclo de vida rápido, com múltiplas gerações anuais, hábito de alimentação interna (perfurando os colmos) e interação com patógenos oportunistas.
Neste glossário técnico, vamos aprofundar todos os aspectos relacionados a essa praga, desde sua classificação taxonômica e ciclo biológico, até os mecanismos de dano (diretos e indiretos), os sintomas característicos (como o “coração morto” e a podridão vermelha) e as estratégias de manejo integrado empregadas para controlá-la.
Classificação e identificação da broca-da-cana
A broca-da-cana pertence à ordem Lepidoptera (mariposas e borboletas) e à família Crambidae. Sua principal espécie de importância agrícola é Diatraea saccharalis.
Os adultos são pequenas mariposas de coloração geral amarelo-palha, com cerca de 2 a 2,5 cm de envergadura. As asas anteriores apresentam manchas escuras, enquanto as asas posteriores são esbranquiçadas. Em geral, as fêmeas são ligeiramente maiores que os machos e vivem poucos dias (em torno de 5 a 7 dias) na fase adulta.
- Ovo: a fêmea deposita os ovos em massa nas folhas ou bainhas da cana, frequentemente em arranjo sobreposto que lembra escamas de peixe. Cada massa pode conter de poucas até dezenas de ovos, que são esbranquiçados e medem cerca de 1 mm. O período de incubação varia de 4 a 9 dias, dependendo da temperatura.
- Lagarta (fase larval): é a fase mais destrutiva. Ao eclodirem, as lagartinhas inicialmente raspam e se alimentam do tecido das folhas jovens (parênquima foliar). Após alguns dias (geralmente a partir do 2º ou 3º ínstar larval), elas migram para o colmo da cana, perfuram os tecidos, e passam a viver dentro do interior do colmo, abrindo galerias ao se alimentarem. As lagartas maduras medem cerca de 20 a 25 mm de comprimento, com coloração esbranquiçada-creme e cabeça marrom-escura. Nessa fase, causam os principais danos à cultura.

- Pupa: ao completar seu desenvolvimento larval (em uma média aproximada de 40 a 60 dias), a lagarta geralmente tece um casulo sedoso no interior do colmo e se transforma em pupa (crisálida) ali mesmo. A fase de pupa dura, em média, de 9 a 14 dias, findos os quais emerge a mariposa adulta.
- Adulto: a mariposa adulta tem vida curta (cerca de 5-7 dias). De hábito crepuscular/noturno, os adultos acasalam pouco após a emergência e as fêmeas logo procuram locais adequados nas folhas para oviposição, reiniciando o ciclo.

Em condições favoráveis de clima, o ciclo completo da broca-da-cana (ovo a adulto) pode se completar entre 58 e 90 dias. Isso permite a ocorrência de 4 a 5 gerações por ano na lavoura canavieira, um fator que dificulta o controle, pois populações sucessivas se sobrepõem na cultura.
Condições favoráveis e ocorrência da broca-da-cana
A broca-da-cana está presente em todas as áreas canavieiras do Brasil, porém sua incidência tende a ser mais acentuada em regiões de clima quente e úmido, como o Centro-Sul do país.
No Brasil, observa-se geralmente o início das infestações na primavera (setembro-outubro), com picos populacionais no verão chuvoso (dezembro e janeiro) nas principais regiões produtoras.
De fato, os adultos apresentam maior sucesso reprodutivo em condições de alta temperatura e umidade, por isso a época úmida e quente favorece explosões da praga.
A infestação costuma ser mais grave em canaviais mais jovens e vigorosos. Por exemplo, a cana-planta (primeiro corte) geralmente sofre ataques maiores do que canas-soca (cortes subsequentes), pois plantas jovens e de alto vigor são mais atrativas e oferecem melhores condições para o desenvolvimento das lagartas.
Os primeiros sintomas de infestação costumam surgir cerca de 3 meses após o plantio ou logo após a rebrota de uma soqueira cortada, coincidindo com a fase de intenso alongamento dos colmos e formação dos entrenós. Canaviais nos estágios iniciais de desenvolvimento e áreas em reforma (poucos cortes realizados) são, portanto, pontos críticos que exigem monitoramento reforçado.
Outra característica importante é que a distribuição das infestações pode ser irregular na lavoura – frequentemente, trechos com rebrote mais denso ou maior umidade servem de focos iniciais de ataque. Condições de manejo que geram stress nas plantas (deficiências, seca prolongada seguida de chuva, etc.) também podem predispor a maiores danos, já que plantas debilitadas têm menor capacidade de tolerar o ataque da praga.
Assim, vigor da cultura, clima e manejo do canavial interagem para influenciar a ocorrência da broca. De modo geral, ambientes propícios ao rápido crescimento da cana (temperaturas elevadas, boa disponibilidade hídrica e variedades produtivas) também favorecem a proliferação da broca-da-cana, exigindo atenção redobrada do produtor nesses cenários.
Danos diretos, danos indiretos e sintomas da broca-da-cana
Os prejuízos causados pela broca-da-cana decorrem de dois tipos de dano: diretos, resultantes da alimentação das lagartas nos tecidos da planta, e indiretos, decorrentes de infecções secundárias e efeitos fisiológicos provocados pelo ataque. A seguir detalhamos esses mecanismos:
Danos diretos
As lagartas perfuram e escavam galerias no interior dos colmos da cana, consumindo os tecidos vasculares e medulares. Essas perfurações reduzem o fluxo de seiva dentro da planta, comprometendo o transporte de água e nutrientes. Como resultado, ocorre perda de peso do colmo (menor acúmulo de açúcar e biomassa) e queda na produtividade por área.

As galerias podem ser longitudinais (ao longo do colmo) ou circulares/transversais; essas últimas enfraquecem estruturalmente o colmo e podem levar à quebra/tombamento das plantas, sobretudo sob ação de vento forte. Outro efeito típico é a morte de gemas apicais nas plantas atacadas – a lagarta frequentemente destrói o meristema de crescimento no topo do colmo, causando o sintoma conhecido como “coração morto”, em que os ponteiros (folhas jovens do topo) secam e ficam marrons.
Com a paralisação do crescimento apical, a planta muitas vezes reage emitindo brotações laterais (perfilhos ladrões) abaixo da região danificada, e pode ocorrer enraizamento aéreo nos nós superiores, devido ao acúmulo de seiva acima da área lesionada.
Esses sintomas são facilmente observáveis no canavial infestado: touceiras com ponteiros secos, rebrotamento anormal de gemas laterais e raízes surgindo de nós mais altos indicam ataque intenso da broca-da-cana.
Danos indiretos
Os orifícios e galerias abertos pela broca servem de porta de entrada para microrganismos patogênicos, em especial fungos associados à podridão vermelha do colmo.

Dois fungos oportunistas comumente colonizam os tecidos lesionados: Colletotrichum falcatum e Fusarium moniliforme, agentes causais da podridão vermelha (também chamada de “queima do colmo”). Esses fungos invadem as paredes das galerias e degradam os açúcares da cana, resultando em uma coloração avermelhada no interior do colmo infectado.
O processo patogênico leva à inversão da sacarose em glicose e frutose, através de compostos fenólicos de defesa produzidos pela planta, o que reduz a pureza do caldo extraído. Em termos práticos, a presença da broca e da podridão associada diminui o teor de açúcar recuperável (ATR) e prejudica o rendimento industrial tanto do açúcar quanto do etanol.
Além disso, os compostos liberados pelos fungos e pela cana em reação ao ataque podem intoxicar as leveduras durante a fermentação, reduzindo a eficiência da produção de etanol.
Portanto, o ataque da broca não só diminui a quantidade de cana e açúcar produzidos, mas também afeta a qualidade do produto final, levando a perdas econômicas ainda maiores. Em grandes extensões de cultivo, esses efeitos combinados (quebra de colmos, redução de sacarose e infecções secundárias) podem se traduzir em prejuízos milionários para o setor sucroalcooleiro.
Relação “broca-podridão”: interação com patógenos
Como citamos, a broca-da-cana e a podridão vermelha formam uma interação sinérgica amplamente documentada, a ponto de se usar o termo “complexo broca-podridão” nos canaviais. Basicamente, o dano mecânico provocado pelas lagartas ao perfurarem os colmos cria as condições ideais para a infecção fúngica: portas de entrada (furos) e acúmulo de açúcares livres provenientes da destruição de tecidos, que servem de substrato para os patógenos.
Por sua vez, ao colonizar o colmo, os fungos agravam os danos ao consumir os açúcares e liberar toxinas ou enzimas que matam células da planta, ampliando as lesões. O resultado é um colmo intensamente deteriorado, com polpa escurecida/reddish e um odor fermentativo.
A cana afetada pela podridão-vermelha perde valor industrial: seu caldo tem menor pureza (devido à inversão de sacarose) e, muitas vezes, a presença de metabólitos fúngicos impede a adequada cristalização do açúcar e atrapalha a fermentação alcoólica. Assim, a presença da broca potencializa a incidência da podridão, e vice-versa – canaviais com histórico de podridão tendem a sofrer mais com broca, pois os tecidos já danificados facilitam a penetração de novas lagartas.
Estratégias de manejo integrado levam isso em conta, buscando controlar a broca para prevenir a podridão e eliminando fontes de inóculo fúngico (como restos de colmos infectados) para não atrair mais brocas.
Essa estreita relação entre inseto e patógeno exemplifica a complexidade das interações no ecossistema agrícola, mostrando que uma praga pode abrir caminho para doenças, amplificando as perdas. No caso do complexo broca-podridão, o controle efetivo da broca-da-cana é duplamente importante: evita danos diretos e quebra o ciclo da podridão-vermelha, protegendo o potencial produtivo e a qualidade tecnológica da cana colhida.
Em resumo, a broca-da-cana provoca um amplo espectro de danos: falhas de brotação em soqueiras (devido à morte de gemas), colmos ocos e quebradiços, redução do teor de açúcar, aumento da fibra e acidez no caldo, e maior incidência de doenças no canavial. Todos esses fatores comprometem seriamente a produtividade e a rentabilidade da cultura.
O monitoramento e o controle dessa praga, portanto, são imprescindíveis para evitar que infestações elevadas persistam, pois infestações não controladas podem reduzir significativamente o TCH e o ATR da safra, ameaçando a viabilidade econômica da produção de cana.
Principais plantas hospedeiras da broca-da-cana
Apesar do nome, a broca-da-cana não se restringe exclusivamente à cana-de-açúcar (Saccharum officinarum e híbridos). Trata-se de uma espécie polífaga, capaz de se desenvolver em outras gramíneas cultivadas.
As principais hospedeiras secundárias incluem a cultura do milho e do sorgo. Em regiões onde canaviais e plantações de milho são vizinhos, D. saccharalis pode migrar para o milho, perfurando colmos e espigas.
Pesquisas apontam a broca-da-cana como uma ameaça séria ao milho quando presente, podendo causar perdas de 21% a 27% na produção de grãos se atacar as espigas. Da mesma forma, surtos da praga já foram relatados em lavouras de sorgo sacarino e arroz, já que esses cereais pertencem à família das gramíneas e possuem colmos que podem servir de alimento às lagartas.
O ponto-chave é que D. saccharalis prefere as gramíneas, especialmente aquelas de colmo mais grosso e suculento, para completar seu ciclo. Em áreas de cana, plantas daninhas gramíneas (como certas espécies de capim) também podem atuar como hospedeiros alternativos, permitindo a sobrevivência da praga na entressafra.
Portanto, além da cana-de-açúcar, monitorar culturas como milho e sorgo nas proximidades e controlar gramíneas invasoras são práticas que ajudam a reduzir fontes alternativas de infestação da broca.
Manejo integrado da broca-da-cana
Devido à rápida multiplicação e ao refúgio das lagartas dentro dos colmos, o controle da broca-da-cana é desafiador e requer uma abordagem de MIP (Manejo Integrado de Pragas). No Brasil, o MIP da broca é altamente desenvolvido e serve de referência, combinando monitoramento, controle biológico, práticas culturais e uso criterioso de inseticidas seletivos. A seguir, detalhamos os pilares principais desse manejo:
- Monitoramento e nível de controle: o primeiro passo é inspecionar regularmente a lavoura para detectar a presença da praga antes que cause prejuízos significativos. Recomenda-se realizar levantamentos populacionais de broca em canaviais com 2 a 4 meses após o plantio ou 2 a 4 meses após cada corte, período em que os sintomas iniciais podem ser observados. O método tradicional de monitoramento é o exame visual de colmos e ponteiros em pelo menos 20 plantas por hectare em áreas suspeitas, registrando a porcentagem de internódios brocados e a incidência de “coração morto”. Adicionalmente, o uso de armadilhas de feromônio sexual vem ganhando espaço como ferramenta prática e eficiente. Armadilhas contendo feromônio ou fêmeas virgens de D. saccharalis são instaladas (tipicamente, 1 armadilha a cada ~50 hectares) para capturar mariposas machos e estimar a população adulta. Quando a captura atinge determinados limiares (por exemplo, 6 machos/armadilha em 30% das armadilhas, embora esse número possa variar conforme a região e a recomendação técnica), indica que a infestação pode se agravar, sendo hora de intervir com medidas de controle na área monitorada. Esse monitoramento integrado – visual e por armadilhas – permite localizar focos e acompanhar a dinâmica da praga, possibilitando ações direcionadas no momento certo, antes que ocorram danos irreversíveis.
- Controle cultural: práticas agronômicas adequadas podem reduzir as chances de surtos de broca. Uma medida fundamental é eliminar ou tratar restos de colmos infestados após a colheita, já que lagartas podem sobreviver neles e servir de fonte de reinfestação. A recomendação clássica é realizar a “moagem rápida” da cana colhida – isto é, transportar a cana cortada para a usina e processá-la quanto antes –, evitando que colmos cortados fiquem longos períodos no campo, o que daria tempo para eventuais lagartas completarem seu ciclo e dispersarem. Outra prática benéfica é o corte da cana no nível do solo (sem desponte excessivo), de modo a remover, junto com a colheita, a maior parte dos internódios possivelmente atacados. A rotação de cultura não é comum em canaviais (pela natureza semiperene da cana), mas, em áreas de reforma, pode-se considerar semear gramíneas não hospedeiras ou outras culturas que interrompam o ciclo da praga. Algumas pesquisas também indicam que a adubação silicatada (silício) pode fortalecer a parede celular da cana e dificultar a penetração das lagartas nos colmos, reduzindo a taxa de infestação, embora essa seja uma medida complementar e de efeito temporário. Em suma, o controle cultural foca em quebrar o ciclo da broca e diminuir sua sobrevivência no ambiente, seja removendo hospedeiros (plantas infestadas, tigueras de milho voluntário, etc.) ou tornando as condições menos favoráveis à praga.
- Controle biológico: o manejo biológico da broca-da-cana é um caso de sucesso amplamente consolidado no Brasil. Desde a década de 1970, a liberação inundativa de inimigos naturais vem sendo empregada em escala comercial nos canaviais do país. O principal agente de controle é a vespinha Cotesia flavipes, um parasitoide de larvas introduzido da Ásia, que se adaptou muito bem às condições brasileiras. A estratégia consiste em criar massivamente essas vespas em biofábricas e liberá-las periodicamente na lavoura – muitas usinas produzem e soltam milhões de Cotesia por hectare ao longo do ciclo da cana. As fêmeas de C. flavipes localizam as lagartas da broca dentro dos colmos (guiando-se por vibrações e voláteis da planta) e ovipositam dentro delas, levando à morte da lagarta parasitada e ao surgimento de novas vespinhas que continuarão o controle. Em complemento, também se utiliza o parasitoide de ovos Trichogramma galloi, que deposita seus ovos dentro dos ovos da broca, impedindo a eclosão. A associação de Cotesia (parasita de lagartas) e Trichogramma (parasita de ovos) tem se mostrado uma estratégia eficiente no MIP da broca, atacando a praga em duas fases do ciclo. Além dos parasitoides, também podem atuar no controle biológico com predadores generalistas (aranhas, formigas, coleópteros) e microrganismos entomopatogênicos. No caso da broca, um fungo Metarhizium anisopliae tem uso registrado para seu controle, embora seja mais aplicado contra outras pragas da cana (como a cigarrinha-das-raízes). Vale destacar que, atualmente, o controle da broca-da-cana em muitas regiões é feito majoritariamente por meios biológicos – a praga chegou a ser considerada sob controle graças às vespas, mantendo índices de infestação abaixo do nível de dano econômico por muitos anos. Entretanto, com a expansão acelerada dos canaviais e eventuais falhas em cobrir todas as áreas com liberações, a broca ainda causa prejuízos, requerendo integração com outras táticas. O importante é preservar esses aliados naturais: qualquer prática que cause desequilíbrio nos parasitoides pode recrudescer a praga. Por isso, a compatibilização do controle químico com o biológico é fundamental – tópico abordado a seguir.
- Controle químico (inseticidas seletivos): a utilização de inseticidas contra a broca-da-cana deve ser criteriosa e estratégica, integrada aos demais métodos. Pelo fato de as lagartas ficarem abrigadas dentro do colmo por grande parte do seu ciclo, produtos de contato superficiais têm eficácia limitada se aplicados tardiamente. Assim, o momento ideal de intervenção química é quando as lagartas ainda estão nas folhas ou penetrando os colmos, geralmente nas fases iniciais de infestação, identificadas pelo monitoramento. Nessa janela, pode-se recorrer a inseticidas seletivos e de ação sistêmica ou translaminar, que consigam atingir a praga sem prejudicar os inimigos naturais. Inseticidas reguladores de crescimento (IGRs) e moléculas modernas específicas para lepidópteros são preferíveis, pois tendem a ser mais seletivas à fauna benéfica. O MIP da broca preconiza o uso racional de químicos somente quando necessário, ou seja, quando a infestação atingir o nível de controle e o controle biológico sozinho não for suficiente. Nesses casos, a aplicação deve priorizar produtos registrados para cana, respeitando as orientações de bula (época, dose, carência) e evitando ao máximo afetar as populações de Cotesia e outros agentes biológicos no campo. Operacionalmente, a aplicação pode ser feita tanto por via terrestre (tratorizada) quanto aérea (avião agrícola ou drones), dependendo da extensão da área e das condições do terreno. Atualmente, há, inclusive, tecnologia de aplicação via drone aprovada para produtos específicos, o que permite cobrir áreas menores ou pontos focais com agilidade e precisão, minimizando derivas. Em síntese, o controle químico bem-sucedido da broca exige: timing correto (atingir as lagartas expostas), escolha de inseticida eficaz e seletivo e integração com o controle biológico (uso de moléculas compatíveis, evitando ressurgência da praga). Quando essas premissas são atendidas, o inseticida pode reforçar a proteção oferecida pelos parasitoides, resultando num manejo mais completo e seguro da praga.
- Resistência e novas tecnologias: um ponto de atenção no manejo químico é evitar a seleção de resistência na população de broca. Historicamente, o uso prolongado de um mesmo modo de ação (MOA) de inseticida pode levar à sobrevivência dos indivíduos resistentes e tornar o produto ineficaz ao longo do tempo. Por isso, é fundamental rotacionar modos de ação e integrar métodos para não criar pressão de seleção constante. Nesse contexto, a chegada de novas moléculas inseticidas com modos de ação inéditos no mercado canavieiro é extremamente importante. Nos últimos anos, a pesquisa também tem avançado em variedades de cana geneticamente modificadas para resistência a insetos (cana Bt), embora comercialmente ainda haja poucas opções disponíveis. Além disso, sistemas de agricultura digital e IoT vêm sendo utilizados para otimizar o monitoramento da broca, por exemplo, com sensores de captura de mariposas e modelos preditivos que avisam o momento exato de intervir. Todas essas inovações tecnológicas visam tornar o manejo da broca mais eficaz, sustentável e operacionalmente viável diante dos desafios atuais (escassez de mão de obra para inspeção manual, expansões de área, etc.).
Solução sem precedentes: FRONDEO® no controle da broca-da-cana
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